Fiocruz registra momento em que coronavírus infecta célula

Diagnóstico laboratorial de casos suspeitos do novo coronavírus (2019-nCoV), realizado pelo Laboratório de Vírus Respiratório e do Sarampo do Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz), que atua como Centro de Referência Nacional em Vírus Respiratórios para o Ministério da Saúde

Imagens foram captadas em estudo sobre a replicação do vírus.

Pesquisadores da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) registraram, pela primeira vez no Brasil, o momento em que o novo coronavírus infecta uma célula. No entanto, as imagens microscópicas foram captadas durante um estudo sobre a replicação viral do Sars-Cov-2 (nome científico) em células manipuladas em laboratório.

A pesquisa realizada in vitro utilizou vírus isolados a partir de amostras coletadas de nariz e garganta de um paciente infectado. Esses antígenos foram usados para infectar células amplamente empregadas em ensaios in vitro para testes de replicação viral, chamadas células de linhagem vero.

Débora Vieira explicou que o projeto que chegou às imagens investiga o formato e o diâmetro da partícula viral, além de seu ciclo replicativo. Débora é pesquisadora do Laboratório de Morfologia e Morfogênese Viral do Instituto Oswaldo Cruz.

“Conseguimos verificar por análises de microscopia eletrônica todas as etapas da replicação do Sars-cov-2 em células vero”, afirma a pesquisadora, que descreve que as imagens mostram o vírus entrando na célula e espalhando suas partículas no interior dela. Estudos que serão divulgados posteriormente vão mostrar também partículas infectivas captadas saindo da célula.

“Nosso objetivo era verificar se essas células eram competentes para replicar o vírus, e constatamos que sim”

Débora Vieira destaca que outra conclusão relevante da pesquisa é confirmar que o vírus pode se replicar em células de linhagem vero, que devido a isso poderão ser uma ferramenta na pesquisa em laboratório para vacinas e medicamentos.

“Nosso objetivo era verificar se essas células eram competentes para replicar o vírus, e constatamos que sim”, disse. “Para testes de candidatos a vacinas e fármacos, precisamos de um sistema de cultura de células padronizado, não só para a produção de massa viral, mas para diferentes testes que são necessários”.

Débora Vieira esteve ao lado dos pesquisadores Marcos Alexandre Silva, que também é do do Laboratório de Morfologia e Morfogênese Viral, e de Fernando Mota, Cristiana Garcia, Milene Miranda e Aline Matos, do Laboratório de Vírus Respiratórios e do Sarampo. Além disso, os dois laboratórios são do Instituto Oswaldo Cruz, da Fundação Oswaldo Cruz. 

Fonte: Agência Brasil

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