Algoritmo do Instagram prioriza fotos com pouca roupa, aponta estudo

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O algoritmo do Instagram prioriza a difusão de imagens de homens e mulheres com pouca roupa, de acordo com pesquisa do jornal digital “Mediapart” em colaboração com a Rede Europeia de Jornalismo de Dados e o Algorithm Watch. Os autores do estudo, publicado nesta semana, concluem que a fotografia de uma mulher com roupa íntima ou de banho é mostrada 1,6 vezes mais que a mesma imagem, mas com mais roupas, uma taxa 1,3 vezes superior para os homens.

O Instagram também leva em conta, conforme o estudo, a cor da pele das pessoas que aparecem nas imagens. A plataforma foi comprada pelo Facebook em 2012.

A partir do estudo de uma patente de algoritmo registrada em 2015 por dois funcionários do Facebook, que nos permite entender quais fotos o Instagram concede ou nega mais visibilidade, foram analisados 2,4 mil conteúdos – com 1.737 imagens – publicadas entre fevereiro e maio deste ano.

Isso mostra que a plataforma avalia automaticamente cada imagem postada na web e atribui uma “pontuação de compromisso”. Isso é feito com base nas possibilidades de interação dos usuários da rede social com o conteúdo.

‘Gênero, etnia e nudez’

“A patente afirma especificamente que o gênero, etnia e nudez das pessoas na foto podem ser usados para calcular as métricas de interação”, com base em faixas de cores relacionadas à cor da pele, dizem os autores do estudo, liderados pelas jornalistas Judith Duportail e Nicolas Kayser-Bril.

Eles trabalharam com 26 voluntários que usavam aplicativos a fim de coletar informações sobre o conteúdo visualizado. Foi analisado um total de 2,4 mil publicações de 37 pessoas de 12 países diferentes. Elas são pessoas que usam profissionalmente o Instagram para divulgar suas marcas, especialmente em setores como alimentação, turismo, esporte, moda ou beleza.

Os programas instalados abrem automaticamente essa rede social em intervalos regulares de tempo. Assim, analisam o conteúdo que aparece nos “dez principais” mostrados aos voluntários. Dessa forma, fornecem “uma visão geral do que a plataforma considera mais relevante para cada voluntário”.

Além de outras considerações éticas, os autores destacam o impacto econômico que essas práticas podem ter para usuários que usam o Instagram profissionalmente, sem serem informados corretamente das variáveis pelas quais a rede social divulga uma imagem.

No entanto, eles reconhecem que a variável nudez pode não se aplicar a todos os usuários da rede social. Isso ocorre pois o Instagram ofereceu conteúdos mais diversificados a “uma pequena porcentagem” dos voluntários do estudo.

A rede social não respondeu as perguntas específicas levantadas pelos jornalistas, sobre uma investigação que considera “imperfeita” por não ter sido realizada em grande escala.

“Classificamos as postagens no seu mural de feeds de acordo com o conteúdo e as contas nas quais você demonstrou interesse, não com base em fatores arbitrários, como a presença de roupas de banho”, disse o Facebook.

Fonte: Da Redação Namidia News com informações de UOL

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