O médico goiano Leônidas Bueno Fernandes Filho e mais 40 pessoas aparecem em imagens feitas pela Polícia Civil no momento em que são presos em uma “rinha” de cães, em São Paulo.
O profissional aparece sentado na arena onde ocorriam os combates e, ao ser acusado por um policial de “pôr os bichinhos para brigar”, ele nega e tenta se defender.
“Não. Eu vim pegar um cachorro de um amigo meu”, afirma o médico na gravação.
No entanto, segundo a polícia, Leônidas e mais um médico veterinário eram responsáveis por reanimar os cães machucados durante as lutas.
Nossa equipe de reportagem tentou localizar a defesa do médico. Um parente dele, que preferiu não se identificar, disse que Leônidas é inocente e foi preso por estar no lugar errado.
“O que eu ouvi de terceiros é que ele tinha ido participar de outra modalidade de competição e estava junto do pessoal e acabou que foi detido também. Ele gosta de modalidades como escalonamento e saltos, que estava tendo lá simultânea a essa. Ele não participa de rinha”, afirmou.
Havia pitbulls mortos e outros se enfrentando na rinha. Encontraram em uma churrasqueira um pedaço de carne de cachorro.
A suspeita é que eles faziam churrasco com a carne do animal derrotado.
Segundo relato publicado na imprensa, o papel do médico seria ajudar o veterinário que também foi preso a reanimar os cachorros.
Porém, como a especialidade de Leônidas é medicina, é provável que estivesse ali para apostar mesmo.
O que ninguém acredita é que tenha embarcado em um avião em Goiânia, descido em Guarulhos e viajado até Mariporã apenas para pegar um pitbull de presente em uma rinha
Os animais ali estavam feridos, mesmo aqueles que venciam as lutas. Iria levar para casa um cão nessas condições para quê?
Sentido humanitário? Conta outra.
Ao ser preso, como se vê pelo vídeo, Leônidas tentou passar a imagem de bom moço, talvez a imagem que faça de si próprio, com suas postagens moralistas, disse um policial.
Muitas pessoas localizaram o perfil dele no Facebook e, antes que ele retirasse a página da rede, postaram comentários como:
“Vagabundo, lixo de médico, merece o pior, sem vergonha, safado, vontade de socar até desmaiar e depois usar soro para reanimar você. Merece ser empalado”.
“Maldito!!! Vc é um bandido!!!”
Ele foi libertado ontem, depois de pagar fiança.
“Você tem dinheiro, mas nunca vai ter paz, nunca vai deitar a cabeça no travesseiro e dormir.”
O cidadão de bem Leônidas Bueno Fernandes Filho não poderá mais, com certeza, dar lição de moral.
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Fiança de quase R$ 60 mil
Leônidas e mais 40 pessoas foram detidas no último sábado (14), em Mairiporã, na Grande São Paulo. Em audiência de custódia, somente uma pessoa seguiu presa.
Na mesma decisão, proferida pelo juiz André Luiz da Silva da Cunha, foi arbitrada fiança de 60 salários mínimos – R$ 59.880,00 – para Leônidas, a maior entre todos os detidos.
Nela, o magistrado afirma que “os fatos atribuídos aos autuados são repugnantes” e citou que “os cães eram colocados para brigar até a morte”. No entanto, salienta que os presos são primários, possuem residência fixa e que a liberdade deles não coloca em risco a ordem pública.
A decisão que soltou Leônidas solicita ainda que seja oficiado o Conselho Regional de Medicina de Goiás (Cremego) sobre a prisão ocorrida, anexado uma cópia do boletim de ocorrência.
A assessoria de imprensa do Cremego informou, em nota, que o órgão não vai comentar o assunto.
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Moção de repúdio
A Câmara Municipal de Goiânia aprovou, em sessão na terça-feira (17), uma moção de repúdio na qual pede a “suspensão imediata” do registro de Leônidas junto ao (Cremego).
O documento foi proposto pelo vereador Zander Fábio (Patriota), que é presidente da Comissão de Proteção, Direitos e Defesa dos Animais da Câmara. A indignação ao ver a forma como os animais eram tratados, segundo ele, motivou a moção, que contou com a assinatura de 24 parlamentares.
“[O sentimento é de] indignação total ao saber o modo como eles agiam. Parece uma seita porque eles comiam [os cães] em forma de churrasco e davam as outras partes para os animais”, disse ao G1.
Na moção, o parlamentar afirma que no local foram encontrados um animal morto e 19 feridos e que até a polícia se sensibilizou com a situação encontrada, “digna de um filme de terror”.