“Hoje tenho dez voos diários para Porto Seguro. Se o dólar estivesse a R$ 1, teria dez voos por dia para a Flórida”, diz o executivo da Azul

No mundo pós-Covid, o passaporte não é suficiente para garantir a entrada do viajante estrangeiro. Também é preciso atestar que recebeu as duas doses da vacina contra o novo coronavírus.

Mas se você vai para a Europa e foi imunizado com a Coronavac, prepare-se para não ser aceito em ambientes fechados em locais como Paris -na opinião das autoridades europeias, a vacina da Sinovac não é segura o suficiente.

Além de estar completamente imunizado, países também podem exigir que o visitante faça o teste anti-Covid antes de viajar ou ao aterrissar, como a Holanda. Ou, pelo menos, que preencha um formulário de controle sanitário, caso da Espanha. Há ainda quem nem tenha aberto fronteiras aos brasileiros, como a Itália.

Para viajar aos Estados Unidos, onde voltaremos a ser bem-vindos nesta segunda-feira (8), a dificuldade maior está em atualizar o visto. Há uma longa fila de espera para quem está com o documento vencido. Fora o “detalhe” de pagar estadia, alimentação e passeios em dólar:

Com a moeda americana beirando R$ 5,70, só o passaporte individual para três dias em parques temáticos da Disney, por exemplo, passeio preferido do brasileiro, custa R$ 2.500.

Apesar do avanço da vacinação no Brasil, e do fim das barreiras em diversos países, companhias aéreas e agências de turismo não estão animadas com as próximas férias no tocante a viagens internacionais. O dólar caro torna passeios proibitivos, o preço das passagens subiu por conta do aumento de custos como combustível, enquanto as restrições sanitárias diferentes de país para país deixam muitos viajantes confusos e inseguros.

“Só vamos voltar a ter o mesmo fluxo de viagens internacionais em 2023”, afirma Diogo Elias, diretor de vendas e marketing da Latam Brasil, a aérea brasileira líder na oferta de voos internacionais.

Antes da pandemia, em 2019, eram 309 decolagens semanais rumo a 26 destinos do exterior. Hoje, são 104 decolagens para 16 destinos. Os voos internacionais, que antes respondiam por 33% da receita, hoje representam 12%.

“Temos boas expectativas quanto à retomada dos voos aos Estados Unidos, para Nova York, Miami e, especialmente para Orlando, o destino mais procurado pelos brasileiros”, diz Elias, que tem percebido o aumento na procura depois que a maior economia do mundo anunciou o fim da barreira a brasileiros.

A empresa volta a voar para Miami e Nova York este mês e para Orlando em dezembro, quando também retoma a rota para Londres.

“Mas apesar do avanço da vacinação, o passageiro tem receio de se contaminar durante o voo, por ficar muito tempo em um avião. Também existe a confusão acerca do tipo de teste anti-Covid que precisa ser feito e das restrições para circular nos diferentes países”, afirma Elias.

Ele lembra que o custo da viagem é só uma parte do passeio -que inclui estadia e alimentação em um momento de real muito desvalorizado. “Tudo isso limita as vendas de voos internacionais”.

Do ponto de vista econômico, inflação e desvalorização cambial não têm sido só um problema nacional; atinge também os hermanos. Com o peso argentino valendo cerca de R$ 0,57, pode valer a pena aos brasileiros visitar Buenos Aires. Mas a recíproca não é verdadeira para qualquer destino brasileiro, o que faz com que a oferta de voos para a Argentina também seja restrita.

“Antes da pandemia, nós fazíamos 55 voos semanais para a Argentina. Hoje fazemos 16”, diz o executivo da Latam Brasil.

Por Mix Vale

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