O Brasil celebra neste 19 de abril o Dia dos Povos Indígenas, data que reforça a importância da valorização, da resistência e da luta dos povos originários. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), com base no Censo 2022, ajudam a traçar um retrato atual dessa população no país.
Segundo o levantamento, o Brasil possui 1.694.836 pessoas que se autodeclaram indígenas, distribuídas em 391 etnias diferentes, um aumento significativo em relação a 2010, quando eram 305 etnias registradas. Entre os povos mais numerosos estão Tikúna, Kokama, Makuxi e Guarani.
A diversidade cultural também se expressa na linguagem. Ao todo, são 295 línguas indígenas faladas no território nacional. As mais utilizadas incluem Tikúna, Guarani Kaiowá, Guajajara e Kaingang. O número de falantes de línguas indígenas também cresceu, passando de 293.853 em 2010 para 433.980 em 2022.
Apesar dos avanços, os dados evidenciam desigualdades. A taxa de alfabetização entre indígenas com 15 anos ou mais é de 84,95%, abaixo da média nacional, que chega a 93%. Além disso, cerca de 30,77% dos indígenas vivem em condições precárias de saneamento, com dificuldades de acesso à água potável, esgotamento sanitário e coleta de lixo, um índice bem superior ao registrado na população geral.
O Dia dos Povos Indígenas é, portanto, não apenas uma celebração da riqueza cultural e da diversidade, mas também um momento de reflexão sobre os desafios enfrentados por essas populações, especialmente na garantia de direitos básicos e constitucionais.
A data reforça a necessidade de políticas públicas que promovam inclusão, respeito e melhores condições de vida, reconhecendo o papel fundamental dos povos indígenas na formação histórica, cultural e ambiental do Brasil.