De mãos dadas: Alckmin e Temer podem caminhar juntos nas eleições

Presidente e tucano se encontrarão pessoalmente e aparam arestas que travam uma aliança eleitoral.

O calendário eleitoral e a necessidade de evitar o lançamento de muitas candidaturas de centro estão levando PMDB e PSDB a dar os primeiros passos numa aproximação com vistas à eleição de outubro. Se o presidente Michel Temer admitiu, em entrevista ao “SBT” no domingo, abrir mão da tentativa à reeleição para apoiar outro nome, incluindo Geraldo Alckmin na lista, ontem foi a vez do tucano confirmar que os dois já conversaram sobre a possibilidade de unir as forças de centro em outubro. Os dois devem se encontrar pessoalmente ainda esta semana.

— Foi só por telefone — afirmou Alckmin, ao participar de um evento em Mesquita, na Baixada Fluminense. — Acho que as coisas só vão se definir em julho.

Enquanto o tucano cumpria agenda de pré-candidato, Temer promovia um jantar, no Palácio da Alvorada, reunindo os principais políticos do PMDB. O objetivo era “sentir a temperatura” das lideranças regionais em relação às três possibilidades na eleição: sua tentativa de se reeleger, a candidatura do ex-ministro da Fazenda Henrique Meirelles ou o apoio a outro nome. A maior dificuldade para o PMDB lançar candidato próprio ao Planalto é que os postulantes do partido aos governos estaduais e ao Legislativo são contra a legenda gastar boa parte do dinheiro para as eleições na campanha presidencial. Isso reforça a tese de apoiar outro nome, como o de Alckmin. Para quebrar essa resistência, Meirelles tem prometido bancar do próprio bolso sua campanha.

JOAQUIM BARBOSA PREOCUPA

Na semana passada, Temer e Alckmin se falaram por telefone — foi o tucano quem ligou — e combinaram de marcar um encontro. A ponte entre os dois começou a ser refeita por tucanos como o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, que esteve com o presidente na semana passada em São Paulo, e o ex-senador do PSDB José Aníbal.

A aproximação entre Alckmin e Temer é uma reação ao aumento de expectativa de uma candidatura do ex-ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Joaquim Barbosa pelo PSB. PMDB e PSDB temem ficar de fora de um segundo turno com a entrada do ex-magistrado na disputa, o que acelerou as tratativas de conciliação. Ontem, o coordenador do programa econômico de Alckmin, Pérsio Arida, fez elogios ao governo em entrevista à “Folha de S.Paulo”.

Ter o PMDB na aliança nunca foi uma questão pacífica na campanha de Alckmin por causa do desgaste e da baixa popularidade de Temer. O próprio pré-candidato tucano nunca colocou o PMDB como prioridade em seu plano de alianças. Pelo contrário. Ele fez questão de começar as negociações por outros partidos — até o momento, a campanha dá como certa a aliança com PSD, PPS e PTB.

Desta forma, Alckmin acreditava que não ficaria refém do PMDB. O partido de Temer, porém, tem o maior espaço no horário eleitoral. Mal posicionado nas pesquisas, o tucano precisa de exposição na propaganda para se viabilizar e conseguir chegar ao segundo turno. Mas, além de tempo na TV, a aproximação entre PSDB e PMDB atende ao propósito de unificar as candidaturas de centro, para tentar evitar que Joaquim Barbosa cresça muito sobre este eleitorado.

— Enquanto não começar rádio e TV, não aconteceu nada — afirmou Alckmin ontem à noite, procurando demonstrar tranquilidade mesmo após registrar baixos números nas pesquisas.

Do outro lado, interlocutores de Temer afirmam que “alguém tinha que se mover”, ao explicar as declarações do presidente cogitando apoiar outros partidos.

— Se houver algo que seja útil para o País, e daí a história da união de todos os candidatos de centro, por que não apoiar? —, afirmou Temer, ao programa “Poder em Foco”, do SBT.

O peemedebista não quer ficar distante do que pensam os diretórios regionais de seu partido, e sabe que grande parte do PMDB resiste a uma candidatura sua e mesmo à de Henrique Meirelles. Até mesmo na cúpula havia incômodo com a firmeza de Temer em propor sua candidatura, o que estaria atrapalhando as formações de palanques nos estados. A resistência ocorre porque Temer tem baixos índices de popularidade, e os candidatos não querem dividir palanque com quem concentra tanta rejeição.

O presidente não quer perder sua influência como articulador de alianças nas eleições, mesmo que não seja candidato ou que não seja um cabo eleitoral desejado nos palanques. Ele tem aproveitado suas idas a São Paulo para vários contatos: já conversou com João Doria, candidato do PSDB ao governo paulista; com o governador de São Paulo e candidato à reeleição, Márcio França (PSB), além do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.

O que ministros próximos ao presidente afirmam é que Temer não abre mão de decidir o que o PMDB fará. Por enquanto, como no jantar de ontem, ele faz a apresentação de caciques regionais da sigla a Meirelles, que insiste em se candidatar, e ganha tempo para articular um possível apoio a Alckmin.

Desde a semana passada, começou a circular uma hipótese que uniria os três: o nome de Meirelles como um potencial vice de Alckmin, na formalização da aliança PSDB-PMDB.

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