Uma nova polêmica tomou conta das ruas de Porto Seguro: a instalação de uma placa publicitária de grande porte de uma rede de farmácias reacendeu o debate sobre os impactos desse tipo de equipamento na paisagem urbana e cultural do município.
O que está em jogo?
Porto Seguro é um dos principais destinos turísticos do Brasil e possui áreas tombadas pelo IPHAN, incluindo o centro histórico e a orla marítima. Esses espaços carregam não apenas valor arquitetônico, mas também simbólico, ligado à memória coletiva e à identidade cultural do território.
De acordo com especialistas, a presença de outdoors e engenhos publicitários de grande porte em áreas sensíveis como essas pode gerar uma série de problemas:
Descaracterização da ambiência histórica: os elementos visuais destoam da paisagem tombada, comprometendo a harmonia estética e a leitura dos bens coloniais.
Obstrução de vistas e perspectivas: placas gigantes ocultam o casario histórico, monumentos e a relação entre patrimônio edificado e natureza.
Poluição visual e perda de identidade: o excesso de propaganda mercadológica banaliza o espaço urbano e dilui sua identidade cultural.
Incompatibilidade legal: normas municipais e federais (como as do IPHAN) restringem a instalação de engenhos publicitários em áreas protegidas.
Impacto sociocultural: a descaracterização da paisagem prejudica não só o turismo, mas também a relação da comunidade com seu patrimônio.
O que diz a lei
O Plano Diretor de Desenvolvimento Urbano de Porto Seguro e as normas do IPHAN deixam claro: a instalação de engenhos publicitários deve ser controlada e, em áreas de preservação, limitada a dimensões reduzidas e compatíveis com o contexto histórico e paisagístico.
Na prática, outdoors e placas de grande porte não são permitidos na orla e em zonas de proteção cultural.
Tradição x Interesses comerciais
Enquanto comerciantes defendem a visibilidade para seus negócios, moradores, urbanistas e defensores do patrimônio cultural alertam para o risco de Porto Seguro perder parte de sua autenticidade e charme histórico.
A polêmica da placa da farmácia é apenas o exemplo mais recente de um conflito antigo entre preservação e exploração comercial em uma cidade que precisa equilibrar turismo, desenvolvimento e proteção cultural.