Nike vestirá o Brasil na Olimpíada de Londres

A Nike confirmou à Folha que vai vestir o Brasil na Olimpíada de Londres. E que, depois de adicionar Coritiba, Internacional, Bahia e Santos à sua lista de times patrocinados no país (que antes só tinha o Corinthians), continua a procurar contratos com outros clubes.

Quem diz isso é Trevor Edwards, vice-presidente de marcas da empresa americana, que lançou nesta semana em Nova York suas novidades para os Jogos.

Questionado pela Folha sobre o acordo com o COB (Comitê Olímpico Brasileiro), ele garantiu sem rodeios o acerto, que até então não era confirmado pelas partes. Segundo a Nike, o anúncio oficial ainda não foi feito por causa de trâmites burocráticos, que, de acordo com ela, logo serão resolvidos.

“O Brasil é uma nação esportiva, de grandes atletas. A ideia é aumentar nossa relação com mais atletas. A cultura esportiva brasileira é similar à da Nike. Ter uma relação com o comitê é fantástico para nós”, disse Edwards, cuja empresa já patrocina outros grandes comitês olímpicos nacionais, como o dos Estados Unidos.

Tanto o acerto com o COB como a procura por novos clubes têm como motivação, segundo a Nike, o boom da economia nacional. Edwards não diz quais são os próximos alvos da empresa, porém indica que a tendência é esperar por clubes que estejam no fim dos contratos com seus patrocinadores.

“Nesse negócio, os times ficam disponíveis em algum momento”, argumenta. A Nike aumenta seu investimento no esporte olímpico e em clubes de futebol no mesmo momento em que vê a seleção brasileira, ainda seu maior investimento no país, ocupar a pior posição no ranking da Fifa em quase 20 anos.

E, com a aposentadoria de Ronaldo e a decadência de Ronaldinho, não ter mais um astro global brasileiro sob contrato.

“Em todos os esportes e equipes acontece isso. Vocês [o Brasil] estão numa fase de transição de um time de grandes estrelas para uma equipe jovem. Eles precisam de experiência”, declara Edwards, que citou o santista Neymar como aposta da empresa.

No evento em Nova York, a imagem do atacante apareceu ao lado da de grandes patrocinados da Nike, como LeBron James, Manny Pacquiao e Rafael Nadal. Nada da imagem dos brasileiros que já foram referência para a empresa. Ronaldo, no entanto, continua nos planos mesmo depois de ter encerrado a carreira.

“Ronaldo é parte de nossa família. Ele ajudou a criar incríveis inovações. Ele continuará a trabalhar como nosso embaixador”, diz Edwards, que acha que o ex-corintiano pode ter no futebol o mesmo papel que Michael Jordan tem no basquete.

MERCADO NACIONAL É PRIORIDADE

O bom momento da economia brasileira colocou o país na lista de prioridades da Nike. De acordo com Trevor Edwards, o Brasil só fica atrás de EUA e China em termos de importância para a empresa no futuro.

Isso graças às taxas de crescimento dignas de tigres asiáticos nas vendas. Há cinco anos seguidos, elas aumentam na casa dos dois dígitos.

“Vamos criar mais oportunidades de negócios com a Copa e a Olimpíada. O Brasil ainda não é muito grande em faturamento, mas cresce muito rápido. O potencial é fantástico”.

A Nike cresce rápido no mercado brasileiro mesmo cobrando muito mais caro por seus produtos do que na maioria de outros mercados. Um tênis custa mais de US$ 300, enquanto o mesmo modelo nos EUA não chega a US$ 150.

“Gostaríamos de fazer nossos produtos mais acessíveis, mas eles têm inovações que justificam seu preço”, diz Edwards, que aponta os impostos como um dos motivos dos altos preços. Mas admite que esse não é o único fator.

O jornalista PAULO COBOS viaja a convite da Nike

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