Polícias Civil e Militar e bombeiros decretam greve no Rio

Cerca de três mil policiais e bombeiros decidiram decretar greve no Rio, em assembleia realizada no fim da noite desta quinta-feira, na Cinelândia, no Centro. A paralisação é para pressionar o governo do estado a conceder uma correção salarial maior e ampliar o pagamento de benefícios. As categorias — que juntas reúnem 70 mil homens — pedem ainda uma reunião com o governador Sérgio Cabral e a libertação do cabo Benevenuto Daciolo, do Corpo de Bombeiros, que foi preso na quarta-feira, acusado de incitação à greve e motim. Na quinta, a Justiça negou o pedido de habeas corpus para o líder do movimento.

Os sindicalistas informaram que vão manter 30% do efetivo trabalhando, para casos de emergência, como homicídios, remoção de cadáveres, assaltos e flagrantes. Eles ainda prometem levar os familiares para os quartéis.

— A partir de agora, a segurança é de responsabilidade da Guarda Nacional ou do Exército — disse o cabo da PM Wellington Machado, do 22 BPM (Maré), ao microfone.

Reivindicações

Os servidores querem uma jornada de trabalho de 40 horas semanais, além de aumento do menor soldo para R$ 3.500, pagamento de horas extras e vale-transporte de R$ 350. Até a tarde de ontem, Cabral estava irredutível em negociar com os líderes do movimento:

— Nosso governo está sempre aberto ao diálogo, mas com as entidades, não com os ditos líderes, que ficam indo até para outros estados para incentivar a balbúrdia e a agitação.

Se o movimento ganhar uma maior adesão hoje, o Exército poderá colocar 14 mil homens à disposição do governo, como informou o Comando Militar do Leste (CML), numa reunião na qual foram acertados detalhes para o plano de emergência que pretende garantir a segurança no carnaval. A Brigada Paraquedista também já está de prontidão.

Segundo o comandante-geral do Corpo de Bombeiros, coronel Sérgio Simões, 300 policiais da Força Nacional poderão reforçar a corporação, que tem um efetivo reserva de 700 homens em treinamento. Além disso, há mais dois mil bombeiros de setores administrativos.

O secretário estadual de Segurança Pública do Rio, José Mariano Beltrame, afirmou, após uma reunião com o presidente do Senado, José Sarney, em Brasília (DF), que a segurança no carnaval fluminense está “garantida”:

— Nós temos um protocolo de segurança desde os Jogos Panamericanos. Ele está sendo apresentado neste momento ao Comando Militar do Leste, e todas as instituições que estão ligadas direta ou indiretamente à Segurança Pública do Rio estão lá. O foco é o interesse público e a manutenção da paz .

Apelo ao governo

Mais cedo, o presidente da Associação de Oficiais Militares do Estado do Rio, coronel Fernando Belo, afirmou que o reajuste salarial aprovado na quinta de manhã pela Assembleia Legislativa do Rio — de 39% — “ainda não é o suficiente”.

— Fazemos um apelo ao governo para que olhe com mais carinho, com mais responsabilidade essa questão salarial.

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