Homem gritou por socorro durante 4 h após deslizamento em Sapucaia

Segundo viúva, o mecânico estava com 2 tios e um primo na hora da tragédia.
De acordo com secretário, buscas vão continuar na madrugada desta terça.

Com os olhos fixos nos escombros do deslizamento, ocorrido no Distrito de Jamapará, em Sapucaia, no Centro-Sul Fluminense, na segunda-feira (9), a atendente de posto de gasolina Renata Dias, de 26 anos, faz vigília no segundo andar em uma das casas interditadas na Rua Marechal Floriano Peixoto.

Renata perdeu o ex-marido – que só virou ex há três meses. Ela contou que Pablo Antônio de Carvalho, que tinha 28 anos e era mecânico, gritou por socorro até as 7h desta segunda. O deslizamento ocorreu por volta das 3h.

“Ele ficou até as 7h pedindo ajuda. O pai dele disse que ele falava ‘pai, me ajuda’. Mas ele não conseguia identificar onde o filho estava. Os vizinhos tentaram mexer para procurar, mas é muita pedra e muita terra”, contou ela.

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Atualmente Renata mora em Sapucaia, a cerca de 20 quilômetros de Jamapará. Ela tem dois filhos com Pablo, um menino que completará 6 anos na próxima segunda-feira (16) e uma menina de 4 anos. Renata pretende ficar no local do deslizamento até que encontrem o corpo do ex-marido.

Ela também contou que no momento da tragédia, Pablo estava com dois tios e um primo. Os três corpos já foram encontrados. “Não vou sair daqui enquanto não acharem”, disse ela.

A atendente ainda contou que o pai do ex-marido está em estado de choque. Além do filho, ele perdeu uma irmã, o sobrinho e um cunhado.

Defesa Civil diminui efetivo

O secretário estadual da Defesa Civil, Sérgio Simões, que acompanha as buscas desde as 10h de segunda-feira, afirmou ao G1 que as equipes irão virar a madrugada pelas buscas dos corpos. Ele estima em 17 o número de vítimas ainda soterradas, mas diz que esta estimativa pode variar.

“ A gente vai ficar aqui até terminar. Amanhã entrará uma nova equipe. Eu constatei que não vai precisar de um número tão grande de gente, vamos diminuir porque o trabalho é muito pontual”, afirmou Simõees.

Segundo o secretário, nesta terça-feira (10), o número de bombeiros cairá de 70 para 25. Além disso, uma nova máquina deve chegar para auxiliar nas buscas. Ele explicou que é uma espécie de britadeira para conseguir quebrar as imensas rochas que existem no local. Simões ressaltou ainda que a região não era considerada de risco, o que aumenta a discussão sobre moradias próximas às encostas.

Ainda segundo o secretário, Jamapará entra para o mapa de regiões que necessitam de um sistema de alertas contra deslizamentos. “É uma história que se repete, porque foi de madrugada, quando as pessoas estão mais indefesas. É esse cenário de tristeza, cada corpo que sai, é uma comoção”, concluiu Sérgio Simões, que acrescentou que acredita que os trabalho dos bombeiros deve durar de 2 a 4 dias.

Vidas perdidas

Estudante de direito, Aderbal de Almeida Melo trabalhava em um bar próximo ao local do deslizamento. Durante toda a segunda-feira (9), ele passou servindo amigos e parentes das vítimas da tragédia.

“Conhecia todas as pessoas. Aqui todo mundo se conhece”, disse ele.

Entre os soterrados, segundo ele, estava o caminhoneiro Sérgio, que passava mais de 20 dias fora de casa e só ficava emJamapará por no máximo dois dias.

“Ele chegou em casa 1h e o deslizamento foi às 3h. Morreu ele, a mulher e o filho Thiago, que também estudava direito em Juiz de Fora e só vinha para casa no final de semana”, contou Aderbal.

Outra vítima da tragédia, que ele também conheceu, se chamava Lívia.

“Ela estava estudando psicologia no Rio e também vinha pouco para cá. Na hora do deslizamento, estavam em casa, ela, a mãe, o pai, a avó e mais dois rapazes, que eram vizinhos, que tinham ido lá para ajudar, porque a encosta estava desabando”, disse o estudante.

Aderbal contou que acordou por volta das 4h30 com gritos nas ruas. Ele ainda contou que uma menina de 2 anos morreu com o avô no deslizamento. A mãe e a vó dela se salvaram.

 

G1

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