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Moraes Moreira fez cordel inspirado no coronavírus: ‘Zelo por minha vida’

Moraes Moreira que faleceu às 6h da manhã desta segunda (13), no seu apartamento, na zona sul do Rio de Janeiro, aos 72 anos.

A morte que foi confirmada pelo amigo, o cantor e compositor Paulinho Boca de Cantor, foi o responsável por repassar a antigos companheiros de Moraes, como Pepeu Gomes e Baby do Brasil, parceiros no grupo Novos Baianos, conjunto musical brasileiro, nascido na Bahia, ativo em seu auge entre os anos de 1969 e 1979.

Quatro dias antes de morrer, o cantor e compositor Moraes Moreira concedeu a última entrevista à Revista E, do Sesc São Paulo. Para a edição de maio.

Tá chato demais esse negócio de quarentena… Insuportável”, disse.

Vivendo a quarentena em sua casa, na Gávea, Zona Sul do Rio, o cantor e compositor, teve um surto criativo numa madrugada em março e despejou, de uma só vez, o texto do cordel “Coronavírus“. Que faria parte de um livro de cordel e poesias.

— Minha arma é minha caneta — diz Moraes.

Leia abaixo o texto do artista na íntegra:

‘Coronavirus’, por Moraes Moreira

 Eu temo o coronavírus
E zelo por minha vida
Mas tenho medo de tiros
Também de bala perdida,
A nossa fé é a vacina
O professor que me ensina
É a minha própria lida
 Assombra-me a pandemia
Que agora domina o mundo
Mas tenho uma garantia
Não sou nenhum vagabundo,
Porque todo cidadão
Merece mais atenção
O sentimento é profundo
Eu não queria essa praga
Que não é mais do Egito
Não quero que ela traga
O mal que sempre eu evito,
Os males não são eternos
Pois os recursos modernos
Estão aí, acredito
De quem será esse lucro
Ou mesmo essa teoria?
Detesto falar de estupro
Eu gosto é de poesia,
Mas creio na consciência
E digo não à violência
Toda noite e todo dia
Eu tenho medo do excesso
Que seja em qualquer sentido
Mas também do retrocesso
Que por aí escondido,
Às vezes é que notamos
Passar o que já passamos
Jamais será esquecido
Até aceito a Polícia
Mas quando muda de letra
E se transforma em milícia
Odeio essa mutreta,
Pra combater o que alarma
Só tenho mesmo uma arma
Que é a minha caneta
 Com tanta coisa inda cismo…
Estão na ordem do dia
Eu digo não ao machismo
Também à misoginia,
Tem outros que eu não aceito
É o tal do preconceito
E as sombras da hipocrisia
As coisas já foram postas
Mas prevalecem os reles
Queremos sim ter respostas
Sobre as nossas Marielles,
Em meio a um mundo efêmero
Não é só questão de gênero
Nem de homens ou mulheres
O que vale é o ser humano
E sua dignidade
Vivemos num mundo insano
Queremos mais liberdade,
Pra que tudo isso mude
Certeza, ninguém se ilude
Não tem tempo, nem idade

Fonte: Agência O Globo e Redação Namidia News

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