Coronavírus: Registros e falta de autópsia indicam mais mortos do que índice oficial no Brasil


Em um período de 24 horas, a epidemia do coronavírus marcou um novo recorde de mortos no Brasil.

Foram 60 vítimas, atingindo um total de 359, de acordo com dados divulgados ontem pelo Ministério da Saúde.
Mais preocupante, no entanto, é o acúmulo de fatos e informações que indicam que esse número não reflete a totalidade de vítimas da doença covid-19.

O registro civil, documento factual, registra mais mortes suspeitas ou confirmadas para a doença. Há um número de óbitos em investigação, por atrasos em testes, que é maior do que a lista oficial. Há suspeitas que hospitais privados não estão notificando todos os casos.

O próprio Ministério da Saúde admite a falta de testes. Esses e outros cenários são mostrados abaixo.

Internações por insuficiência respiratória grave disparam.

O Brasil teve uma explosão de hospitalizações por insuficiência respiratória grave (SRAG), segundo dados do Ministério da Saúde. A 12ª semana epidemiológica que vai de 15 a 21 de março, teve 8.093 hospitalizações por SRAG, contra 1.061 no mesmo período do ano passado. Dessas, apenas 780 tiveram resultado positivo para covid-19.

Na 13ª semana, que foi de 23 a 29 de março, foram 7.216 hospitalizações, contra 1.123 em 2019. Ao todo, desde o início do ano, foram 25.675 hospitalizações por SRAG. Dessas, apenas 1.769 foram confirmadas para Covid-19, uma taxa de 7%. Embora seja comum o aumento de casos de síndrome respiratória grave no período do outono, devido ao tempo seco, este ano o pico foi mais cedo. “Na época do outono temos muito mais poeira no ar, então os sintomáticos respiratórios, pessoas com asma, bronquite, rinite ficam com a doença mais exacerbada e isso já aumenta o atendimento por causas respiratórias. Mas realmente está um pouco acima do padrão esperado”, afirma o Infectologista especializado

Casos suspeitos sem autópsia Uma resolução publicada no dia 20 de março determinou que não pode ser feita autópsia para confirmação da morte em casos suspeitos de coronavírus devido ao risco de contaminação por meio dos corpos. Segundo o governo, as determinações são da própria OMS.

As mortes por SRAG sem diagnóstico exato e os casos suspeitos que não foram testados em vida devem ter material nasal e orofaríngeo coletado em até 24 horas e na autópsia deve constar a espera pelo exame.

Os demais casos devem ter a declaração de óbito preenchida pelo médico que assistiu o paciente ou que constatou o óbito. Se as informações do prontuário não forem suficientes para cravar a causa, é feito um questionário verbal com a família. Nesses casos em que a autópsia é feita por questionário verbal, mesmo que o resultado se aproxime de morte por coronavírus, o óbito não entrará na conta oficial, por se tratar de um caso não testado, de acordo com Adiwardana. “Senão você começa a ter um dado muito falseado e aí não pode confiar no seu dado depois.”

O Ministério Público de São Paulo está investigando um possível caso de não notificação compulsória de cinco óbitos decorrentes da covid-19 em dois hospitais de São Paulo. “De acordo com a Secretaria Municipal de Saúde de São Paulo, a inspeção epidemiológica no referido hospital constatou a existência de casos suspeitos de coronavírus não notificados na unidade, fato que teria impedido a vigilância sanitária de adotar as medidas necessárias”, relata a promotora de Justiça Criminal Celeste Leite dos Santos.
Já sobre o segundo hospital, a promotora diz que ele “comunicou na data de 20/03/2020 o óbito de um paciente de 70 anos vítima do novo coronavírus, sendo esse um caso não confirmado.

Registro Civil tem mais mortes confirmadas ou suspeitas de covid O site registro civil tinha 368 mortes assinaladas como suspeitas ou confirmadas por covid, segundo dados da transparência.
Esse número é o de registros de mortes até 1º de abril, isto é, quarta-feira, pela Associação dos Registradores de Pessoas Naturais, que reúne cartórios pelo Brasil.

Em comparação com os dados do Ministério da Saúde para aquela data, são 127 óbitos a mais do que as divulgadas.

Fonte: Uol Notícias/ Redação Namidia News

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