Prefeitura vai fechar escola com maior IDEB de Porto Seguro; pais estão revoltados

Pais, alunos e professores de duas escolas tradicionais de Porto Seguro foram surpreendidos com a notícia que as instituições de ensino vão fechar a partir do próximo ano.

As escolas municipais Monteiro Lobato e o Centro Educacional Criança Esperança, ambas no Baianão, são instituições com mais de 20 anos de funcionamento na cidade.

O Centro Educacional Criança Esperança é a escola com o maior IDEB (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica) de Porto Seguro.

Segundo informações, um comunicado da Secretaria Municipal de Educação informou que as atividades vão ser encerradas no dia 30 de dezembro de 2021.

Para os pais e profissionais da educação,  o fechamento causa perdas irreparáveis para a educação e vai sobrecarregar outras escolas que terão que absorver os alunos vindos destas instituições.

De acordo com informações, neste ano, com a maioria dos Municípios tendo que trabalhar dois anos em um, a matrícula dos alunos do ano letivo de 2021 ocorreu no mês de julho. Com isso, boa parte dos pais não procuraram as escolas para fazerem as matrículas de seus filhos.

Desta forma, muitas escolas ficaram sem alunos. Queixas enviadas por um professor ao Namidia News alegam que a Secretaria de Educação não fez uma campanha de matrícula adequada, com as escolas realizando vaquinhas entre os funcionários para pagar carros de som.

Assim, algumas conseguiram matricular a quantidade certa de alunos, mas outras não. As escolas maiores foram as mais prejudicadas e estão com várias salas ociosas.

Segundo as reclamações, a secretaria não teria feito um estudo sério com a quantidade de alunos que estão sem estudar, tomando a decisão de desativar as duas escolas pequenas para levar os alunos para uma escola maior.

Dentre as queixas, estão questionamentos sobre a distância que os pais terão que levar as crianças. “Será que o município vai garantir transporte para todos? Será que o custo desse transporte não é maior que o aluguel dessas escolas?”, disse o professor.

Além disso, há contestação quanto ao fato de que o IDEB das escolas menores é maior do que as escolas maiores. “Com menos alunos a equipe pedagógica tem uma relação melhor com os alunos e as famílias, processo que dificulta muito em uma escola com mais de mil alunos por turno”, afirmou o professor.

A situação gerou diversas outras perguntas. O professor ouvido pelo Namidia News afirma: “Será que a gestão pensou nesses detalhes? Será que a gestão está preocupada com a aprendizagem do aluno? Se está, fechar duas escolas com os melhores resultados do município não demonstra isso.”

Secretária de Educação explica o fechamento 

Em entrevista ao Namidia News, a secretária de Educação Dilza Reis, explicou que “isso é resultado de estudo”. Ela aponta que “o município de Porto Seguro tem 12 escolas alugadas e vem sofrendo há 20 anos para sair desses aluguéis. São escolas precárias, não dá dignidade nenhuma ao aluno.”

“A gente preza por essa parte aí, ajustar espaços adequados e focar na aprendizagem”, disse Dilza.

Ela continua, contando mais sobre o estudo. “O resultado do estudo é: a escola Álvaro Henrique, no Baianão, é uma escola que tem 22 salas ociosas. Eu não teria, com equipe grande dentro da secretaria, fazendo educação, sendo a base de todas as 109 escolas, como justificar porque eu tenho 22 salas ociosas numa escola que é toda equipada e tenho espaços tão precários, que na verdade são alvos de denúncias todo o tempo.”

“Os profissionais da educação são, principalmente de uma dessas escolas, excelentes; todos os professores têm compromisso, mas educação se faz em qualquer lugar, correto?”, afirmou ela.

“Uma hora ia chegar que, se eu tenho como ordenar a rede, eu preciso tomar medidas exatamente nos espaços que são muito precários, que não são dignos, e que são alugados. O interessante é ficar em prédio próprio, e nós já pensamos e estamos organizando.”

Na entrevista ao site, a secretária de Educação tocou em algumas das dúvidas e preocupações que muitos têm nesse tipo de mudança. “Não vamos em nenhum momento misturar crianças pequenas com alunos grandes, nem deve. A nossa equipe trabalha é para isso e o nosso foco é bem diferente do que alguns, né, estão pensando. ‘Vai ficar tudo junto?’ Não. Não, isso faz parte de toda a organização da Secretaria. Cada segmento no seu espaço adequado”, disse ela.

“As crianças pequenas serão remanejadas para outras escolas também, bem pertinho ali, onde tem também salas ociosas. Às vezes você tem uma escola para ter 200 alunos e tem 150, então eu tenho lá uma ou duas salas vagas da próxima ou de outra matrícula, né, vai pra lá.”

“No Álvaro Henrique serão sim. É uma escola grande, eu tenho conhecimento. É uma escola que precisa sim de uma atenção maior, de um maior número de coordenadores, de dois gestores possivelmente, né, pelo tamanho da escola, pelas turmas que vão pra lá, dois diretores e coordenadores de acordo com o número de alunos, número de salas para que dê conta e possa monitorar, possa acompanhar e avaliar cada criança”, afirmou Dilza Reis.

“E claro que ia haver e vai haver sempre uma resistência quando você sai de um local. A equipe da escola são [sic] boas, os profissionais vão pra onde? Para as turmas da escola do Álvaro Henrique.”

Ela afirmou, também, que não haverá prejuízo como consequência da ação. “E, na verdade, os profissionais da educação são profissionais do município, as turmas não deixaram de existir. Não há nenhum prejuízo nem para profissional e nem tampouco para os alunos”, argumentou.

“Primeira coisa a pensar é essa, né: manter, assegurar os direitos de cada um, tanto de aprender com o aluno tanto de professor que já tem um plano de carreira e é estatutário, tá bom? Nenhum prejuízo mesmo. Até porque vai levar os alunos vai precisar dos professores. Todos eles.”

“Então a educação se faz em qualquer lugar. Claro que vai sair do espaço que estava, tem aquela coisa do apego, ‘e agora, eu vou ficar sem a escola’, mas ia ter que sair um dia porque o espaço não é próprio e isso é resultado de estudo. Reordenamento de rede.”

Dilza Reis relembra uma decisão semelhante que a Secretaria de Educação tomou anteriormente. “Já aconteceu em Vera Cruz, no início do ano, nós pegamos a capacidade física e vimos o número de matrículas. Então a escola Tiradentes, que é bem grande também, estava com um bloco todo sem funcionar. E uma escola sendo alvo de denúncias muito ruim [sic]. Uma escola que tem 27 anos de construção totalmente acabada, a escolinha Chico Lage. E o que que a gente fez? Reuniu os pais, trouxe para o espaço novinho, que é aquela ali que fica na beira do asfalto e foi construída pra isso. Mas tinha uma resistência de não sair.”

Ela conta que, em resposta à resistência, argumentou aos pais que estava dando dignidade aos seus filhos, e que toda a equipe da escola acompanhou. “Tanto do porteiro ao diretor acompanha, seguem suas turmas cá [sic] e pronto. E assim vai seguindo. Nós estamos reordenando a rede sim, estamos encontrando a capacidade física muito grande e o número de alunos não como deveria estar distribuído”, disse ela.

Ela finaliza explicando que há planos para a construção de algumas novas escolas no ano que vem, “exatamente pra dar dignidade.”

Da Redação Namidia News

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