‘Bate desespero ver o carro boiando’, afirma vítima de enchente no ABC

São Bernardo do Campo foi uma das cidades mais atingidas por temporal.
Donos de carros alagados no Paço Municipal contabilizam prejuízos.

Lucas Mendes teve o carro 'tunado' atingido pela enchente no Paço Municipal de São Bernardo do Campo (Foto: Marcelo Mora/G1)

Cerca de três horas depois de cessar o temporal que atingiu a região do ABC na terça (17), a cidade de São Bernardo do Campo, uma das mais afetadas, já havia retomado a rotina.

No Paço Municipal, no entanto, funcionários da empresa de limpeza pública do município ainda tiravam a lama acumulada no estacionamento depois que as águas baixaram. Dentro do prédio, na recepção, foi necessária uma bomba para retirar a água represada nos banheiros. Alguns proprietários de veículos que ficaram presos na enchente contabilizavam os prejuízos, enquanto aguardavam o guincho da seguradora.

O bancário Lucas Mendes Martins, de 30 anos, assistiu, impotente, à cena de seu carro, um Celta prata, ser submerso aos poucos pela água que tomava conta do estacionamento. Ele trabalha há seis meses em uma agência bancária instalada na recepção do Paço Municipal.

Funcionários lavam estacionamento do Paço Municipal (Foto: Marcelo Mora/G1)

“Já tinham me falado que enchia de água aqui, mas a gente não espera. Eu estava no atendimento e uma mulher queria fazer um empréstimo bem na hora da chuva. Fica complicado deixar o serviço para tentar retirar o carro”, contou Martins. Quando se deu conta, já era tarde demais. “Enquanto isso, o carro já estava boiando. Bate um desespero. É uma sensação horrível”, lamentou.

O prejuízo só não vai ser total porque o bancário fez o seguro do carro. Mas dificilmente irá recuperar o gasto de R$ 1,5 mil que teve para “tunar” – incrementar o som com potentes alto-falantes e amplificador – o carro. “Isso com certeza é prejuízo na certa.”

Próximo ao Celta dele encontrava-se o Siena do contador Leandro Vieira, de 30 anos. Ele parou o carro no estacionamento do Paço para realizar um serviço na Prefeitura de São Bernardo do Campo. Obviamente, já estava informado de que o local oferecia riscos em época de chuvas, mas a necessidade falou mais alto. “Eu sabia que alagava, mas a chuva sempre pega a gente de surpresa”, disse.

Érica e William: 'Não dá para prever' (Foto: Marcelo Mora/G1)

Para o contador, falta investimento no local. “Isso aqui (o alagamento) é rotineiro, mas mesmo assim não tomam providências. Eu sei que é um processo demorado, mas vou estudar a possibilidade de entrar com uma ação, sim, para ser indenizado”, afirmou.

O técnico William Gomes, de 31 anos, por sua vez, decidiu registrar um boletim de ocorrência por conta do seu veículo, um Celta prata, também ter sido atingido pela cheia. A mulher dele, a professora Érica Oliveira, de 31 anos, decidiu parar o carro no estacionamento do Paço antes de seguir para a Universidade de São Paulo (USP), onde ia entregar um trabalho de conclusão de curso da pós-graduação, de carona com uma amiga.

No meio do caminho, ela soube da chuva e da enchente. Em seguida, ligou para o marido, que estava no trabalho, em um local próximo ao Paço, ir buscar o carro. Já era tarde. “Quando cheguei, já estava submerso. Só aparecia o teto do carro”, relatou William. “A região sempre tem problema, mas não dá para prever quando vai acontecer. Ainda não tinha caído aquela chuva de verão”, ressaltou Érica.

Apesar do contratempo, ela conseguiu entregar o TCC. “Até para entregar (o TCC) deu trabalho. Pelo menos o carro tem seguro e o prejuízo não vai ser tão gande”, comentou, tentando manter o bom humor diante da situação que promete se repetir neste verão com outros motoristas desavisados.

Leandro Vieira diz que foi pego de surpresa pelo alagamento (Foto: Marcelo Mora/G1)

 

G1

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