O Território Quilombola de Batateira, localizado na Ilha de Tinharé, no município de Cairu, no Baixo Sul da Bahia, teve o Relatório Técnico de Identificação e Delimitação (RTID) publicado pelo Incra na Bahia, na quarta-feira (28), no Diário Oficial da União (DOU).
O documento beneficia 30 famílias e demarca 3,8 mil hectares de terras. O RTID é a fase mais complexa para o cumprimento da titulação comunitária dos territórios quilombolas. O relatório reúne peças técnicas, relatório antropológico, plantas com delimitação do território e aborda aspectos, agronômicos, ambientais, fundiário e geográfico.
De acordo com o antropólogo do Serviço de Regularização de Territórios Quilombolas do Incra/BA, Claudivan Soares, o relatório é o primeiro passo para garantir a produção extrativista e agrícola e o acesso das famílias a áreas estratégicas para a pesca e mariscagem.
Histórico
A comunidade de Batateira começou a se formar na Ilha de Tinharé no final do Séc. XIX quando o casal Clementina dos Santos (D. Quili) e João Mendes foi para a Fazenda Pimenteira, com o objetivo de trabalhar na extração de piaçava e dendê.
Com isso, parentes acompanharam o casal migrando para a fazenda. Soares conta que a narrativa das famílias é de que o proprietário da fazenda Pimenteira tenha se casado com uma quilombola que havia se estabelecido pelo no local. Ele se desfez do imóvel rural doando ou vendendo a preços baixos aos ascendentes dos atuais quilombolas.
Produção
As famílias remanescentes de quilombo de Batateira desenvolvem a atividade extrativista do dendê e da piaçava por séculos. Outra importante atividade é a pesca e a mariscagem. O excedente da produção é comercializado no em feiras no município de Valença e no povoado Guarapuá. A agricultura praticada é de subsistência.


