Em época de Carnaval, até uma cervejinha pode virar lesão para o atleta-folião

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É Carnaval. Tempo de sambar e beber até altas horas da madrugada, certo? Não para os atletas, ainda mais aqueles que adoram desfilar pela avenida. O UOL Esporte consultou uma série de especialistas e descobriu que pular Carnaval aumenta o risco de lesão para profissionais do esporte. E a chance de se machucar aumenta ainda mais se, junto com a balada, vier também uma cervejinha.

“Em termos de desgaste físico, um desfile de escola de samba é pequeno comparado com um treino ou partida de futebol. O problema é a somatória de fatores. Não é só o momento em que ele está na avenida. Precisa ver quanto tempo antes do desfile ele chegou ao sambódromo, se ficou muito em pé, se bebeu, se dormiu. Essa somatória pode levar a um desgaste bem razoável e o jogador que passou por isso não estaria apto a um treinamento forte no dia seguinte”, diz o fisiologista Paulo Zogaibe, que trabalha com o Palmeiras.

“Sempre que um atleta passa por uma solicitação física, sofre sobrecarga muscular, ele precisa de tempo para recuperação. E isso ocorre tanto em um baile de carnaval, quanto após uma atividade esportiva. E se essa pessoa tiver de se expor a um treino no dia seguinte, vai estar mais vulnerável para lesões”, completa o também fisiologista Turíbio Leite de Barros.

A cervejinha, tradicional para os foliões comuns, é uma vilã cruel para o atleta que quiser cair na balada. Pode parecer exagero, mas o consumo de álcool pode gerar lesões em esportistas de alto nível. A razão para isso é simples: o álcool é diurético, desidrata o corpo e ainda sobrecarrega a função hepática, atrapalhando o fígado na regeneração muscular. “Se você somar esses processos causados pelo álcool ao desgaste físico do Carnaval, o baque é muito grande”, alerta Zogaibe.

Com tantos riscos, os clubes de futebol já sabem que precisam se precaver contra os perigos da folia. Uma das táticas é marcar treinamento para a manhã dos dias de Carnaval. “É claro que isso não evita que o atleta vá para a balada, mas inibe algumas coisas. Ele sabe que não pode extrapolar no horário e na ingestão de bebidas alcoólicas”, admite o coordenador de preparação física do Coritiba, Glydiston Ananias.

Quem exagera não consegue esconder o fator-balada. “Às vezes, um jogador não se preocupa com isso e é capaz de vir direto [da balada]. Mas a gente descobre, não tem jeito. Monitora os atletas, controla a frequência cardíaca média, a frequência de treinos. Com o GPS, faz a distância média e vê que ele foi pior que o grupo”, conta José Mario Campeiz, preparador físico do São Paulo.

* Com reportagem de João Carlos de Santa (PR), Marinho Saldanha (RS) e Renan Prates (SP)

UOL

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