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Corrida global para a descoberta de medicamentos contra Covid-19

Desde que o coronavírus começou a ganhar expressividade no Brasil e no mundo, as autoridades começaram a pedir para que as pessoas ficassem em casa e evitassem aglomerações nas ruas, dando início ao período chamado de quarentena, onde a população acaba se submetendo a um isolamento.

Com isso, passou-se a criar uma grande impaciência em quem aderiu ao pedido dos governantes. Assim, o uso da internet acabou se tornando um meio de distração para grande parte da população de boa parte do mundo. Dentro das redes, o uso de plataformas sociais, meios de streaming, sites de entretenimento e jogos cresceram consideravelmente.

Se as previsões frequentes para a fabricação e distribuição de vacinas contra a covid-19 indicam entre meados e os últimos meses de 2021, há medicações e tratamentos que, se confirmados seus efeitos, podem ser a esperança mais próxima de combate ao vírus que colocou bilhões de pessoas em confinamento nas últimas semanas.

Organização Mundial da Saúde (OMS) anunciou o projeto SOLIDARITY

Em 20 de março, a Organização Mundial da Saúde (OMS) anunciou o projeto SOLIDARITY (“solidariedade”, em português), cujo intuito é realizar testes com as quatro drogas mais promissoras no tratamento contra o novo coronavírus, causador da Covid-19.

O estudo, que pretende incluir milhares de pacientes em dezenas de países, foi projetado para ser o mais simples possível, para que até hospitais mais sobrecarregados pela pandemia possam participar.

Participar do SOLIDARITY vai ser fácil, segundo a OMS. Quando uma pessoa com Covid-19 for considerada elegível para o teste, o médico deverá inserir os dados dela no site da OMS, incluindo qualquer condição subjacente que possa mudar o curso da infecção, como diabetes ou HIV.

Além disso, o profissional da saúde deve indicar quais medicamentos estão disponíveis em seu hospital, para que o sistema da OMS possa calcular os tratamentos possíveis.

Imagem do Coronavírus

Tratamentos e medicações

Segundo a OMS (Organização Mundial de Saúde), mais de 200 medicamentos antivirais estão sendo testados no mundo todo para o enfrentamento à pandemia.

O intuito da OMS é promover testes com medicamentos já existentes para acelerar o processo, já que criar compostos do zero pode levar anos, entre desenvolvimento e fase de testes. Além disso, os cientistas estão analisando drogas não aprovadas que tiveram um bom desempenho em estudos com animais contra outros dois tipos coronavírus, o SARS e o MERS.

Estudos australianos

Um estudo feito na Austrália pela Monash University observou que um remédio antiparasita, usado geralmente para tratar verminoses, foi capaz de inibir o crescimento do novo coronavírus Sars-CoV-2 em cultura de células, controlando o microorganismo em 48 horas.

O estudo da Monash University e feito em parceria com o Doherty Institute of Infection and Immunity, foi publicado na revista Antiviral Research, da Elsevier, no último dia 3.

Os cientistas observaram que uma dose única de foi capaz de combater o SARS-CoV-2. Atualmente, a Ivermectin está disponível no mercado em todo o mundo.

“Nós descobrimos que mesmo uma dose única pode essencialmente remover todo o RNA viral em 48 horas e que mesmo em 24 horas há uma redução significativa”, disse a doutora Kylie Wagstaff, que liderou a pesquisa.

Efetividade da medicação

Os cientistas alertam que, apesar do potencial de efetividade do medicamento observado em laboratório, ele ainda não pode ser usado com segurança em seres humanos infectados com o novo coronavírus, tampouco em casos de automedicação.

O estudo precisa ser continuado com testes clínicos e testes em humanos para concluir a efetividade da droga em doses seguras para humanos.
Em outros estudos, o Ivermectin já se mostrou eficiente contra outros vírus, como HIV, Dengue, Influenza e Zika vírus.

Pesquisa Chinesa

Na Universidade Tsinghua, de Pequim, um grupo de cientistas chineses isolou vários anticorpos que diz serem “extremamente eficientes” para impedir a capacidade do novo coronavírus de entrar nas células, o que pode ser útil tanto para tratar como para prevenir a Covid-19.

Já um novo estudo publicado por pesquisadores da Universidade de Pittsburgh, nos Estados Unidos, traz um projeto de vacina contra o novo coronavírus que já foi avaliado pela comunidade científica.

A pesquisa mostra avanços promissores na criação de uma vacina contra o vírus ao atacar as células ACE-2, às quais o novo coronavírus se liga ao corpo humano para se reproduzir e atacar o organismo, causando sintomas como febre, dores no corpo e dificuldade de respirar.

Cloroquina, Interferon e outros

A hidroxicloroquina, remédio contra malária e doenças autoimunes, ganhou fama na última semana por seu suposto potencial para combater o novo coronavírus (Sars-Cov-2). Isso inclusive fez muita gente, de maneira irresponsável, buscar o medicamento, o que terminou em desabastecimento nas farmácias.

Mas fármacos normalmente usados contra HIV, ebola, hepatite C e outras condições também estão sendo estudados como possíveis tratamentos da Covid-19.

Testar princípios ativos aprovados para outras doenças é uma maneira mais rápida de encontrar uma solução para o novo vírus. Ora, eles já são produzidos e tiveram sua segurança comprovada em estudos clínicos robustos antes de serem liberados pelas agências regulatórias.

A dúvida é se teriam eficácia diante do agente infeccioso por trás dessa pandemia atual e, se sim, qual a dosagem adequada para esse fim. No mundo, uma série de estudos vem sendo feitos nesse sentido, com diferentes moléculas.

A hidroxicloroquina, remédio contra malária e doenças autoimunes, ganhou fama na última semana por seu suposto potencial para combater o novo coronavírus (Sars-Cov-2). Isso inclusive fez muita gente, de maneira irresponsável, buscar o medicamento, o que terminou em desabastecimento nas farmácias.

Mas fármacos normalmente usados contra HIV, ebola, hepatite C e outras condições também estão sendo estudados como possíveis tratamentos da Covid-19.

Testar princípios ativos aprovados para outras doenças é uma maneira mais rápida de encontrar uma solução para o novo vírus. Ora, eles já são produzidos e tiveram sua segurança comprovada em estudos clínicos robustos antes de serem liberados pelas agências regulatórias.

A dúvida é se teriam eficácia diante do agente infeccioso por trás dessa pandemia atual e, se sim, qual a dosagem adequada para esse fim. No mundo, uma série de estudos vem sendo feitos nesse sentido, com diferentes moléculas.

Hidroxicloroquina e cloroquina

As duas moléculas, usadas no tratamento da malária e de doenças reumatológicas, possuem vias de ação parecidas. “É possível que elas tenham alguma ação no sistema imunológico, modulando a resposta do corpo ao invasor”, comenta Flavio Emery, presidente da Associação Brasileira de Ciências Farmacêuticas (ABCF).

Uma pesquisa francesa feita com 20 voluntários mostrou resultados positivos da hidroxocloroquina na Covid-19, o que, em conjunto com um discurso do presidente americano Donald Trump, levou a uma disparada de interesse pelo medicamento.

“Há muitos estudos sendo conduzidos com ela, mas os únicos dados publicados que temos até agora em seres humanos são os do trabalho francês, que está sendo criticado pela comunidade científica”, destaca Claudio Tadeu Daniel-Ribeiro, chefe do Laboratório de Pesquisa em Malária do Instituto Oswaldo Cruz, da Fiocruz.

Entre os pontos negativos, destaca-se o fato de a investigação ter sido conduzida com poucas pessoas e dispensar ritos básicos nos testes de um medicamento. Exemplos: não houve comparação com um medicamento placebo e os resultados não foram submetidos à análise de outros cientistas antes da publicação.

Um dos principais perigos dessa pressa, ressaltam os especialistas, são os efeitos colaterais graves da droga, incluindo complicações cardiovasculares, risco de insuficiência renal e hepática e alterações na visão.

“Trata-se de um medicamento tóxico, com risco de reações adversas”, aponta Marco Stephan, da Faculdade de Ciências Farmacêuticas da Universidade de São Paulo (USP).

Interferon

A OMS também avaliará os antirretrovirais descritos acima combinados com o interferon beta, atualmente incluído no tratamento da hepatite C.

“Ele ajuda a regular a inflamação do corpo, e suspeita-se que uma das razões para o agravamento dos quadros de Covid-19 seja justamente a resposta inflamatória exagerada do organismo”, explica Emery.

O composto demonstrou efeito positivo em estudos contra outro subtipo de coronavírus, o Sars-Cov, que esteve por trás da epidemia de Síndrome Respiratória do Oriente Médio (Mers) em 2002. Mas os experimentos foram feitos em células isoladas no laboratório, de modo que ainda é muito cedo para extrapolar os achados a seres humanos.

Remdesivir

Assim como os medicamentos usados para o HIV, o remdesivir é um composto que atua tentando conter a replicação de determinados vírus. Só que é uma droga experimental, que ganha uma segunda chance de demonstrar sua eficácia. A primeira ocorreu em 2019, durante o surto de ebola no Congo, sem efeitos positivos.

Duas pessoas com quadros graves de Covid-19 receberam o remdesivir nos Estados Unidos e se recuperaram bem. Um deles foi o primeiro caso diagnosticado naquele país. Mas esses são números pra lá de incipientes.

Rigor científico versus rapidez em tempos de crise

Está aí uma equação difícil de resolver. Geralmente, para que um remédio seja oficialmente indicado contra uma doença, mesmo que já tenha eficácia comprovada para outros males, é preciso cumprir etapas científicas rígidas (e caras).

Isso inclui estudos com número significativo de pessoas, comparando o efeito da droga em questão com um placebo, sem que os voluntários saibam o que estão recebendo. Entretanto, em um cenário tão fora da curva como a pandemia de Covid-19, é possível que haja uma flexibilização nesse ritual.

Os especialistas lutam agora para definir o meio termo. “Concordo que, em tempos de epidemia, não é possível demandar testes clínicos tão rigorosos. Mas fazer um trabalho com resultados pouco confiáveis também não serve de muita coisa”, explica Natália Pasternak, bióloga da USP e presidente do Instituto Questão de Ciência.

Na pesquisa SOLIDARITY, da OMS, os profissionais de saúde envolvidos devem obter consentimento do voluntário e inserir seus dados em uma plataforma, que automaticamente direciona de maneira randômica uma das drogas citadas para ele, de acordo com a disponibilidade local.

A partir daí, os médicos informarão dados como alta, óbito, duração da internação e outras medidas terapêuticas necessárias em cada paciente. A ideia é fazer tudo de maneira simples, porém criteriosa, para não sobrecarregar mais os já sobrecarregados profissionais de saúde na linha de frente do combate à doença.

“Trata-se de uma estratégia simplificada, mas ainda qualificada, para se obter o máximo de informação possível em um curto espaço de tempo”, destaca Emery.

Fonte: Socientifica, OMS e Redação Namidia

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