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Surfista baiano planeja conquista de um lugar no mundial

650x375_bino-lopes_1561208Quando ficou difícil lembrar o roteiro de viagens feito até agora em busca de uma das dez vagas para a elite mundial do surfe, o baiano Bino Lopes, de 27 anos, recorreu ao mapa fixado na sala de sua casa, em Villas do Atlântico.

No começo do ano, ele voou para a Austrália, onde ficou um mês, disputando a etapa do WQS, a divisão de acesso ao WCT, o principal circuito. “Fui também para Califórnia, África do Sul, Califórnia de novo, São Paulo e, de lá, emendei para a Europa”, relatou, correndo o dedo de um lado para o outro no mapa para indicar os locais por onde passou.

Há dois meses e meio fora de casa, juntando competições no Brasil e no exterior, ele aproveita a semana de folga para rever a família. No sábado, viaja para Portugal. Seu objetivo é disputar as etapas premium do WQS nos Açores, de 22 a 27 deste mês, e em Cascais. Cada uma delas dá 10 mil pontos.

“Não tem nada decidido. Se eu vencer essas duas etapas, vou para as cabeças da tabela”, explicou o surfista, que está em 72º lugar no ranking do WQS, com 4.700 pontos. Além dessas, ainda vão ser disputadas outras três etapas de 10 mil pontos.

O líder é Alejo Muniz, de Santa Catarina, com 22.350 pontos, que Bino poderia ultrapassar com os 20 mil pontos das competições portuguesas. Em agosto, ele venceu o Pro Anglet, etapa do WQS de nível 1.500, no pico francês de Chambre d’Amour.

Desta vez, o atleta vai com os pais. “Eu e minha mulher, Suzane, vamos acompanhar as duas etapas de Portugal para dar uma força”, contou o empresário e surfista Abelardo Lopes, de 49 anos, pai e primeiro professor de surfe de Bino. Ele tem uma pousada na Praia do Forte e aproveitará a baixa estação para uns dias de férias.

Ao mesmo tempo, o baiano se dedica ao campeonato nacional, o SuperSurf, após a vitória inédita na etapa de Florianópolis, obtida no último domingo. Com o resultado, ele somou 6 mil pontos e saltou da 22ª colocação para a vice-liderança do ranking da Associação Brasileira de Surf Profissional. Flávio Nakagima encabeça a lista com 11.995 pontos, mas Bino aparece colado, com 11.550.

O triunfo o coloca entre os principais candidatos ao título brasileiro, que não é conquistado por um surfista da Bahia desde Jojó de Olivença, campeão em 1988 e 1992. Bino, porém, cravou a primeira vitória de um baiano em etapa do SuperSurf, que não era disputado desde 2010.

Ele já poderá ser campeão  na quarta e última etapa, programada para a praia de Itaúna, em Saquarema, no Rio de Janeiro, de 7 a 11 de outubro.  Esse circuito soma pontos com outros do país para a definição do Campeonato Brasileiro.

Dividido

Por enquanto, Bino Lopes vive realidades distintas, disputando uma competição no Brasil e outra pelo mundo. A elite do surfe, em que ele busca uma vaga entre as estrelas do chamado “Brazilian Storm” (tempestade brasileira, em inglês), chega a pagar 525 mil dólares de premiação (aproximadamente  R$ 2 milhões).

Para o campeão do circuito mundial, o prêmio é de 100 mil dólares (cerca de R$ 386.380). Já o SuperSurf, de um total de R$ 60 mil em cada evento, destina R$ 15 mil ao vencedor de uma etapa. Foi quanto Bino Lopes embolsou domingo, em Santa Catarina.

A Tarde

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