Morre Riachão, pilar do samba brasileiro, aos 98 anos

Autor de clássicos como ‘Cada Macaco no Seu Galho’ e ‘Vá Morar Com o Diabo’, músico morreu enquanto dormia, em Salvador. Pretendia lançar novo disco neste ano.

Clementino Rodrigues, o Riachão, gostava de escutar e cantarolar os sambas que nasciam no Rio de Janeiro desde a infância. Até que, aos 16 anos, quando caminhava em direção à loja de materiais de costura onde trabalhava, encontrou no chão um recorte de revista que dizia: “Se o Rio não escrever, a Bahia não canta”. Intrigado, a manchete serviu para empurrar o jovem baiano de Salvador a ensaiar os versos de sua primeira canção.

Aquele adolescente, nascido em 1921 em Salvador, se tornou ícone do samba da Bahia ao longo de muitas décadas ―apesar de nunca ter deixado de ser alfaiate e comerciante. No entanto, foi considerado o sambista baiano mais veterano ainda em atividade. O músico morreu aos 98 anos na madrugada desta segunda-feira enquanto dormia em sua casa, no bairro do Garcia, Salvador. O Brasil se despede, assim, de mais um de seus grandes pilares do samba, após as partidas recentes de Beth Carvalho, Dona Ivone Lara e Wilson das Neves.

Riachão

Ainda jovem ganhou o apelido Riachão porque fazia “pose de brigão”, segundo contou. “Quando menino, eu gostava muito de brigar. Mal acabava uma peleja, já estava eu disputando outra. E aí chegavam os mais velhos para apartar, empregando aquele ditado popular: você é algum riachão que não se possa atravessar”, relatou.

Conhecido pela irreverência e seu jeito de malandro, Riachão é autor de alguns clássicos do samba nacional. Como Cada macaco no seu galhocantado em 1972 por Gilberto Gil e Caetano Veloso quando voltaram do exílio em Londres. Anos depois, em 2000, gravou sua canção Vá morar com o diabo em dueto com Caetano Veloso. No ano seguinte foi popularizada pela cantora Cássia Eller, que cantou o samba para o álbum e DVD da série Acústico MTV.

Como outros nomes do samba de sua geração, foi preterido pelas grandes gravadoras, que davam preferência para os artistas —a maioria brancos— da chamada Música Popular Brasileira. Os sete discos de sua longa carreira foram em sua maioria gravados a partir do fim dos anos 90. O último deles, Mundão de Ouro, foi lançado em 2013.

Planejava lançar para este ano o álbum Se Deus quiser eu vou chegar aos 100, com repertório inédito. Apesar da idade avançada, ainda realizada shows e algumas aparições. A última delas ocorreu no Carnaval deste ano, quando foi visto na sacada de sua casa assistindo a saída do bloco Mudança do Garcia.

Com informações de: El País

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