Número de inadimplentes no Brasil cresce 21% em 2011

O que mais levou ao calote do consumidor foram as chamadas dívidas não-bancárias, aquelas feitas diretamente com lojas, financeiras ou concessionárias públicas.

Aumentou bastante no ano passado o número de brasileiros que não conseguiram pagar suas dívidas, os inadimplentes. Aumentou também outro índice preocupante: o do endividamento das famílias brasileiras.

A inadimplência no ano passado teve a maior alta dos últimos nove anos: cresceu 21% por cento em relação a 2010. As dívidas que mais aumentaram foram as chamadas dívidas não-bancárias, aquelas feitas diretamente com lojas, financeiras ou concessionárias públicas, com alta de 35,3% em 2011. Depois, vieram as dívidas feitas com o banco, como cartão de crédito, empréstimos consignados e financiamentos de carros, com alta de 18,6% em 2011.

De acordo com a Serasa Experian, que fez o levantamento, foi um efeito cascata. O brasileiro somou novas contas aos débitos que já vinha acumulando nos anos anteriores. “Primeiro, o aumento do endividamento. Segundo, a inflação, principalmente em transporte e alimentos. O consumidor não tem onde cortar. E, terceiro, os juros elevados. Foram fatores determinantes para o aumento da inadimplência”, explica Carlos Henrique de Almeida, economista da instituição.

Por causa disso, os consumidores terão menos espaço para fazer novas compras. A redução do consumo pode esfriar a economia brasileira, que também vai ter que lidar com o crescimento do endividamento das famílias.

Um levantamento da Tendências Consultoria aponta que, pela primeira vez, mais da metade da renda anual dos brasileiros estará comprometida com dívidas. Em 2005, esse número era de 21%. No fim deste ano, o endividamento deve chegar a 51,3%. Apesar do crescimento, o percentual de endividamento brasileiro ainda é baixo se comparado com outros países.

“É mais fácil para os consumidores de outros países, como EUA e Canadá, pagarem as suas dividas, do que os brasileiros pagarem os 50%, porque aqui nós temos juros muito altos. Juros altos levam os consumidores brasileiros a fazerem mais sacrifícios para pagar suas dividas”, conclui Almeida.

G1

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