Novembro Azul: câncer de próstata é o tipo mais comum em homens

De acordo com dados do Instituto Nacional de Câncer (Inca), o câncer de próstata é o tipo de câncer mais comum em homens, com 21,25% das novas incidências. Nesta segunda-feira (1º), inicia-se o Novembro Azul, mês onde se encoraja a prevenção e conscientização sobre o câncer de próstata.

Na lista de tumores mais comuns entre homens e mulheres, o primeiro é o câncer de pele não melanoma, que incide em ambos.

Entretanto, quando se exclui o tumor de pele, o percentual da incidência do câncer de próstata chega a 29,2% entre os homens, com 65,8 mil casos novos. A última atualização da página do Inca é de junho de 2021.

A estimativa do instituto para cada ano do triênio 2020-2022 é de que serão diagnosticados 66 mil novos casos de câncer de próstata no país.

Novembro Azul

E o movimento Novembro Azul vem para reforçar a importância da prevenção e do diagnóstico precoce do câncer de próstata. Esse tipo atinge 1 a cada 8 homens no país, e é a segunda principal causa de morte da população masculina. Nesse quesito, ele fica atrás apenas do câncer de pulmão, o que mais mata no mundo.

O problema é que, mesmo com esses dados, a maioria só vai ao médico quando já está doente. “Enquanto as mulheres são encorajadas culturalmente a visitar um ginecologista anualmente, o mesmo não acontece com os homens. Devemos usar o mês de novembro como uma ferramenta para incentivar essa quebra de tabu, para que homens visitem médicos regularmente, não só quando uma doença aparece”, diz Nilo Jorge Leão, coordenador do Instituto Baiano de Cirurgia Robótica (IBCR), atuante em Salvador (BA) e São Paulo (SP).

A demora de diagnóstico pode trazer diversos riscos e atrasar o tratamento, diminuindo as chances de cura. O que mais causa esse atraso é o temor quanto ao exame de toque retal, que há anos levanta em muitos questões acerca da sexualidade masculina. O exame é indolor e dura menos de 10 segundos. 

Para o oncologista Raphael Brandão, chefe da área de oncologia da Clínica JB Oncologia “o exame de toque e PSA, aumenta a chance do diagnóstico precoce e tem mais de 90% de chances de cura se o tumor for localizado”.

“Além disso, é preciso dar atenção à saúde preventiva, pois a maioria dos cânceres, incluindo o de próstata, é assintomático em estágio inicial, quando os sinais aparecem a doença já se encontra em situação mais avançada. E apesar de ser considerado um câncer da terceira idade, pode se desenvolver em qualquer faixa etária. Homens de todas as idades devem ficar atentos aos fatores de risco e conversar com seus médico para a realização de exames que permitam a detecção precoce da doença”, afirma o médico. 

Em 95% dos casos, eles aparecem em estágio avançado, por isso a importância do diagnóstico precoce. Os sintomas quando se apresentam, são semelhantes aos do crescimento benigno da próstata, também chamado de HPB. O paciente pode ter dificuldade de urinar, dor na pélvis, problemas em manter a ereção, ter sangue na urina ou no esperma. 

Homens com mais de 50 anos ou acima de 45 anos que tenham histórico de câncer na família e sejam negros devem realizar o exame de ratreio anualmente e manter atenção aos sintomas.

Fatores de risco e sintomas

Dietas ricas em gordura saturada, sedentarismo e tabagismo aumentam a incidendia da doença. Ademais, homens que se expõem a produtos químicos tóxicos, como arsênio, produtos de petróleo, fuligem e dioxinas têm risco aumentado de diagnóstico de câncer de próstata. Essas substâncias ajudam a promover mutações nas células da próstata, facilitando o aparecimento de um caso de câncer. 

Dentre os sintomas, Nilo destaca o fluxo urinário alterado, fraco ou interrompido, a presença de sangue na urina ou no sêmen, disfunção erétil, dor no quadril, dormência nas pernas e pés e aumento da próstata. Estes são sinais de que algo está errado. “Populações de risco, como homens negros ou com histórico de câncer de próstata em parentes de 1º grau, também precisam de atenção especial devido a um risco muito mais elevado de desenvolver câncer de próstata”, aponta Nilo.

O diagnóstico e a pandemia

A pandemia afetou também o diagnóstico de doenças. “Os tempos atuais têm sido desafiadores para pacientes com câncer e para aqueles que buscam um diagnóstico da doença. Desde o início da pandemia, segundo estimativas das Sociedades Brasileiras de Patologia e de Cirurgia Oncológica, mais de 50 mil brasileiros deixaram de ser diagnosticados com câncer e postergaram os seus tratamentos. Mas vale ressaltar que diante de qualquer sinal ou suspeita da doença, é fundamental procurar um profissional o mais rápido possível, pois o diagnóstico precoce aumenta significativamente as chances de cura. As instituições de saúde e o corpo médico estão preparados e seguindo rígidos protocolos de higiene e segurança para seguir atendendo a todos”, diz o oncologista Raphael Brandão.

Cirurgia robótica

As opções de tratamento devem ser definidas de acordo com cada caso e exige o envolvimento de uma equipe multidisciplinar. “O ideal, que é considerado padrão ouro, é a prostatectomia radical, onde a próstata é completamente removida com às vesículas seminais. Porém, o maior receio relacionado à este procedimento é a incontinência urinária e a impotência sexual. Neste sentido, o maior avanço vem acontecendo com a cirurgia robótica, que surgiu em 2001 nos Estados Unidos e está avançando no Brasil com crescimento estimado em 30% ao ano”, esclarece Nilo, que já realizou mais de 400 cirurgias robóticas, é um dos principais especialistas na área, e opera nos principais hospitais de São Paulo, entre eles, Sírio Libanês, Hospital Moriah e Paulistano. 

Cirurgia robótica é menos invasiva e apresenta até 90% de cura em casos de câncer de próstata localizado. O método é usado nos estágios inicial e intermediário da doença. “Esse tipo de cirurgia permite uma visão 3D do tumor e o aumento de 10 vezes a ampliação da área afetada. Isso possibilita que sejam feitas incisões muito pequenas e precisas, resultando em uma recuperação rápida”, explica o urologista.

Fonte: GQ

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