“Mais forte do Brasil” tem apagão de atleta e superação de campeão após doença inusitada

Em tempos de popularidade do MMA, um evento no último final de semana em Peruíbe apresentou para o público presente um outro tipo de atleta que trabalha atrás do limite de força. O “Homem mais forte do Brasil” ofereceu aos novatos neste universo uma nova perspectiva de espetáculo que mescla um entretenimento popular e participantes impressionando na última linha de performance de seus corpos.

Eles não são propriamente os “gladiadores do 3º milênio”, como os ídolos do UFC recentemente passaram a ser tratados. Até porque os gigantes do “Mais forte” não estão exatamente focados em desfigurar um oponente, mas sim em encarar missões de força e resistência de execução “solo”.

O campeão do torneio na categoria absoluto (acima dos 100 kg) foi Marcos Mohai, que superou uma doença inusitada nas pernas e 30 dias de cama para conquistar o tetracampeonato de strongman, como a modalidade é internacionalmente conhecida. Convidado para participar do festival de esportes de força de Arnold Schwarzenegger nos EUA, em março, o atleta de Peruíbe sofreu com as consequências de uma inflamação de artérias nas vésperas do evento.

“Sofri com isso nas provas. Foi meu desempenho mais baixo num evento como este”, disse Mohai. “Fiquei 30 dias totalmente paralisado na cama, fazendo minhas necessidades em um pinico. Mas Deus colocou a mão e eu consegui estar aqui”, comemorou no topo do pódio, falando da exigência da competição e da responsabilidade como idealizador do evento.

Ao longo da programação de provas, vários atletas acusaram o desgaste do flerte com o limite de seus corpos. O próprio campeão Mohai foi ao chão e precisou do balão de oxigênio na recuperação após prova em que caminhou com uma cangalha de 400 kg nas costas, seguido de trecho com uma pedra de 170 kg entre braços e tronco. Outros de seus competidores cambalearam ou foram ao chão.

O maior susto do sábado em Peruíbe se deu com Nilson do Prado. O atleta da equipe de Mogi das Cruzes apagou depois da prova em que o competidor precisa tombar um carro e encarar uma série de viradas com um pneu gigante. Com o atleta deitado no chão, o ambiente do campeonato foi tomado por um clima de apreensão e de semblantes preocupados. No entanto, a rápida atuação da equipe médica fez o gigante levantar e o show continuar.

“Nunca tinha passado por isso, mas foi só um susto”, afirmou Nilson, já sorridente de novo, minutos após a queda.

Para a visão leiga, as cenas do homem em seu limite quando exposto a tarefas dignas de um Hércules grego podem impressionar. No entanto, os atletas do strongman dizem trabalhar as consequências de sua atuação com naturalidade. Terceiro colocado na categoria absoluto, Marcos Ferrari ensaiou desabar no chão durante a prova das pedras de concreto. Ao final do evento o competidor de Mogi das Cruzes abordou a questão de forma didática, citando o recurso de controle de respiração.

“Naquele momento, tive que apoiar a bola no meu peito para tentar erguê-la acima do meu corpo. Tenho 1,75 m, e a plataforma estava acima disso. Acabei ficando sem ar”, relata Ferrari. “Mas a apneia faz parte de algumas provas. Às vezes você precisa segurar a respiração para executar certos movimentos”, explica.

O evento de Peruíbe teve caráter nacional, com a presença do gaúcho Rafael Crestani, como um dos exemplos. Destaque no país do cenário de powerlifting (levantamento de peso), o gigante de 1,84 m e 134 kg estreou em eventos do gênero para testar a reação de seu corpo e com a meta de iniciar um caminho na modalidade.

“Não conhecia muito as provas, vi algumas pela internet. Quero me profissionalizar nostrongman, passar a competir”, afirmou Rafael, que se saiu bem em provas semelhantes a sua rotina de levantamento, mas acusou dores nas costas em tarefas que exigiam desempenhos mais versáteis.

Após o espetáculo de força de Peruíbe, a expectativa é de que o próximo evento do “Homem mais forte do Brasil” ligado à UBSM (União Brasileira de Strongman) aconteça em junho no Rio de Janeiro.

COMO FORAM AS PROVAS DO “MAIS FORTE DO BRASIL”*

Atlas stone (ou levantamento de pedras)
Atletas precisam erguer cinco pedras de cimento, de pesos diferentes (de 150 kg a 220 kg), em uma plataforma em forma de escada. A tarefa é executada de forma decrescente, ou seja: a pedra mais leve é erguida até o patamar mais alto, enquanto que a mais pesada é posicionada sobre o degrau inferior.
Arrastamento de carreta
Competidores arrastam uma carreta por uma distância pré-determinada. Os atletas usam um colete e utilizam uma corda esticada para facilitar a execução através das mãos. Em Peruíbe, a carreta teve um guincho acoplado em sua parte traseira, com peso total de pouco mais de 22 toneladas.
Arremesso de toneis
Disputada a céu aberto em Peruíbe, a prova propunha o desafio de arremessar cinco toneis de cerveja de 15 quilos acima de uma trave de 5 metros. Tudo isso em um intervalo de tempo estipulado.
Medley: tombamento de carro e pneu gigante
Nesta prova, os competidores devem tombar um carro de 750 kg, adaptado sem a presença de motor dentro da carcaça. Depois, precisam virar um pneu de 450 kg, cinco vezes seguidas.
Segundo medley: caminhada com cangalha e pedra
Os atletas encaram um percurso caminhando com uma armação sobre as costas, munida de pesos que totalizam 400 kg. No trecho de volta, transportam uma pedra de 170 kg, em forma de caixão.
*regras da categoria absoluto 

UOL

Comente com Facebook