Dólar dispara e fecha acima de R$ 5,70 pela 1ª vez

Notas de dólar
(Foto: REUTERS/Jose Luis Gonzalez)

Nesta quarta-feira (6), o dólar fechou acima de R$ 5,70 pela primeira vez na história. Assim, este é mais um dia em que o real liderou as perdas entre as principais moedas globais.

O recorde foi marcado pouco antes de um provável novo corte de juros pelo Banco Central. Além disso, ocorre após a agência de classificação de risco Fitch rebaixar a perspectiva para a nota de crédito do país. A a empresa citou renovada incerteza política.

No exterior, uma perda recorde nos empregos do setor privado nos Estados Unidos também colaborou para a aversão a risco.

A moeda norte-americana encerrou o dia em alta de 2,03%, a R$ 5,7035 na venda, nova máxima recorde nominal (sem considerar a inflação). No pico durante as negociações, a cotação foi a R$ 5,7072.

Na véspera, após o fechamento dos mercados locais, a agência de classificação de risco Fitch Ratings revisou para “negativa” a perspectiva para a nota de crédito soberana do Brasil, mencionando deterioração econômica e fiscal. 

A revisão, segundo a agência, reflete riscos relacionados a tensões políticas e incertezas quanto à duração e intensidade da pandemia no país.

De acordo com a agência Infinity Asset, o rebaixamento pode significar que o pior ainda está por vir: “outras agências tendem a seguir diretrizes ainda mais duras para as próximas classificações de risco.”

Expectativa de corte na Selic

Ao mesmo tempo em que reagiam à mudança na perspectiva da nota do Brasil, os mercados aguardavam o resultado da reunião de política monetária do Copom, com ampla expectativa de corte da Selic a nova mínima histórica de 3,25%.

Analistas citaram a perspectiva de outra redução como fator de pressão sobre o real, uma vez que juros menores prejudicam o rendimento de ativos locais atrelados à Selic, tornando o Brasil menos atraente para o investidor estrangeiro quando comparado a países de risco semelhante e maior rentabilidade.

Além disso, amargando o sentimento nos mercados internacionais, dados desta quarta-feira mostraram que os empregadores do setor privado dos Estados Unidos demitiram um recorde de 20,236 milhões de trabalhadores em abril, depois que o fechamento obrigatório dos negócios em resposta ao surto de coronavírus devastou a economia.

No exterior, divisas arriscadas, como rand sul-africano e peso mexicano apresentavam queda contra o dólar.

Na véspera, o dólar fechou em alta de 1,23%, a R$ 5,5902 na venda. Apenas em 2020, a moeda acumula ganhos de quase 40%.

Nesta quarta-feira, o Banco Central ofertou até 10 mil contratos de swap cambial tradicional com vencimento em setembro de 2020 e janeiro de 2021.

Fonte: Da Redação Namidia News com informações de CNN

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