Micro, pequenos e até grandes empresários mostram que não é preciso muito para inovar

Inovação é fundamental. Mas afinal de contas, o que é inovar. Estadão PME mostra casos práticos para você

 

Os empresários podem inovar até em negócios tradicionais

Inovar é algo difícil de explicar. O que é inovação? O que define que um produto ou serviço é realmente inovador? E mais: inovação é garantia de sucesso?
Para tentar ajudar os empreendedores na difícil tarefa de responder a – pelo menos – essas três perguntas, o Estadão PME selecionou seis histórias de micro, pequenas e até grandes empresas que mostram, na prática, o que é inovação e como elas podem ajudar o seu negócio a prosperar. Confira abaixo:

UM SUPERMERCADO NO METRÔ
A rede Tesco, multinacional do segmento de supermercados, vivia um dilema. De que forma torna-se a empresa número um da Coréia do Sul mesmo tendo menos lojas do que sua principal corrente? A estratégia encontrada pela corporação foi interessante e, ao mesmo tempo, demonstra aos pequenos empresários que eles devem agregar novas tecnologias aos seus produtos e serviços imediatamente.

Após realizar pesquisas, a Tesco descobriu que os sul-coreanos eram o segundo povo no mundo que mais trabalhava e, assim, os executivos da rede concluíram que fazer compras no supermercado tomava um tempo que os clientes simplesmente não tinham.

Diante de informações coletadas no mercado, a rede inovou: decidiu levar a loja até os consumidores – e não estamos falando aqui de criar um site para compras online. Eles foram além.

A Tesco coloocou em estações do metrô displays com imagens dos produtos que comercializa idênticas às prateleiras dos supermercados. Mais do que isso: o consumidor poderia fazer compras ali mesmo, enquanto esperava pelo trem.

Funcionava assim: o cliente passava a câmera do celular em um QR Code colocado em cima de cada produto. Ao ler esse código, o celular conectado na internet levava o cliente ao sistema de vendas online da empresa. O consumidor informava a quantidade que desejava de cada produto e indicava a forma de pagamento. Pronto! No fim do dia, a compra estava em sua residência.

O sucesso da empreitada, informa a multinacional, fez com que as vendas online da Tesco aumentassem 130% após a ação – a empresa tornou-se a primeira colocada no ranking de vendas online do segmento e aproxima-se cada vez mais do objetivo inicial: torna-se a maior rede da Coréia do Sul em termos de lojas físicas.

Veja o vídeo e entenda como funcionou a ação:

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UMA PIZZARIA EM DUBAI
Toda e qualquer pizzaria oferece aos seus clientes o famoso imã de geladeira com o telefone e a marca do restaurante. A ideia é que o consumidor faça seu pedido por telefone sem dificuldades.

Uma pizzaria de Dubai, nos Emirados Árabes, encontrou uoutra função para o imã. Na Red Tomato Pizza, o consumidor faz o seu pedido ao apertar esse imã colado na geladeira.

Ou quase isso. Na verdade, o serviço, que se chama VIP Fridge Magnet (Imã de Geladeira VIP) conecta-se pelo sistema de Bluetooth ao celular do cliente toda vez que ele toca o imã. A pizzaria então envia um SMS ao consumidor solicitando que ele faça o pedido e o confirme. E a pizza chega na sua casa.

O pedido continua a ser feito pelo telefone. E o tempo para finalizar o processo também não deve ser tão inferior assim. Mas o que os donos da Red Tomato Pizza fizeram – e esse é o principal mérito da empresa – foi transformar o habitual pedido de pizza em algo divertido.

Veja como a empresa explorou a inovação:

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UMA LOJA DE POEMAS
Ele decidiu abrir uma loja de poemas. Não só isso. Uma loja de poemas ao ar livre nas ruas de São Francisco (Califórnia). O nome do artista-empreendedor é Zach Houston e antes de mais nada é preciso dizer que o negócio faz sucesso nos Estados Unidos: Zach costuma ganhar entre dois e vinte dólares por poema e ele garante que já recebeu – mais de uma vez – uma nota de cem dólares.

O empreendedor disse que largou seu emprego convencional no dia 1º de abril. Era o dia da mentira e Houston conta que as pessoas não acreditaram quando ele disse que escreveria poemas nas ruas com uma máquina de escrever. E por dinheiro. “Não era uma piada de primeiro de abril”, contou Houston ao site da National Public Radio (NPR).

O negócio parece prosperar. Mas o poeta parece realmente interessado em oferecer produtos de qualidade para seus clientes, que fazem sugestões de temas para Houston e o deixam criar. “Eu sempre amei poesia. Sempre me preocupei como a linguagem funciona”, conta.

De acordo com o empreendedor, a ideia do negócio surgiu do amor pela poesia. “Eu imaginei que poderia ganhar alguns dólares e sobreviver escrevendo poemas”, conta.

UMA AGÊNCIA DE VIAGENS VIRTUAL
Os sócios Alex Todres e Bob Rossato se conheceram há seis anos, trabalhando na Decolar – agência de viagens online. Em 2007, os dois foram para o Banco Panamericano implantar uma área de viagens. “Após dois anos, com a crise enfrentada pelo banco, tudo ficou muito desgastado e decidimos montar nossa agência.” Em seis meses, os sócios desenvolveram a área tecnológica do site e contrataram o pessoal.

“Em novembro de 2009, colocamos no ar o site ViajaNet, focando as classes C e D.” Após dois anos de operação, os resultados superaram as expectativas. “Fechamos 2010 com R$ 55 milhões de faturamento, o que atraiu a tenção de investidores”, diz Todres. Após receber aporte de dois grupos estrangeiros, a agência aprimorou suas ferramentas e ampliou a equipe, o que contribui para fechar 2011 faturando R$ 200 milhões.

“Quando montamos o negócio, tínhamos claro que o mercado vinha crescendo, mas com poucos players operando, porque esse negócio é bastante complexo, demanda muito capital e muita gente”, comenta Alex Todres, um dos sócios da empresa.

Segundo o empresário, alguns fatores influenciaram o sucesso. Além do cenário econômico favorável, que impulsionou o crédito e barateou o preço das passagens, a ascensão das classes C e D também contribuiu. “Esse público estava descobrindo as transações no ambiente virtual e não teve dificuldade para comprar no ViajaNet, porque o site foi desenhado de forma muito amigável. Um exemplo disso é que, mesmo que a palavra Miami seja escrita com grafia incorreta, o site identifica a informação”, diz.

Além disso, a equipe do call center foi instruída a não usar palavras em inglês. Assim, check-in virou balcão de atendimento. “A cultura geral da empresa tem por objetivo fazer com que o usuário se sinta confortável”, acrescenta, lembrando que o foco principal da empresa são as classes C e D.

A soma de inovação e sucesso nas vendas chamou a atenção de investidores internacionais. Após seis meses de operação, foram procurados pelo grupo espanhol IG Expansion, que adquiriu parte da agência. Depois, em nova rodada de negociações, receberam US$ 19 milhões de dois fundos de investimentos americanos, o Redpoint Ventures e o General Catalyst. Em maio de 2011, a agência anunciou a expansão das operações para o México. Para 2012, a expectativa é operar também na Colômbia, Venezuela e Argentina.

O ViajaNet usa seu know how para criar operações de comércio eletrônico de viagens para grandes marcas consagradas no varejo eletrônico e que querem atuar em operações de turismo online. Até o momento a empresa já fechou parceria com a Saraiva, Yahoo e Compra Fácil.

Todres afirma que os investidores estão olhando muito para o mercado brasileiro. “O interesse é tão grande, que muitos estão aprendendo a falar português. Não somos mais vistos apenas como o país do futebol e do carnaval, agora somos bons parceiros de negócios, com alto potencial de crescimento.”

Para quem pensa em criar o próprio negócio, o empresário recomenda que a pessoa não queira inventar a roda. “É mais fácil e coerente pegar algum modelo com sucesso comprovado e tentar inovar em cima dele. ” Na opinião de Todres, os investidores querem ver receita e clientes. “É importante conhecer o mercado e manter bom relacionamento. Só assim é possível conseguir contratar bons profissionais.”

UMA CASA DE CHÁ DIFERENTE
Nada de xícaras. A loja colorida e moderninha da marca The Gourmet Tea serve o chá em copos. O local também não faz qualquer mistério em relação ao preparo da bebida: o trabalho, aliás, fica a cargo do próprio consumidor. Depois de examinar as latas expostas no balcão e selecionar um dos 35 sabores disponíveis, o cliente recebe um recipiente com água quente. A partir daí, conta apenas com a ajuda de um cronômetro para indicar o tempo certo de infusão.

É assim, sem qualquer cerimônia, que a The Gourmet Tea vai criando um jeito brasileiro, bem descontraído, de consumir o chá. O estabelecimento, localizado em Pinheiros, faz parte da leva de novos endereços paulistanos dedicados essencialmente à venda da bebida. Mas se diferencia dos demais por oferecer um produto próprio. Os blends que estão à venda na loja são receitas brasileiras, criadas por Daniel Neuman e Leandro Toledano.

Amigos desde a infância, eles têm pelo menos duas coisas em comum: são formados em comércio exterior e adoram chá. Características essenciais para que a The Gourmet Tea tomasse o rumo que tomou.

A empresa foi criada em 2009 com a proposta de oferecer um produto de muita qualidade a um preço justo. E os sócios perceberam, logo de cara, que só resolveriam a equação se participassem de toda a cadeia produtiva da bebida. “Se nós apenas importássemos o produto final, como fazem as outras empresas, teríamos de cobrar mais caro mesmo porque adicionaríamos a nossa margem de lucro a um produto já acabado”, explica Toledano.

Foi aí que a formação em comércio exterior ajudou. Neuman e Toledano garimparam fornecedores do mundo todo até acharem as melhores ervas, sempre orgânicas e certificadas.

O segundo passo foi o mais estratégico: a criação das receitas. “Os europeus e os asiáticos gostam de chás mais fortes, mais densos. Aqui no Brasil, com esse calor, nós precisávamos oferecer uma bebida mais leve, mais suave”, conta Neuman.

Depois disso, os sócios ainda tiveram de encontrar uma empresa que fizesse a mistura das ervas sem comprometer a qualidade do produto final. “Precisaríamos de um maquinário caro, por isso terceirizamos essa tarefa”, diz Toledano. Os sócios, então, fecharam contrato com uma companhia norte-americana.

O processo trabalhoso foi recompensado pela aceitação imediata dos clientes. Embalado em charmosas latinhas de metal, que trazem as certificações norte-americana e brasileira de produção orgânica, o produto conquistou empórios chiques e restaurantes respeitados. Hoje, é vendido em 300 pontos de venda de todo o Brasil.

Os empresários preparam mostruários especiais e se dispõem a oferecer treinamento aos funcionários dos revendedores para que o produto seja exposto da maneira correta. Mas a maneira mais segura de garantir uma boa apresentação da marca é ter controle sobre o ponto de venda. Por isso, em 2010, a The Gourmet Tea ganhou uma loja.

Hoje, o estabelecimento recebe cerca de 90 clientes todos os dias. O chá é a estrela da casa. As latinhas (que rendem 4 litros) custam R$ 23,90 e uma xícara (ou melhor, um copo) sai por R$ 5,90. Mas o local também serve refeições leves, doces e salgados. Há ainda uma parede repleta de acessórios, como bules e infusores, à venda.

Em breve, a empresa vai inaugurar sua segunda unidade, no Shopping Morumbi. O convite partiu do próprio shopping – e foi um dos poucos aceitos pelos sócios. “Nós ainda estamos estudando nosso modelo de crescimento”, avisa Toledano, que diz já ter recebido proposta para que a marca se tornasse uma rede de franquia.

Para o consultor Adir Ribeiro, especializado em Franchising, as lojas de chá são uma ótima maneira de fidelizar o cliente e garantir bom posicionamento da marca. “Mas para que o negócio se transforme em franquia é precisa que a loja tenha boa rentabilidade”, observa.

 

 

PME

 

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