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Brasileiros dão show em Elysium

A ficção científica “Distrito 9″ partia de uma premissa interessante e desandava até um final capenga. O novo trabalho do diretor Neill Blomkamp é mais regular, mantendo-se 100% capenga desde o começo.

Estamos em mais um futuro distópico com divisão social escancarada. O povão ficou na Terra em condições precárias e os ricos vivem em uma lua VIP chamada Elysium, onde a grama é verde, as garotas são bonitas e ninguém fica doente. Elysium é o paraíso, tem mansões, tempo bom, parece uma grande Miami para uma parte da humanidade que já se aposentou curtir um drink tomando sol. A Terra é o inferno, uma imensa periferia de gente desgraçada que sobrevive trabalhando pesado em fábricas cruéis

 

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Max (Matt Damon) vive no inferno mas sonha com o paraíso, praticando pequenos crimes aqui e ali e combatendo o sistema de uma maneira meio idiota – quer dizer, você não deveria ser sarcástico com robôs programados para te encher de porrada. (Mad) Max sofre um acidente radioativo na fábrica e sua única chance de sobreviver está em Elysium, em uma daquelas milagrosas cápsulas médicas que curam qualquer doença e fazem parte da mobília de todas as casas por lá, como um forno de microondas capaz de curar câncer.

O elenco multiétnico da população terráquea inclui o mexicano Diego Luna, o sul-africano Sharlto Copley (protagonista de “Distrito 9″, mais uma vez judiado pelo diretor) e os brasileiros Wagner Moura e Alice Braga. Moura é o super hacker do underground que consegue encaminhar clandestinos para Elysium. Alice Braga é a namoradinha de infância de Max que tem uma filha com doença terminal. Ambos têm papéis de destaque e estão melhores que o protagonista Matt Damon.

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Pelo visto fazem parte do estilo Blomkamp os protagonistas completamente antipáticos e de caráter duvidoso. Max é egoísta, não quer saber de ser working class hero, o predestinado, o mártir, nada disso. Ele só quer salvar a sua pele. Alguns flashbacks cafonas da infância com trilha sonora world music tentam agregar algum sentimento bonito ao personagem, mas não funciona.

Matt Damon não precisa se preocupar com seu nível de atuação porque ele está bem acompanhado: Blomkamp consegue deixar até Jodie Foster caricata no papel da vilã, a chefe de segurança inescrupulosa de Elysium. Os dois astros são os principais representantes da luta de classes que tenta dar conteúdo a “Elysium”. Porém, o roteiro de Blomkamp deixa o conflito restrito a um sistema de saúde falho.

Matt Damon;Jodie Foster

Sim, porque é só a saúde que interessa. Ninguém se importa com a desigualdade social. Cada um quer curar seu problema de saúde e dane-se todo o resto. E aí está o grande furo do roteiro. Por que, em vez de mandar naves cheias de imigrantes para Elysium e iniciar uma guerra por informações codificadas, senhas de acesso e o escambau, não seria muito mais fácil o Wagner Moura aplicar uma espionagem industrial e descobrir o segredo da máquina milagrosa?

A tecnologia já existe, é só o WikiLeaks divulgar. E se tudo mais der errado, uma nave cheia de médicos cubanos resolve tudo.

By: Renato Thibes

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