Coronavírus: Crise chega ao comércio e pequenos lojistas temem colapso

Os efeitos da epidemia de coronavírus no Brasil contaminam o comércio local e nacional. Algumas entidades ligadas ao setor já dispõem de dados, enquanto outras afirmam estar realizando levantamentos.

Com o fechamento dos comércios em virtude do confinamento adotado e a não circulação de consumidores circulando em ambientes públicos fechados, como shopping centers, as consultas para vendas a prazo e a vista nas lojas apresentaram queda de 86,3% “só na última semana, comparado ao fim de semana anterior”, de acordo com a Serasa

Maioria dos empregos no setor privado

O impacto da pandemia entre pequenas empresas poderá ter amplas consequências para a economia nacional. Segundo o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), micro e pequenas empresas respondem por 52% dos empregos com carteira assinada no setor privado no Brasil.

São consideradas pequenas, no setor de serviços e comércio, firmas com até 49 funcionários.

Empresários de Porto Seguro reunidos em grupo de WhatsApp, têm compartilhado em um grupo suas angústias e esperanças em relação à crise.

“Grandes empresas vão sentir o baque, mas não vão falir. Eu vou à falência, sinto muito!”, diz a mensagem enviada por uma comerciante local em conversa com a nossa reportagem.

Federação do comércio em SP prevê 1 milhão de demissões na crise

Em entrevista ao portal R7 presidente da Associação Comercial de SP, Alfredo Cotait Neto afirmou que o  setor de comércio e serviços do Estado de São Paulo poderá ter a demissão de até 1,5 milhão trabalhadores em razão da crise econômica e dos fechamentos trazidos pelo avanço do novo coronavírus.

Alfredo Cotait Neto Presidente da Associação Comercial de SP

Alfredo Cotait Neto, que calcula que entre 10% e 20%, dos mais de 9 milhões de funcionários do setor comercial, apenas em São Paulo perderão o emprego.

Para o empresário, houve falta de planejamento das autoridades para se chegar a uma situação de fechar o comércio de uma hora para a outra. Agora, caso a decisão seja manter a quarentena, contrapartidas são necessárias “para evitar que todo mundo quebre”, defende.

Empresários pedem a reabertura do comercio

Empresários e entidades como Associações Comerciais e Clube Diretores Legistas e outros, pedem aos prefeitos e governadores a retomada gradual das atividades a partir da próxima segunda, dia 30.

Apontam o “enorme impacto humanitário e social de uma recessão econômica profunda” que pode decorrer do prolongamento das quarentenas decretadas nos estados e municípios.

Os empresários, porém, listam uma série de medidas a serem adotadas para achatar ao máximo a contaminação pelo novo coronavírus, para que apenas grupos de risco sejam isolados.

Entre as outras propostas, estão: horário ampliado de funcionamento de lojas, com alternância nos turnos das equipes; itens de proteção corporal para funcionários e clientes; e até campanha publicitária para tirar o medo das pessoas de sair de casa.

Comércio é liberado para abrir em cidades do RS mesmo com decreto estadual de restrição

Algumas cidades do Rio Grande do Sul flexibilizaram os decretos municipais e permitiram a abertura do comércio a partir da próxima semana, alterando as medidas tomadas em função do risco de contágio do novo coronavírus.

Nesta sexta-feita (27), foram realizadas carreatas em diversas regiões do estado. Comerciantes e empresários pediram a liberação de indústrias e comércios nas cidades.

Eduardo Leite Governador do Rio Grande do Sul

O governador do RS, Eduardo Leite, voltou a afirmar que os municípios devem seguir as orientações estaduais. Nesta sexta, um novo decreto assinado por Leite, flexibilizou a abertura de templos, lotéricas e agências bancárias, mas manteve as restrições no comércio.

“Muitos prefeitos foram além e estabeleceram proibições. Orientamos que prefeitos que vierem a revogar os seus decretos, mantenham-se o estadual. Não pode deixar de fazer o que o governo do estado exige”, disse.

“Entendo que haja angústia de parte de setores econômicos de todos os portes, mas não dá pra tomar decisão com base na ansiedade. Tem que ser com base na ciência,” completou Leite.

Prefeito autoriza, mas alerta “lista dos que o pressionaram”

Valcir Casagrande Prefeito de Sapezal

O prefeito de Sapezal (529km de Cuiabá), Valcir Casagrande (PSL), desde a quinta-feira (26), autorizou o funcionamento de estabelecimentos comerciais, restaurantes e academias na cidade.

O Prefeito alertou que, caso a decisão desse errado, já tinha uma “lista dos que o pressionaram”. Em áudio, enviado via WhatsApp a um grupo de comerciantes. Nele, o prefeito diz concordar com o pronunciamento do presidente Jair Bolsonaro, mas que tem medo que “esse povo da mídia tenha um pouco de razão”.

“Eu vou baixar um novo decreto, mas se chegar de acontecer o pior e a gente tiver uma pandemia, aí vocês vão ter que ajudar o prefeito, porque o prefeito não vai dar conta sozinho. Algumas coisas vocês vão ter que fazer, na parte do cuidado, por eu conversei com o promotor e o juiz e eles concordaram de a gente abrir com algumas restrições”, afirma Valcir.

Cidades registram “buzinaços” por reabertura de comércios

Após as medidas tomadas por prefeitos e governadores do Brasil de determinar o isolamento como forma de conter o avanço da epidemia de coronavírus, comerciantes e trabalhadores de algumas cidades do país decidiram protestar com “buzinaços”. Eles pediram às prefeituras que liberassem a abertura dos comércios.

Eunápolis

Na manhã desta sexta-feira (27), comerciantes e lojistas saíram em carreata pelas principais avenidas de Eunápolis pedindo a reabertura do comércio que está fechado devido a pandemia do Coronavírus.

O decreto municipal estabelece estado de emergência e determina que estabelecimentos comerciais, com exceção dos considerados serviços essenciais, não abram as portas por 15 dias.

Demais cidades

Na cidade de Ipatinga, em Minas Gerais, donos de lojas também fizeram uma carreata pedindo a abertura dos estabelecimentos que estão fechados desde o sábado (21).

O decreto da Prefeitura determina o fechamento até a próxima segunda-feira (30), mas pode ser prorrogado.

O protesto que reuniu cerca de 300 pessoas, segundo os organizadores, solicitava a autorização para voltar a trabalhar mesmo com número reduzido de pessoas.

A Prefeitura de Ipatinga, no entanto, afirmou que pretende seguir com o isolamento.

Maringá, no Paraná, também registrou buzinaços nesta quinta-feira (26). Os participantes do protesto também pediram a abertura das lojas, fechada desde a sexta-feira (20). Diversos veículos percorreram as vias da cidade se manifestando pela reabertura.

Balneário Camboriú, em Santa Catarina, foi outro município que registrou carreatas e buzinaços na noite desta quinta-feira.

Cachoeiro de Itapemirim, no Espírito Santo, foi outra cidade em que ocorreram buzinaços nesta quinta, dia 26.

Presidente da CNI defende ‘volta gradual’

O presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Robson Andrade, defendeu na quarta-feira, 25, a volta gradual do comércio e da produção industrial.

Robson Andrade Presidente da CNI

“Estamos estudando propostas que possamos levar ao retorno gradual da economia”, afirmou.

Assim como o presidente Jair Bolsonaro, Andrade defende isolamento parcial, apenas para idosos e doentes.

As ações de isolamento para todos sem distinção são recomendações de autoridades sanitárias, como a Organização Mundial da Saúde (OMS), como a única forma de evitar a disseminação da doença em estado de transmissão sustentada, ou seja, quando não se sabe a origem da contaminação.

Para Andrade, a área econômica do governo federal está “morosa” na ação para combater os efeitos da pandemia na atividade. Ele defende o adiamento do pagamento de impostos pelas empresas e da entrega do Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF).

Também diz que o governo deve usar com os servidores públicos o mesmo “remédio” dado aos trabalhadores da iniciativa privada: corte de salários e de jornada.

O presidente da CNI, com 72 anos, foi um dos infectados pela Covid-19 e completou na quarta passada, 25, o período de quarentena. Ele e outras 23 pessoas que estiveram com o presidente na viagem aos EUA, no início de março, testaram positivo para o vírus.

Redação Namidia News

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