Samba e churrasco animaram baianas, velha-guarda e ritmistas nos bastidores, antes da festa

As Baianas da Mangueira aproveitaram para colocar o papo em dia

Enquanto a festa não começava no Terreirão do Samba, ali pertinho, integrantes da Estácio de Sá, Mangueira, Portela e Unidos da Tijuca já aqueciam os tamborins e os gogós ao som de muito samba e churrasco. Eles estavam no Centro de Artes Calouste Gulbenkian, local a poucos metros do Terreirão e que serviu como uma espécie de concentração das agremiações antes do desfile. Lá, bateria, velha-guarda e outros integrantes se aprontavam para o grande momento da noite.

Uma das mais animadas era a baiana Regina da Silva de Oliveira. Neste carnaval, ela desfilará em 18 escolas! A maratona começa no sábado e só termina na terça-feira.

— Há 50 anos, eu desfilo. Já fui passista, já desfilei em ala coreografada e até em carro alegórico. De seis anos pra cá, coloquei na cabeça que queria ser baiana. E desfilar em uma escola só não me satisfaz — disse a sambista, de 67 anos

Moradora da Cidade de Deus, Regina revelou os segredos para aguentar a jornada carnavalesca.

— Só bebo água de coco e como muita massa. Mas na Quarta-Feira de Cinzas, não quero nem saber. Bebo todas — conta a portelense.

A mangueirense Vera Lucia de Oliveira tem o samba dentro do seu quintal. Vizinha de porta da quadra da Mangueira, ela relembrou os perrengues que já precisou passar ao longo dos anos. Mas segundo ela, pelo carnaval, tudo vale a pena.

— Eu era a mascote na ala da minha mãe. Mas o Juizado de Menores não deixava nenhuma criança desfilar. Então, minha mãe deu um jeitinho. Ela me colocou dentro de sua saia e fui desfilar assim mesmo, escondida. Não esqueço nunca este dia — se diverte Vera Lucia.

Mesmo com um problema de saúde, em 1984, Heloisa Severino não deixou de desfilar na “sua Mangueira”. O ano foi marcado por um momento único na Sapucaí. A verde e rosa chegou à recém-inaugurada Praça da Apoteose e deu meia volta. Desfilou na contramão, conquistando os jurados, o público e mais ainda o coração de Heloisa.

— Eu estava com uma hemorragia. Mas nem quis saber. Coloquei meu remédio no sutiã e desfilei. Estava um sol, muito quente. O povo indo a loucura e jogando água pra refrescar os componentes — encerra ela declarando seu amor à Mangueira: — Eu brigo com a escola. Fico chateada, mas paixão é assim.

Até a doença some

Celeste Dias, de 56 anos, e Lucinéia Oliveira, de 75, baianas da Tijuca, confessaram: são portelenses.

— É no samba que a gente esquece doença, problemas, tudo. Até a diabetes some. Quero viver a vida inteira assim — disse Celeste, que sai em até cinco escolas de samba por ano.

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