Presidente Bolsonaro fala em campanha para 2022 e disputa de segundo turno com Lula

(Foto: Marcos Corrêa/PR)

Depois da decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) por anular as condenações do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o presidente Jair Bolsonaro fez comparações entre seu governo e o do petista. As declarações foram feitas na transmissão ao vivo semanal de Bolsonaro (veja o vídeo no final da matéria).

“Se o Lula voltar pelo voto direto, pelo voto auditável, tudo bem. Agora, veja qual vai ser o futuro do Brasil com o tipo de gente que ele vai trazer para dentro da Presidência”, disse o presidente em live na internet.

Bolsonaro ressalta que “no último ano” o país não quebrou. Assim, ele afirma que não quer se intitular “faxineiro do Brasil”, mas alguém que vai resolver os problemas do país.

“Querem criticar meu governo, fiquem à vontade, mas puxem um pouquinho pela memória para ver como era no passado”, afirmou Bolsonaro.

2022

Ademais, o presidente criticou o petista, lembrando que quem for eleito em 2022 terá que escolher mais dois nomes para a corte. Bolsonaro trabalha na escolha de seu segundo ministro para o STF.

“Se o Lula for eleito, em março de 2023, ele vai escolher mais dois ministros para o Supremo Tribunal Federal”, disse ele.

O presidente já esperava que o STF iria anular as condenações de Lula. No início de março, quando o ministro Edson Fachin tornou o petista elegível, assessores jurídicos informaram Bolsonaro que a decisão tinha respaldo da maioria dos integrantes da corte, e que o plenário deveria confirmá-la.

Com uma possível candidatura do ex-presidente em 2022, a aposta no Palácio do Planalto é que a eleição novamente será polarizada entre a direita e a esquerda. Neste cenário, não haveria espaço para o crescimento de nomes de centro.

Conforme a avaliação, a polarização permite que Bolsonaro dispute em um cenário onde ele está mais familiarizado: que é por meio da adoção de um discurso de de crítica a bandeiras progressistas e defesa da pauta de costumes.

Em uma possível campanha contra um candidato de centro, assessores palacianos dizem que o presidente teria que moderar seu discurso político para ter mais chances de avanço sobre eleitores que o apoiaram na última eleição. Estes sendo os lavajatistas e liberais.

Entretanto, deputados governistas afirmam que uma polarização significa um cenário mais difícil a Bolsonaro em segundo turno. Eles apontam para a diferença entre enfrentar um candidato como o ex-prefeito de São Paulo Fernando Haddad e ser adversário de Lula, que conta com “recall eleitoral”.

Retórica anticorrupção e Covid-19

Ainda durante o julgamento desta quinta-feira (15), auxiliares do presidente ressaltaram que, a partir de agora, ele vai intensificar o embate com o PT em sua retórica, focando acima de tudo na crítica a escândalos de corrupção.

Aliados do governo defendem a ideia de que Bolsonaro ressalte que a volta de Lula significa a volta da impunidade e aponte que a atual gestão não está envolvida em denúncias de irregularidades, apesar das acusações contra o senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ).

Conforme a aposta, o discurso anticorrupção que foi adotado pelo presidente na disputa eleitoral de 2018 ainda encontra apoio junto a um eleitorado de centro. Este, mesmo insatisfeito com Bolsonaro, poderia votar no presidente devido a rejeição aos governos do PT.

Entretanto, o entorno de Bolsonaro lembra que um apoio por meio da retórica anticorrupção corre riscos diante da visão ruim que muitos têm quanto a atual gestão no combate à pandemia do novo coronavírus. A CPI da Covid deve ser instalada na próxima semana pelo Senado e, em caso de resultados negativos, poderia abalar a popularidade do presidente para 2022.

Impeachment

Ademais, na live de quinta-feira, Bolsonaro também comentou a decisão da ministra Cármen Lúcia, do STF, de, numa medida de praxe, estabelecer prazo de cinco dias para que o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), explique sobre a não-abertura dos mais de 100 processos de impeachment do presidente que estão na Casa.

“Só Deus me tira da cadeira presidencial, E me tira, obviamente, tirando a minha vida. Fora isso, o que nós estamos vendo acontecer no Brasil não vai se concretizar, mas não vai mesmo. Não vai mesmo, tá ok?”, disse Bolsonaro logo no início da transmissão ao vivo.

“Boa noite. Fique tranquilo que eu vou dormir tranquilíssimo esta noite e vamos ver o desenrolar desta notícia aqui do nosso Supremo Tribunal Federal”, disse o presidente ao retomar o assunto, já no final da live.

Fonte: Da Redação Namidia News com informações de Folha de S. Paulo

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