Presidente mexicano diz que gostaria de desfazer o exército do país

O presidente do México, Andrés Manuel López Obrador, em um evento no dia 20 de junho. — Foto: Carlos Jasso/Reuter

O presidente do México, Andrés Manuel López Obrador, afirmou nesta segunda-feira (01/07) que gostaria de desfazer o exército do país e colocar a segurança nacional nas mãos da nova força policial militarizada, a Guarda Nacional. Ele próprio, entretanto, reconheceu que a proposta não deve acontecer.

López Obrador inaugurou oficialmente a Guarda Nacional mexicana neste domingo (30), segundo a agência de notícias Reuters.

“Se dependesse de mim, eu iria me livrar do exército, transformá-lo na Guarda Nacional, declarar que o México é um país pacifista que não precisa de um exército e que a defesa da nação, se necessária, seria feita por todos”, disse o presidente, em entrevista a um jornal mexicano.

Ele reconheceu os desafios políticos para a eliminação das forças armadas, acrescentando: “Não posso fazê-lo porque há resistência. Uma coisa é o que é desejável, e outra é o que é possível”.

A criação da Guarda Nacional, lançada com 70 mil membros e que López Obrador pretende aumentar para 150 mil unidades em todo o México, levantou preocupações sobre a militarização da aplicação da lei no país.

O presidente mexicano já utilizou as forças, criadas por uma mudança constitucional, para patrulhar as fronteiras norte e sul do país em resposta às exigências do presidente dos EUA, Donald Trump, de que o México faça mais para conter o fluxo de migrantes.

A Guarda Nacional foi montada rapidamente, recorrendo a membros das forças armadas e da polícia federal — que, muitas vezes, foram implicados em abusos durante esforços para diminuir a violência das gangues. López Obrador também reconheceu a importância de conter tais abusos.

O desafio que o governo mexicano enfrenta, disse o presidente, é “que os direitos humanos sejam respeitados e que haja uma conduta diferente na Guarda Nacional, composta de soldados e marinheiros”.

Apenas alguns países do mundo aboliram os exércitos permanentes, entre eles a Costa Rica e o Panamá. O exército mexicano, tradicionalmente, manteve-se à margem do conflito internacional, mas tem sido destacado para combater gangues de drogas desde 2007.

Fonte: G1

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