O vereador e atual presidente da Câmara de Vereadores de Porto Seguro, Dilmo Santiago, sempre governo, é uma figuraça. Só não é uma peça rara por que é mais um dos mesmos que adoram legislar em causa própria. Até aí nenhuma novidade.
De quebra, o ex-pescador e ex-marinheiro aprendeu desde cedo que remar contra a maré na Câmara de Vereadores é tarefa para os fortes. Aliás, para os muito fortes. O problema nem é tanto a malvada correnteza, mas sim o velho e dolorido cabo do remo, que é onde realmente as mãos doem e os calos apertam.
Por isso, Dilmo, sabido como ele só, sempre flutua de acordo com os ventos. Ora lá, ora cá, dizendo e desdizendo aquilo que fala com uma naturalidade de enrubescer qualquer cidadão de bem. Para cada público ou situação, um discurso e uma posição diferentes. Acredita nele quem quiser, é claro. Só não se sabe se ele aprendeu com a secretária Lívia Bittencourt a ser assim ou se ela aprendeu com ele,
De mais a mais, Dilmo, ao melhor estilo Centrão, para variar, não tem partido, nunca teve. Nem, é claro, jamais terá. Seu partido sempre foi e será o poder. Portanto, se tiver poder, lá estará Dilmo. Se hay poder, Dilmo tá colado! Afinal, pular de galho em galho é com ele mesmo.
DILMO E SEUS MIL AMORES
Tanto isso é verdade que ele já jurou fidelidade eterna à Jânio, isso entre 2004 e 2008, com quem brigou – e traiu feio – logo em seguida, vociferando cobras e lagartos contra o então ex-prefeito e amigo.
Em seguida, pulou nos braços de Abade, entre 2008 e 2012, sendo que de 2012 até 2020, após ter se aliado na oposição com Ubaldino e o ex-vereador Danilo Suprilar , aquele exemplo de santidade, e de ter feito graves denúncias contra a prefeita Cláudia Oliveira, dizendo-se profundamente arrependido, voltou atrás, pediu desculpas e fez juras de amor eterno à então gestora.
Mas bastou Jânio voltar em 2021, e o vereador simplesmente desdisse tudo o que disse e reacendeu novamente sua paixão eterna pelo atual prefeito, revelando-se no momento um dos seus mais fiéis escudeiros. Haja amor!
Qual será a sua próxima paixão política é que ainda não se sabe. Com o pescador e marinheiro Dilmo nada é previsível, tudo pode acontecer. Basta só mudar os ventos e a maré.
DA REALIDADE SOBRE A CASSAÇÃO DE VAN VAN E NIDO
Digo tudo isso em tom de pilhéria e brincadeira porque mais uma vez infelizmente não se pode levar a sério os ataques feitos pelo atual presidente à deputada Cláudia Oliveira, em relação à cassação dos vereadores Van Van e Nido, atribuindo à ex-gestora a culpa direta pela perda dos dois mandatos, sob a alegação, segundo ele, de que ela teria sido “incompetente”.
Mas, como bem já se sabe, aquilo que Dilmo diz não se escreve. Isso porque tal acusação simplesmente não procede, em momento algum.
Na verdade, ambos os vereadores se filiaram ao partido PSD por livre convencimento e opção pessoal, ambos sabendo da legislação eleitoral e dos riscos que corriam em caso de infração, tendo o vereador Nido, posteriormente, feito um acordo com a candidata Eliene do Carmo, mais conhecida por “Eliene do Táxi”, convencendo-a a retirar a sua candidatura para apoiá-lo, o que gerou a acusação de fraude eleitoral feita pela candidata e primeira suplente Priscilla Bittencourt.
Ou seja, a suposta fraude e burla à cota feminina que ocorreu no PSD, se deu após o período das filiações e decorreu do fato de Eliene ter retirado sua candidatura para se aliar a Nido, conforme ressaltou em seu voto a Ministra Carmén Lúcia. Simples assim. Ademais, a acusação, repita-se, foi feita pela suplente de Nido, o que originou a cassação dos dois edis.
Agora, de onde o vereador Dilmo tirou que a culpa e a “incompetência” pelas cassações é da ex-prefeita Cláudia Oliveira, que sequer foi candidata na última eleição, é que são elas. Vai entender o que se passa na cabeça do presidente.
Ah, Dilmo, pelo amor de Deus, fala sério! Só não vale tatuar o nome de Jânio Natal no peito e dizer que deita na cama pensando nele, como disse dia desses outro eterno apaixonado pelo poder!
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