Igrejas brasileiras são atacadas durante protestos no Níger

RTEmagicC_niger.jpgA onda de ataques no Níger (norte da África) contra a charge de Maomé na última edição do jornal francês Charlie Hebdo destruiu dois templos da Igreja Presbiteriana Viva, que é sediada em Volta Redonda (Rio de Janeiro). Outras duas igrejas e uma escola sob o comando de missionários do Brasil, que pertencem a uma ONG protestante, também foram atingidas, segundo relato feito ao jornal Folha de S. Paulo por  brasileiros que moram na na capital, Niamey.

A comunidade brasileira no Níger – estima-se que seja de pelo menos 32 pessoas – foi orientada pelo Itamaraty a não sair de casa por causa dos protestos, que buscam símbolos cristãos e locais vinculados a franceses. A  Embaixada do Brasil no vizinho Benin, responsável pela diplomacia no Níger, avalia retirá-los do país se a situação se agravar.

Informações preliminares apontam a possibilidade de que o grupo extremista Boko Haram, da vizinha Nigéria, esteja ligado aos protestos. A Igreja Presbiteriana Viva divulgou, na tarde de ontem, nota em que afirma que os religiosos e suas famílias que mantém no país africano estão protegidos.

Segundo o texto, a IPV resolveu não divulgar o nome de nenhum de seus integrantes  para preservar a sua segurança. “Temos acompanhado pela TV e internet a cobertura dos protestos em Niamey contra a charge do profeta Maomé publicada pela revista satírica francesa Charlie Hebdo.
Esses protestos deixaram pelo menos sete Igrejas incendiadas no sábado, 17 de janeiro. Dessas sete, duas foram igrejas nossas que nasceram naquela região nos últimos anos.

Segundo a nota, a comunicação direta com os pastores no local tem sido restrita ao coordenador dos trabalhos na África. “Sabemos que muitas notícias equivocadas podem surgir neste momento tão delicado, por isso, queremos esclarecer e afirmar que os pastores e suas equipes e famílias estão bem e reunidos em segurança”, diz o texto.

A instituição religiosa foi criada em 1993. Segundo seu site, tem representações em pelo menos 13 estados brasileiros e em cinco países, além do Brasil e do Níger: Equador, Argentina, Bolívia, Portugal e Espanha. Pelo menos dez pessoas morreram durante os protestos.

Durante dois dias, os manifestantes incendiaram igrejas, destruíram bares e bloquearam várias estradas do país. Os atos de violência fazem parte de uma onda de protestos contra os franceses que varreu parte da África, Oriente Médio e Ásia.

 

Correio

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