Mãe de santo faz atendimento a menor de idade e avó da menina insulta Umbandistas em Porto Seguro

A mãe de santo Mãe Gilmara, conhecida como mãe Gil, dirigente espiritual do Terreiro de Umbanda Ogum Beira Mar e Caboclo 7 Flechas, na BR-367, na cidade de Porto Seguro, diz ter sofrido intolerância religiosa, por parte de uma pastora evangélica moradora do bairro Cambolo.

Segundo relato da mãe de santo ao Namidia, a neta da pastora que é menor de idade, buscou o terreiro para cura de ansiedade e outros problemas graves de saúde, o terreiro é conhecido por trabalhos de cura espiritual e a jovem foi em busca de sua cura.
Ao tomar conhecimento de que a neta havia ido ao terreiro, a avó da menor, pastora evangélica, foi até o local, passou pela portaria do condomínio, e proferiu xingamentos e injúrias racistas contra jovens do terreiro que estavam no local. Um destes jovens é menor, conhece a acusada e segundo o jovem, em outras situações, já foi vítima de agressão e racismo proferido por essa senhora.

Ainda segundo relatos de Mãe Gil, a pastora teria ameaçado invadir o terreiro, disse que iria acabar com a “bagunça” e xingou o menor de “vagabundos”, “desocupados”, “macumbeiros”.
Mãe Gil ressaltou ainda, que terreiro é espaço de utilidade pública, aberto à população de Porto Seguro e região, tem recebido jovens em situação de vulnerabilidade social e aos poucos, eles se encantam com a religião e a musicalidade do terreiro, por esse motivo, ela não poderia impedir a entrada da jovem, no horário da cerimônia que vai de 16:30 h à 20:30h, não havendo necessidade de autorização para o acesso. Já no caso dos jovens que fazem parte do terreiro, estes sim, têm a autorização dos pais e responsáveis para participar das atividades do centro religioso.

O caso foi parar na delegacia de polícia, no dia 17/02, sendo registrado o boletim de ocorrência e agora cabe a justiça definir o desfecho desse caso.

De acordo com a lei nº 9.459, a prática de discriminação contra religiões, é crime. Ela alterou os artigos 1 e 20 da Lei nº 7.716, que trata do crime de racismo. A alteração especificou que é crime “praticar, induzir ou incitar a discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional” e que “serão punidos, na forma desta Lei, os crimes resultantes de discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional”.

A pena é de 2 a 5 anos de reclusão.

Por outro lado, a educação religiosa da criança e do adolescente é de total responsabilidade dos pais/mães ou responsáveis. Não há nenhuma legislação que proíba a presença dos mesmos em rituais religiosos, mas há de se ter cautela e para isso, sugere-se a autorização por escrita dos pais ou responsáveis.

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