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Estudo reforça ligação entre Covid-19 e doença rara em crianças

Criança com máscara cirúrgica

O novo coronavírus (Covid-19) está por trás de uma doença respiratória diagnosticada em crianças e adolescentes. Essa é a tese reforçada por um estudo publicado nesta quarta-feira (13) na revista científica The LancetO relatório detalha que, apenas na província italiana de Bergamo, 10 crianças foram internadas com sintomas similares aos da doença de Kawasaki. 

Embora não seja considerada a mesma enfermidade, a revista científica explica que a doença de Kawasaki é uma síndrome infantil rara. Dessa forma, seus sintomas iniciais causam irritação na pele e febre alta, podendo avançar para uma infecção generalizada dos vasos sanguíneos, gânglios linfáticos, pele e membranas mucosas, como a da boca. 

Se diagnosticada no início, a condição é facilmente tratável. Apesar disso, com o passar dos dias, a inflamação nos vasos sanguíneos pode prejudicar o fluxo de sangue. Assim, isso causa complicações cardíacas, sendo a mais extrema o infarto do miocárdio. 

Casos confirmados

A situação chamou a atenção de autoridades de saúde da Itália porque nos últimos cinco anos apenas 19 crianças da região haviam sido diagnosticadas com a síndrome. Já no período entre o dia 18 de fevereiro e 20 de abril deste ano, 10 casos foram confirmados, oito deles em jovens testados positivos para a Covid-19. 

Todas as crianças se recuperaram, mas os sintomas dos pacientes tratados durante a pandemia foram mais severos que os dos infectados nos últimos anos. Em relatório anterior, divulgado na última quinta-feira (7), a revista The Lancet também detalhou a situação em Londres em que oito crianças foram internadas com sintomas da doença.

Duas delas testaram positivo para a Covid-19, sendo que uma morreu. Pelo menos outras três aguardavam o resultado após serem expostas a familiares que tiveram o vírus. Nenhuma delas apresentava os típicos sintomas respiratórios que caracterizam a presença da doença.

Considerando a situação, os cientistas investigam se — e porque — crianças e adolescentes, até agora não considerados um grupo de risco do novo coronavírus, podem desenvolver a condição inflamatória mesmo assintomáticos para a descrição típica da doença. 

Situação preocupante

Assim como foi registrado na Itália, a The Lancet alerta que a situação é preocupante pelo grande número de casos em comparação com a estatística rotineira. As oito crianças na Inglaterra, por exemplo, foram internadas com choque hiper inflamatório em um período de 10 dias na segunda quinzena de abril — enquanto as estatísticas regulares variam entre uma ou duas ocorrências por semana. Todos os infectados no período estudado não tinham doenças pré-existentes. 

Até o momento, além de Itália e Reino Unido, os Estados Unidos também já se movimentaram contra a síndrome. O Centro de Controle e Prevenção de Doenças americano vai emitir um alerta aos médicos com informações e protocolos sobre a síndrome e sua relação com a Covid-19. O estado de Nova York já reportou 100 casos suspeitos para a doença em crianças que também testaram positivo para o novo coronavírus. 

Expansão da faixa etária

Duas crianças de 5 e 7 anos e um jovem de 18 morreram no estado por complicações da condição. Ela foi renomeada no país como “síndrome inflamatória multissistêmica pediátrica”.

Essas informações expandem a faixa etária de pessoas afetadas pela doença que, em estatísticas anteriores, atingia com mais severidade crianças abaixo dos 5 anos. Ainda no fim de abril, o Serviço Nacional de Saúde da Inglaterra também enviou um “alerta urgente” aos médicos. Assim, eles avisaram que casos da síndrome poderiam estar vinculados ao coronavírus.

O autor do estudo italiano sobre o assunto é o médico Lucio Verdoni, do Hospital Papa Giovanni XXIII. Ele pediu que pais fiquem atentos a possíveis sintomas dos filhos. “Apesar dessa complicação continuar sendo muito rara, nosso estudo oferece mais evidências de como o vírus pode estar afetando crianças. Pais devem seguir os conselhos médicos locais e procurar uma unidade de saúde imediatamente se seus filhos se sentirem mal. A maioria das crianças terá uma recuperação completa se receberem cuidados hospitalares apropriados.” 

Fonte: Da Redação Namidia News com informações de CNN

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