Manifestantes criticam órgãos de imprensa em atos pró-governo

Além do Congresso, do Judiciário e dos partidos políticos, os manifestantes que foram às ruas neste domingo (26) em todo o Brasil, em apoio ao presidente Jair Bolsonaro (PSL), também tinham outro alvo: a mídia.

A cobertura da imprensa tradicional foi criticada em diversos atos e manifestantes se recusaram seguidas vezes a falar com a Folha. Outros veículos, como a Rede Globo, também foram criticados. 

Na praia de Copacabana, zona sul do Rio, três manifestantes se recusaram a falar com a reportagem. “Você disse que é da Folha? Não falo, não”, afirmou um senhor após ser questionado sobre os motivos pelos quais compareceu ao ato. “É só você ouvir”, respondeu, apontando para o carro de som. 

O bancário Jefferson dos Santos, 36, aceitou falar. Com uma placa com os dizeres “Respeitem meu voto! Respeitei o de vocês durante 16 anos!”, ele foi ao ato defender que a mídia recue nas críticas ao presidente.

Ao final da conversa, o entrevistado quis tirar uma selfie com a repórter e publicá-la em suas redes, pedido que foi negado.

Outra repórter que cobria o mesmo ato foi hostilizada após abordar uma senhora, que subiu o tom de voz e afirmou que a jornalista não sabia do que ela seria capaz caso não deixasse o local. 

Em Salvador, segurando uma faixa contra o “toma lá, dá cá”, o corretor de imóveis Borges Oliveira, 65, criticou a cobertura política da Folha após ser indagado sobre Bolsonaro já ter feito parte do centrão que hoje condena.

“Folha? Folha, não. Não falo com a Folha de S.Paulo. A Folha é petista. O que eu tenho a dizer é que estou aqui pelo bem do Brasil. Eu sou patriota, contra a corrupção, a bandalheira”, disse.

Ao longo do percurso, profissionais da Rede Bahia, afiliada local da Globo, também foram vaiados pela multidão.

Em Belo Horizonte, manifestantes também se negaram a falar com a reportagem. “A Folha presta um desserviço para o Brasil. Vai lá na cadeia entrevistar o triunvirato de ídolos de vocês, vai”, afirmou uma senhora.

Em Fortaleza, um homem disse à repórter da Folha que ela deveria ter medo de estar no protesto e que não era bem-vinda. Em seguida, do trio elétrico, anunciaram: “Tem uma pessoa fazendo uma pesquisa. Imprensa não é bem-vinda. Não respondam”.

Neste momento, dois organizadores que falavam à reportagem pediram que as pessoas do alto do trio interrompessem a crítica à imprensa.

Fonte: BNews

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