Ministério Público Federal vai investigar envolvimento de Garotinho, Arnaldo Faria e Janira Rocha nas greves

A deputada Janira Rocha na assembleia dos policiais e bombeiros Foto: Marcelo Piu

O procurador-geral da República, Roberto Gurgel, vai analisar as gravações nas quais políticos conversam com militares grevistas da Bahia e do Rio. Gurgel requisitou as fitas ontem. O procurador quer saber se há indícios de crimes cometidos pelos deputados flagrados nas conversas — os deputados federais Anthony Garotinho (PR-RJ) e Arnaldo Faria De Sá (PTB- SP) e a deputada estadual Janira Rocha (PSOL-RJ). Só então o Ministério Público Federal decidirá se pedirá abertura de um inquérito criminal, que seria feito pela Polícia Federal.

O pedido foi feito oficialmente ao governador baiano, Jaques Wagner. Como os deputados têm foro privilegiado, somente o procurador-geral pode pedir a investigação — cuja autorização será dada ou não pelos Superior Tribunal de Justiça (STJ) e pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

Nas conversas, Garotinho fala com o cabo-bombeiro do Rio Benevenuto Daciolo, enquanto o militar estava na Bahia auxiliando os grevistas baianos. Em um trecho da gravação, Garotinho pergunta como está o movimento no Rio para o dia seguinte (anteontem). Mais adiante, ele volta a perguntar:

“Mas você acha o quê? Tem clima para parar no Rio?”

Ontem, Garotinho deu a sua explicação para o episódio. Segundo ele, a pergunta não era uma incitação à greve. O ex-governador disse que foi procurado por um parlamentar paranaense preocupado em relação à possibilidade de a greve acontecer no Paraná.

— E aí ele me perguntou como estava a greve no Rio e eu disse que ia perguntar a uma pessoa (o cabo Daciolo) — diz Garotinho.

O deputado reafirmou, no entanto, que apóia o movimento liderado, entre outros, pelo cabo Daciolo, desde que a categoria tomou o Quartel-Central dos Bombeiros em junho do ano passado. Perguntado o que faria se a greve fosse durante a sua gestão à frente do Palácio Guanabara, o ex-governador disse:

— Não teria (acontecido). Eu sou uma pessoa do diálogo — disse, esquivando-se de responder se apoiava a greve:

— Eu apoio a PEC 300. Estou apoiando o movimento pacífico dentro da ordem. O culpado da greve é o governo.

EXTRA

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