Francisco Machado morreu um ano depois de modificar o fusca.
Irmãos do mecânico dizem que carro é inegociável.

“O carro ficou com a gente de herança. É a lembrança mais viva e presente que a gente tem dele. E ninguém vende nem troca. É inegociável”, diz Ismael. Segundo ele, Francisco fez a maior parte do trabalho sozinho. “Ele conhecia de engenharia elétrica e de mecânica. Tinha conhecimento empírico. Mas foi o Senai que deu toda a base para ele”, relembra.
Embora as características originais tenham sido mantidas, algumas adaptações foram feitas para transformar o fusca em um carro único. As modificações custaram aproximadamente R$ 10 mil. Francisco trocou as rodas, mandou cortar o teto e deixou o carro com apenas dois lugares, diminuindo 60 centímetros do comprimento.
“Inicialmente a ideia era dar o carro de presente para a filha dele. Ele diminuiu o carro porque tinha medo que ela andasse com muita gente dentro do veículo”, conta Crispim.

Regularização
Mas os irmãos Machado não podem andar com o fusca normalmente pelas ruas. Por ter passado por modificações, o carro precisa ser regularizado. Ao procurar o Detran/AC, eles desanimaram. “Lá fomos informados que o carro tem que passar por uma perícia para receber um laudo por uma empresa de fora. Mas infelizmente a gente não está em condições de mandar esse veículo para lá”, lamenta.
Eudivon Montefusco, técnico do Registro Nacional de Veículos Automotores (Renavam) no Acre explica que o veículo que passou por um procedimento de transformação precisa ter o Certificado de Adequação ao Trânsito (CAT) para ser regularizado. “Um engenheiro mecânico faz o laudo e homologa junto ao Inmetro. Então é expedido o CAT e alterado o cadastro do veículo”, explica.
Ainda segundo Eudivon, este procedimento só poder ser realizado em Campinas, São Paulo, e no Paraná. “Poucas empresas possuem o selo do Inmetro para fornecer este certificado. A família Machado teria que se deslocar com este veículo para obter”, diz.
G1
Comente com Facebook