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Seguranças de mercado filmam tortura contra jovem que furtou chocolate

A Polícia Civil investiga um crime de tortura contra um adolescente de 17 anos que supostamente teria furtado um chocolate em um supermercado na Zona Sul de São Paulo. Um vídeo que circula em redes sociais mostra o jovem sendo chicoteado por dois seguranças.

Segundo o jovem, a agressão aconteceu no mês passado no supermercado da rede Ricoy da Avenida Yervant Kissajikian, na Vila Joaniza, na Zona Sul. O vídeo mostra ainda o jovem nu, com as mãos amarradas e a boca amordaçada, sendo chicoteado. Informações iniciais indicam que os próprios seguranças gravaram o vídeo.

O inquérito foi instaurado pelo delegado Pedro Luiz de Sousa, do 80º Distrito Policial, na Vila Joaniza, segundo a Secretaria da Segurança Pública.

O gerente do supermercado disse que os seguranças foram afastados. Em nota, a assessoria de imprensa do supermercado disse que repugna a atitude dos seguranças e tomou conhecimento dos fatos por intermédio da reportagem.

“A empresa repugna esta atitude e foi com indignação que tomou conhecimento dos fatos por intermédio da reportagem. Que a empresa não coaduna com nenhum tipo de ilegalidade e colaborará com as autoridades competentes envolvidas na apuração do caso, a fim de tomar as providências cabíveis”, diz a nota.

Ariel de Castro Alves, conselheiro do Conselho Estadual de Direitos Humanos (Condepe), disse que está acompanhando a investigação e que cobra a punição dos responsáveis pelos “atos bárbaros e cruéis de tortura”.

Segundo Ariel, “existem indícios contundentes de crime de tortura praticado pelos seguranças. A tortura ocorre quando alguém é submetido, com emprego de violência ou grave ameaça, a intenso sofrimento físico ou mental. A Lei 9455 de 1997, prevê penas de 2 a 8 anos aos acusados”.

O delegado responsável pelo caso acredita que o objetivo dos seguranças com a ação era “botar medo na comunidade”.

“Eu acredito que até o intuito desses dois criminosos seria colocar medo naquela comunidade, que fica ali nas proximidades, e que alguns dos seus moradores costumam praticar pequenos furtos – não se justificaria a barbaridade que foi cometida”, disse o delegado Pedro Luis de Souza.

A polícia quer ouvir os funcionários do mercado e a vítima, que deve passar por exame de corpo de delito.

Em nota, a Secretaria Municipal de Direitos Humanos e Cidadania disse que “lamenta a ocorrência de todos os fatos que ferem a dignidade humana e demonstram a intolerância da nossa sociedade com pessoas que deveriam receber atendimento civilizatório e adequado”.

A empresa Ricoy afirmou:

“Em relação aos fatos lamentáveis registrados em vídeo divulgado amplamente, o Ricoy Supermercados esclarece o seguinte:

1 – Ficamos chocados com o conteúdo de uma tortura gratuita e sem sentido em cima do adolescente vítima.

2 – O Ricoy desde sua fundação na década de 1970 exerce os princípios mais rígidos de valorização do ser humano, seja em nossas lojas ou em nossa comunidade. Ficamos muito abalados com a notícia que nos causou repulsa imediata

3 – Os dois seguranças acusados de praticarem os atos são de empresa contratada terceirizada e não prestam mais serviço para nossos supermercados.

4 – Para manter nossa coerência em contribuir com as investigações, nesta terça-feira (3), um funcionário da loja Yervant Kissajikian, 3384, prestou depoimento no 80º Distrito Policial.

5 – O Ricoy já disponibilizou uma assistente social para conversar com a vítima e a família. Daremos todo o suporte que for necessário.”

Fonte: G1

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