Mulher estava na casa incendiada por marido; Ela perdeu 4 filhos e um neto.
Crime aconteceu janeiro deste ano, em Feira de Santana, na Bahia.
A mulher do suspeito de atear fogo na própria família dentro da casa onde moravam em Feira de Santana, e que também foi atingida pelas chamas, foi liberada do Hospital Geral do Estado (HGE), em Salvador, para ir ao enterro dos quatro filhos e de um neto, vítimas da tragédia. Os sepultamentos ocorreram em Feira de Santana, a cerca de 100 km da capital, na tarde desta terça-feira (28) por familiares das vítimas.
Os corpos das cinco vítimas foram liberados pelo Departamento de Polícia Técnica (DPT) na manhã desta terça. Cristina de Jesus Moura, 37 anos, e a filha de 4 anos foram as únicas sobreviventes da tragédia. A mulher chegou ao cemitério São Jorge em uma cadeira de rodas. Ela possui marcas de queimaduras nos braços. Muito emocionada, Cristina foi amparada por amigos e familiares.
Em contato com o G1, familiares da vítima disseram que ela foi internada no HGE logo após o crime e que ainda não recebeu alta e deve voltar à unidade de saúde ainda nesta terça-feira. A Secretaria da Saúde do Estado (Sesab) afirmou que não passa informações sobre pacientes, mas informou que a liberação de uma pessoa assistida nas unidades de saúde pode ocorrer, conforme solicitação do paciente mediante a assinatura de um termo de responsabilidade.
“Ela veio para o enterro, mas vai voltar para o hospital. Ela já come, se movimenta e passa bem, mas está abalada. A família toda está tentando ajudar, ficando no hospital, até minha ex-cunhada está com ela, mas foi uma situação que vai precisar de tempo para a gente se recuperar”, relatou Iraildes de Moura, irmã da vítima.
Uma das filhas de Cristina, que também sobreviveu ao ataque, recebeu alta no último final de semana. Conforme Iraildes, a criança está com a pele cicatrizada e passa bem.
‘Não tinha motivo’
Gilson Jesus Moura, 49 anos, assumiu o crime, mas disse que não tinha motivo para cometé-lo. Ele foi preso em Feira de Santana, dois dias depois do ocorrido, quando tentava pegar um transporte alternativo para outra cidade. Conforme a polícia o homem permanece detido.
“Eu não tinha motivo nenhum para fazer isso porque eu estava super bem com minha família, meus filhos me adoravam. Eu era o tempo todo com minha filha menor no colo, abraçando meus filhos o tempo inteiro”, disse Gilson após ser preso.
Crime
Um bebê, duas crianças e dois adolescentes morreram após o incêndio na casa onde moravam, no bairro de Mangabeira, em Feira de Santana, na madrugada do dia 4 de janeiro.
Além dos cinco mortos, outras duas pessoas ficaram feridas, uma mulher de 37 anos, mãe das vítimas, e outra criança, de três anos. Elas foram resgatadas por vizinhos, que arrombaram a porta ao perceberem o incêndio.
A mulher de Gilson, Cristina de Jesus Moura, prestou depoimento à polícia no hospital e confirmou que o marido foi o responsável por colocar fogo na casa onde a família dormia. A polícia confirmou ainda que os dois viviam uma relação incestuosa, já que eram irmãos por parte de mãe.
Drama
Vizinhos que ajudaram a socorrer as vítimas de dentro da casa incendiada lembraram o desespero da mãe e da criança, que foram as únicas sobreviventes.
“A criança falava ‘socorro tia, não me deixa morrer, cadê a minha mãe?’. E a mãe dizia: ‘salve meus filhos, por favor, salve meus filhos'”, conta Edilene de Jesus, vizinha da família que ajudou no socorro às vítimas.
Uma testemunha informou para polícia que o Gilson havia se desentendido com Cristina, por ciúme, durante a festa de réveillon. O galão utilizado no crime foi apreendido e encaminhado para perícia no Departamento de Polícia Técnica (DPT).
A polícia ouviu vizinhos do casal, que vivia junto há 15 anos. As testemunhas relataram que eles não costumavam brigar, e que o suspeito era um pai carinhoso. “Ele era uma pessoa muito boa para todos nós, inclusive para família e para ela. Ele falava sempre que amava ela”, conta Roberto Santana, vizinhos da família.





