Funcionário do Facebook nos EUA se demitiu por causa de live de Bolsonaro, diz revista

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(Foto: Jaap Arriens/NurPhoto/Getty Images)

Um especialista em segurança digital pediu demissão do Facebook após a empresa decidir manter no ar uma live do presidente Jair Bolsonaro, de acordo com uma reportagem da revista “New Yorker” publicada na última segunda-feira (12).

Na transmissão pelo Facebook realizada em janeiro, Bolsonaro afirmou que, “cada vez mais, o índio é um ser humano igual a nós”.

Conforme a reportagem, o engenheiro de segurança digital David Thiel trabalhava na sede da rede social em Menlo Park, Califórnia. Ele questionou internamente se a plataforma removeria o conteúdo por supostamente ter violado as regras sobre discursos “violentos ou degradantes”.

Assim, o Facebook encaminhou sua pergunta para dois especialistas em moderação, um em Brasília e outro em Dublin, na Irlanda. Estes decidiram que o vídeo não feriu as diretrizes.

O especialista no Brasil, que não teve a identidade revelada, teria respondido que Bolsonaro “é conhecido por seus discursos politicamente incorretos”.

“Ele está, na verdade, se referindo aos indígenas se tornando mais integrados à sociedade (em vez de isolados em suas próprias tribos)”, teria dito o moderador.

A revista conta que Thiel não concordou e viu conflito de interesses, apontando que o moderador “trabalhou para pelo menos um político pró-Bolsonaro”. Além disso, o engenheiro também disse que o próprio Facebook era suspeito, por incentivar Bolsonaro a utilizar a plataforma.

“É estranho para uma empresa passar de uma postura de ‘por favor, senhor, use nosso produto’ para ‘na verdade, senhor, agora você tem problemas por usar nosso produto'”, disse à revista.

Reunião e demissão

Posteriormente, ele marcou uma reunião com o time de moderação e criou uma apresentação com 15 slides com a ajuda de alguns colegas para convencer a equipe que Bolsonaro teria violado as regras do Facebook.

Um dos slides apontava para um discurso em que Mark Zuckerberg, presidente executivo da rede social. Nele, Mark afirmava que declarações “desumanizantes” são o primeiro passo para a incitação da violência.

A equipe de moderação discordou e, segundo Thiel, interrompeu seus argumentos e questionou sua credibilidade. Em março, dois meses depois da live de Bolsonaro, Thiel se demitiu.

“O Facebook está hoje cada vez mais alinhado com os ricos e poderosos, permitindo que eles sigam regras diferentes”, escreveu o engenheiro na plataforma interna da rede social no dia de sua saída.

Thiel contou para a revista que, pouco depois dessa publicação, o time de moderação entrou em contato a fim de dizer que mudou de ideia sobre o discurso do Bolsonaro. O vídeo, no entanto, permanece no ar.

“Eu não sabia se estavam tentando fazer com que eu não saísse, ou que saísse em condições melhores, ou outra coisa”, disse ele. “De qualquer forma, era tarde demais”.

Atualmente, Thiel é diretor técnico do Observatório da Internet da Universidade de Stanford.

O Facebook afirmou que proíbe o discurso de ódio dentro da plataforma.

“Aplicamos nossas regras de conteúdo globalmente, independentemente da posição ou afiliação política de quem publicou. Sabemos que temos mais a fazer, mas estamos progredindo na forma como aplicamos nossas regras”, disse a empresa, em nota.

Fonte: Da Redação Namidia News com informações de The New Yorker e G1

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