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No Dia do Enfermeiro profissionais falam dos desafios no combate ao coronavírus em Porto Seguro e o amor pela profissão

Nesta terça-feira (12), enfermeiros celebram seu dia na linha de frente no combate do novo coronavírus (Covid-19).

Eles, assim como os médicos e tantos outros profissionais, convivem diariamente com o medo, a morte, a ansiedade, porém atuam com amor e afinco na profissão que escolheram para a vida.

Conforme informações do Ministério da Saúde, já foram registrados 3.721 casos confirmados no Brasil, de profissionais da saúde, e mais de dois mil estão afastados de suas funções por terem sido diagnosticados com a doença.

Em todo o país, já são mais de 11 mil casos entre suspeitos e confirmados, de acordo com o Cofen. Na Bahia, 641 profissionais da saúde testaram positivo, em Porto Seguro foram confirmados 17 profissionais.

Todo dia é dia de dar parabéns às pessoas que atuam na área de saúde.

Então, para tentar celebrar de alguma forma este Dia do Enfermeiro, conversamos com alguns profissionais sobre os desafios de exercer a atividade na pandemia.

Enfermeira Helga Melo

Enfermeira Helga Melo

“Hoje o nosso senso de cuidar só aumentou, nosso olhar ao paciente se tornou mais sensível e nos tornou com certeza pessoas melhores. Mais família, mais amigos, mais humanos!
Pensamos agora não somente no paciente ( que é o amor de alguém), pensamos também que temos alguém que amamos e nos ama também, por isso se puder continuem em casa por vocês, pelos seus, por mim e pelos meus, obrigada!”

Helga Melo, 16 anos de profissão atuando em Emergência, UTI e UI do Hospital Deputado Luís Eduardo Magalhães.

Enfermeiro Álvaro Sérgio Cangussú

Enfermeiro Álvaro Sérgio Cangussú

“Ser enfermeiro é algo imensurável, pois a arte do cuidar é algo extremamente humanístico. Em tempos de combate a esse vírus invisível, saímos de nossas casas com aquele sentimento de angústia, por que não dizer medo, porém, ao entrar no hospital, tudo isso é superado, pois o objetivo de salvar vidas nos faz sentir heróis.
Algumas pessoas falam que os enfermeiros se acostumam com a morte, no entanto, eu que estou fazendo dez anos de formado esse ano, não me acostumei e nunca irei me acostumar com o óbito, que para mim sempre será uma fatalidade.

Logo, para preservar as vidas de nossa população, dos profissionais da linha de frente, peço àqueles que puderem, que fiquem em casa e se saírem usem máscaras, esse sim será o melhor presente que estarão dando para nós enfermeiros nesse dia tão importante.”

Álvaro é enfermeiro graduado e pós graduado em enfermagem de urgência e emergência. Além disso, é formado também no Bacharelado Interdisciplinar em Saúde pela UFSB e é acadêmico de Medicina pela Universidade Federal do Sul da Bahia.
Ele atua no Hospital Municipal Professor José Maria Magalhães Netto em Santa Cruz Cabrália.

Enfermeira Sidneia Silva

Enfermeira Sidneia Silva

“Ser Enfermaria é uma realização, em minha vida. Amo minha profissão, e tenho muito orgulho de ser enfermeira.
“Enxergo esse período com a proteção de Jesus Cristo, pois todos nós profissionais da saúde corremos risco, mas, continuamos cuidando do amor de alguém com muito cuidado e carinho, pois acima de tudo amo o que faço, e faço com muito amor e dedicação.”

Sidneia Silva, 18 anos de profissão, atua na emergência pré-parto no Hospital Deputado Luís Eduardo Magalhães.

Jhonson James

Jhonson James

“Nova rotina de trabalho e cuidados extras para evitar o contágio de entes queridos têm afastado profissionais de saúde do convívio familiar. Enfermeiros, médicos, técnicos de enfermagem, entre outros, enfrentam desafios profissionais e pessoais durante a pandemia.”

Jhonson James, 15 anos atuando no Hospital Deputado Luís Eduardo Magalhães em Porto Seguro.

Enfermeira Glecia Cunha

Enfermeira Glecia Cunha

“Ser enfermeira é uma arte; e para realiza-la como arte, requer uma devoção tão exclusiva, um preparo tão rigoroso quanto a obra de um pintor. É retirar uma energia que cultivamos no terreno do conhecimento e do coração e utilizarmos para cuidar de vidas e fazer de sua profissão um instrumento para ajudar outra pessoas.
Glecia Cunha, 17 anos de profissão. Atua na Emergência Pré-Parto do Hospital Deputado Luís Eduardo Magalhães.

Antônio Júnior

Antônio Júnior

“Estamos passando por um grande desafio. Isso gera apreensão, medo, angústia, onde devemos estar preparados, sabemos que essa é a nossa missão. É um trabalho constante, árduo e de toda equipe. Do segurança, ao recepcionista, do auxiliar da higienização, à enfermagem e os médicos. O trabalho de todo mundo é importante. É um vírus que pega facilmente! Mas os doentes precisam da gente, da nossa calma e da nossa serenidade. Temos compromisso com a vida. Precisamos nos cuidar para cuidar das pessoas. Neste momento a gente pensa muito antes de sair de casa para trabalhar. Nosso apelo é que fiquem em casa, não saiam nas ruas, não fiquem aglomerados, não façam festinhas. É tempo de cuidado e não de festa, preservem a vida de vocês e dos seus familiares.” Antônio Júnior, três anos de profissão, atua na Emergência adulta do Hospital Deputado Luís Eduardo Magalhães e UPA frei calixto.

Luana Martins

Luana Martins

“Atuo na linha de frente, trabalho na emergência do hospital com o coração chorando, quando saiu de casa, vou orando para Deus pedido proteção, livramento pra mim e meus colegas, chegando, coloco os EPI’s e nem faço a refeição, porque até retirar tudo pra ir no refeitório prefiro não ir, quando saiu da unidade, agradeço a Deus pelo livramento, quando chego em casa tenho todo cuidado pra não contaminar nada e nem meu marido. Mas, a tristeza é estar a dois meses separada do meu pai, meu avô que tem 84 anos, meu filho que está com ele na roça de 10 anos e minha mãe de 56 anos, estão isolados, bate aquela saudade, choro todos os dias pela distância e quando ligo ele pensa que estou doente por não vê-los.”

Luana Martins, 05 anos de profissão, atua na emergência do Hospital Deputado Luís Eduardo Magalhães.

Arol Lopes Gomes

Arol Lopes Gomes

“Parabéns a todos os amigos guerreiros da enfermagem que apesar da desvalorização nunca fugiram da luta e ficando na linha de frente em pró de vidas.”

Arol Lopes Gomes, atua na emergência do Hospital Deputado Luís Eduardo Magalhães em Porto Seguro.

Idalenes Bernardes

Idalenes Bernardes

“Sou enfermeira por escolha. Sei que muitas vezes não vou ouvir nem um muito obrigada, pois podem achar que o que faço é mais que minha obrigação. Faço com respeito e dedicação pois sei que estou lidando com pessoas cheias de medos. Pessoas que às vezes só querem um pouco da minha atenção. Feliz dia do enfermeiro (a) profissionais cheio de sonhos. Orgulho de dizer muito prazer sou enfermeira Idalenes.” Idalenes Bernardes, 10 anos de profissão, atua na emergência pré-parto do Hospital Deputado Luís Eduardo Magalhães em Porto Seguro.

Rodrigo Matos

Rodrigo Matos

“Temos um inimigo invisível. E a nossa profissão é lutar diariamente contra ele (o vírus) e para não se contaminar. Sobretudo, para não passar a doença para a família. Os equipamentos de proteção individual e os protocolos de segurança são importantes instrumentos para evitar a contaminação. Porém, não afastam o medo e a preocupação.” Rodrigo Matos, 06 anos de profissão, atua na emergência pré-parto no Hospital Deputado Luís Eduardo Magalhães em Porto Seguro.

Damiana Santos Miranda

Damiana Santos Miranda

“Todos os profissionais de saúde estão muito abalados. Cada dia que passa, mesmo tendo todos os equipamentos de proteção individual e com todos os cuidados redobrados, minha maior angústia é voltar para casa, com medo de contaminar a minha família. Mas, ao mesmo tempo, é muito gratificante saber que atuamos para salvar a vida das pessoas todos os dias.” Destaca a profissional que atua na emergência do Hospital Deputado Luís Eduardo Magalhães em Porto Seguro.

Taline Reis Ramos Cuzzuol

Taline Reis Ramos Cuzzuol

“Profissão que escolhi por amor. Que a 5 anos trabalho de coração, hoje, trabalhando na UTI, não sei se saberia fazer outra coisa. Dia daqueles que incansavelmente estão na linha de frente. Deixamos nossos amores, nossa vida para cuidarmos daqueles que precisam, de fazer aquele velho ditado: “fazer o bem sem olhar a quem.” valer a pena… De estarmos sempre prontos para a guerra. E nesses últimos dias, lutar não tem sido fácil, mesmo por debaixo das nossas doloridas armaduras, principalmente a nossa máscara, temos sempre um sorriso no rosto, uma palavra de conforto. Um ombro amigo. Ah, de todo coração o que realmente gostaria de receber durante essa semana? Respeito… Reconhecimento, amor e cuidado! Porque apesar de sermos sempre aqueles que permanecem por longo período ao lado, cuidando daqueles que precisam, tbm merecemos ser cuidados… AMADOS E RECONHECIDOS!”

Heli Botelho

Heli Botelho

“O que mais mudou em minha atuação no meio da pandemia como enfermeira Obstetra particular foi a necessidade de distanciamento físico. As medidas de higiene já faziam parte da assistência de Enfermagem de modo geral, mas o uso contínuo de máscara parece que aumenta ainda mais a distância no contato íntimo com minhas gestantes. Como realizo junto minha equipe pré Natal Domiciliar, acompanhamento de trabalho de parto e o Parto domiciliar em si, usamos o toque como fator importantíssimo na assistência. Principalmente no Parto que é um momento de dor, não poder abraçar e acolher essa parturiente é muito difícil. Mas, apesar de tudo, temos mantido os padrões estabelecidos pela OMS, e mesmo sendo difícil tentamos sempre dar apoio emocional de outras formas. Você consegue imaginar como tem sido difícil nesse momento de angústia para muitas mamães gestantes, não poderem receber conforto através do toque, ou ao menos visualizar o sorriso de sua Enfermeira? Além desses cuidados durante os atendimentos, tenho mantido distanciamento em casa também, só saindo para realizar meus atendimentos, conto com ajuda do meu esposo, que está fazendo home office, para fazer compras, e passamos álcool 70% líquido em tudo, para evitar possível contatos com o covid e assim evitar qualquer risco de contaminar as gestantes que atendo.
Enfim, esse período não tem sido fácil, ainda mais para meus companheiros de luta, Enfermeiros que estão na linha de frente. Nossa profissão é linda, essencial e merece muita valorização e reconhecimento. A eles minha eterna gratidão.”

Heli Botelho, 08 anos de profissão, é Enfermeira Obstetra
Especialista em Parto Normal Humanizado.

Wilk Adams Silva

Wilk Adams Silva

“Ser enfermeiro é um orgulho, em meio a essa pandemia, percebemos quão importante é a nossa profissão. Mesmo com todo esse caos erguemos a cabeça e seguimos a frente rumo a Vitória com Deus sempre a frente protegendo a nós e a nossa família que deixamos em casa orando por nós.” Will atua no Hospital Regional de Eunápolis.

Kele Cristina Barreto

Kele Cristina Barreto

“Como enfermeira apesar de no momento não estar atuando me sinto fragilizada por ver tantas mortes, por não saber se poderiamos fazer mais pelo paciente, hoje sofro na pele a perda de um grande amigo que se foi sem que ao menos pudessemos nos despedir.” A enfermeira Kele era amiga do soldado Batista, vítima da covid-19 no último sábado (09), em Porto Seguro.

Adriana Ássimos

“Não tem sido fácil os dias dos profissionais da saúde em época de pandemia. Tememos por nossas vidas e pela vida dos nossos. Mas a força que nos dá para continuarmos na luta é o amor pela enfermagem. Então seguimos esquecendo o medo e acreditando que tudo isso irá passar. Com a certeza de dias melhores!” Adriana Ássimos, 21 anos de profissão. Atua no Hospital José Maria Magalhães Neto, Sentinela do Covid em Santa Cruz Cabrália.

O Dia Internacional da Enfermagem e do Enfermeiro é celebrado desde 1965. Mas a data foi estabelecida somente em 1974, por decisão do Conselho Internacional de Enfermagem. O dia 12 de maio foi escolhido a fim de homenagear Florence Nightingale, inglesa que é considerada a “mãe” da enfermagem moderna. Da mesma forma, no Brasil, a data marca a abertura da Semana da Enfermagem, que termina em 20 de maio, dia escolhido para homenagear Ana Neri, pioneira da enfermagem no país. Anteriormente, ano passado, a Organização Mundial de Saúde (OMS) declarou 2020 como Ano Internacional da Enfermagem.

Anna Nery, também conhecida como Ana Néri, nasceu no interior da Bahia, no dia 13 de dezembro de 1814, e foi pioneira da enfermagem no Brasil.

Casada desde os 23 anos com Isidoro Antônio Nery, Anna ficou viúva aos 29, assumindo a responsabilidade de cuidar sozinha dos três filhos pequenos.

Com o início da Guerra do Paraguai (1864-1870), os filhos de Anna Nery foram convocados pelo exército para lutar nas frentes de batalha. Um irmão de Anna também foi para a Guerra.

Sem querer ficar longe dos filhos, Anna requereu ao então presidente da província da Bahia, o conselheiro Manuel Pinho de Sousa Dantas, que lhe fosse dado o direito de acompanhar os filhos e o irmão durante os combates, ou, que ao menos, ela pudesse prestar serviços nos hospitais do Rio Grande do Sul.

Deferido o pedido, Anna partiu de Salvador, incorporada ao décimo batalhão de voluntários em agosto de 1865, na qualidade de enfermeira.

Durante toda a campanha, prestou serviços ininterruptos nos hospitais militares de Salto, Corrientes, Humaitá e Assunção, bem como nos hospitais da frente de operações. Viu morrer na luta um de seus filhos e um sobrinho.

Terminada a guerra, regressou à sua cidade natal, onde lhe foram prestadas grandes homenagens. O governo imperial concedeu-lhe a Medalha Geral de Campanha e a Medalha Humanitária de primeira classe.

Anna morreu na cidade do Rio de Janeiro aos 65 anos, em 20 de maio de 1880.

Em sua homenagem, em 1923, a primeira escola oficial brasileira de enfermagem recebeu o nome de Ana Néri. Ela também é lembrada do Dia do Enfermeiro.
Em 2009, por intermédio da Lei n.º 12.105, Anna Nery se tornou a primeira mulher a entrar para o Livro dos Heróis e das Heroínas da Pátria, depositado no Panteão da Liberdade e da Democracia, em Brasília (DF).

Anna Nery, mesmo perdendo um filho, não desistiu de salvar vidas. E entrou para a história como uma heroína.

Redação Namidia News

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