Hospitais de Manaus ficam sem oxigênio e registros de desespero tomam as redes

Redes registraram denúncias de falta de abastecimento em hospitais, ação manual de profissionais de saúde e condições assustadoras de pacientes que aguardam transporte de oxigênio à região.

A situação na capital amazonense chegou ao extremo nesta quinta-feira (14/1), após o registro de falta de oxigênio para pacientes hospitalizados internados. No entanto, em vídeo divulgado pelo Portal Único, o médico e presidente do Sindicato dos Médicos do Amazonas, Mário Viana, descreve a situação nos hospitais de Manaus e pede uma ação das autoridades para restabelecer, de forma imediata, o abastecimento na região.

“Vários hospitais já estão com falta de oxigênio e pacientes que necessitam do oxigênio estão sendo ‘ambuzados’ (prática médica que usa um animador manual para simular uma respiração mecânica), mantidos vivos pelo esforço dos profissionais médicos, técnicos e enfermeiros”, disse Viana. 

O médico ainda ressalta que a situação já era prevista para acontecer na cidade e solicita ajuda de outras regiões. “Transportar oxigênio de outros estados, em caráter de guerra, é uma necessidade para salvar vidas”, solicitou.

Outro relato emocionante veio de uma moradora de Manaus, que expressa o desespero sentido pela população local. “Nós estamos em uma situação deplorável. Simplesmente acabou o oxigênio de toda uma unidade de saúde. Não tem oxigênio, é muita gente morrendo”, a internauta também pediu doações de oxigênio e ajuda na divulgação do vídeo. A amazonense também filma a chegada de dois cilindros de oxigênio, entregues pela Polícia Militar do Amazonas.

Comentando o ocorrido, um infectologista expressou a importância da oxigênio para tratamento de doenças. “Muita gente não vê assim, mas o oxigênio é remédio. Tem posologia, indicações, efeitos colaterais. Esse é o verdadeiro ‘tratamento precoce’ para covid moderado com hipóxia”, escreveu.

Direito constitucional à saúde e integridade da vida

Desde a última sexta-feira, uma força-tarefa das Forças Armadas teve início para levar 386 cilindros de oxigênio à capital do Amazonas em caráter de urgência. Nesta quarta-feira (13/1), mais seis unidades foram entregues pela manhã, em operação que deve durar até o domingo (17/1). O grande problema é que o volume médio do recurso aumentou onze vezes recentemente, chegando próximo da casa dos 70 mil metros cúbicos. No entanto, demandando uma operação complexa de reposição.

Em nota divulgada na última terça-feira (12/1), a Associação dos Docentes da Universidade Federal do Amazonas (Adua), se solidariza com os profissionais de saúde que estão na linha de frente do enfrentamento à covid-19 e denuncia a negligência e omissão de instituições e de governantes. “Denunciar a gravíssima omissão institucional das autoridades no âmbito federal, estadual e municipal que, mesmo dispondo de meios e poder, negligenciam, de forma criminosa e injustificável, sua obrigação de garantir a população o direito constitucional à saúde e integridade da vida”, dizia a nota.

Ela ainda responsabiliza o presidente da república, Jair Bolsonaro (sem partido), pela situação de caos instalada no país frente a pandemia do novo coronavírus. “Responsabilizar o Estado brasileiro, na pessoa de seu governante maior, por negligenciar e sabotar as medidas sanitárias preconizadas pela Organização Mundial da Saúde para conter a tragédia humana e social da pandemia em curso, cujos efeitos mais devastadores se dão entre os socialmente mais vulneráveis: povos indígenas, população negra e classe trabalhadora, de modo especial os trabalhadores desempregados e os que sobrevivem da informalidade”, informava o documento.

Fonte: Correio Braziliense

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