Além de Luíza: Canadá é a opção de 40% dos baianos que saem do Brasil para estudar

Hoje, um programa de quatro semanas de estudo, com direito a acomodação, sai mais barato ali do que nos EUA

Na contramão do caminho feito por Luíza, que acaba de voltar  do Canadá, muitos baianos querem trocar o sol e a água de coco pela terra fria do maple leaf (folha de olmo), símbolo daquele país. Totalmente desconhecida pelo público até a semana passada, a adolescente  paraibana Luíza Rabello, de 17 anos, foi citada pelo pai num  comercial de TV sobre um empreendimento imobiliário em João Pessoa, na Paraíba. Ele dizia que todos da família iriam aproveitar o novo apartamento, “menos Luíza, que está no Canadá”. Foi a conta para que o anúncio, tido como engraçado e até ridículo,  caísse na internet, transformando-se numa verdadeira febre nas redes sociais.

Mas não foi só  Luíza que escolheu  o Canadá quando decidiu viajar. Segundo as agências de viagens, só na Bahia, em torno de 40% dos intercambistas escolhem o país na hora de estudar fora.

A supervisora da agência CI Salvador, Juliana Tanajura, atribui a preferência à tranquilidade, ao alto nível de qualidade de vida e a segurança que os viajantes encontram. “Os estudantes sempre têm sucesso no Canadá”, afirma.

Experiência
Sem queixas e com saudades. É assim que o estudante de Engenharia Leandro Bastos caracteriza sua experiência no Canadá. Ele foi para lá  fazer um programa de high school – o equivalente ao 2º grau de uma escola brasileira.

Bastos conta que escolheu o Canadá para aprender a língua inglesa e por poder escolher a cidade para a qual iria dentro do programa. “Gostei muito e tenho planos de voltar para fazer um curso. O Canadá acolhe bem as pessoas e  dá  oportunidade de conhecer pessoas de outros países, como japoneses, chineses, coreanos”, argumenta.

Crise
Outro quesito em que o Canadá tem se destacado é a facilidade para fazer um programa que possibilite ao estudante aprender inglês e trabalhar. A diretora da agência ETC Intercâmbio na Bahia, Vanessa Moreira, acrescenta que a economia foi menos afetada lá do que em países europeus e nos EUA.

“Não temos relatos de estudantes que encontram dificuldades para conseguir
um emprego no país. Os canadenses também são muito abertos aos estrangeiros”, comenta.

Hoje, um programa de quatro semanas de estudo, com direito a acomodação, sai mais barato ali do que nos EUA. Vanessa informa que são
US$ 1.590 (em torno de R$ 3 mil) para o programa canadense, contra US$ 1.820 (R$ 3.439) para o mesmo curso no país vizinho.

Porém, as dificuldades para o visto também devem ser consideradas. “Desde que a pessoa comprove que tem como se sustentar no Canadá, é difícil ter o visto negado”, assegura Vanessa. O visto canadense sai em, no máximo, 30 dias, e não requer entrevista, como o americano.

Motivo
Além dessas facilidades, Carolina Oldoni, que  esteve no Canadá por um ano, conta que a paciência que os canadenses têm com quem ainda não é fluente em inglês he conquistou. “Quando estava escolhendo para onde ir,  as agências me recomendaram  o Canadá”, conta. Hoje, o acolhimento do povo faz Carolina sentir falta das terras frias. “Eles são muito amigáveis. Lembram os brasileiros”,  compara.

Imigração Lise Robert, proprietária da escola Clic, especializada no ensino de francês para o Canadá, informa que a imigração para a província de Quebec, parte francesa do país, é bem procurada. “Todo o processo do visto, para morar em definitivo, leva um ano e meio. Mas é preciso que a pessoa tenha uma base de francês, o que representa  150 horas-aula”, diz. Hoje, o curso custa cerca de R$ 2 mil.

Venda de apartamentos aumentou graças a  Luíza
Se a ideia era vender apartamentos, a agência de publicidade Oficina de Propaganda conseguiu. Desde que a peça criada pelo publicitário Alberto Arcela com uma frase aparentemente fora de propósito virou febre na internet, a venda de unidades no empreendimento Saint Germain saltou de cinco para oito apartamentos por semana, aumento considerado alto para empreendimentos de alto padrão. Localizado num bairro nobre da capital paraibana, o prédio tem 72 unidades, com cerca de 220 metros quadrados, quatro suítes e quatro vagas na garagem, com preços iniciais de R$ 750 mil. São apenas dois apartamentos por andar e mais duas coberturas, que custam
R$ 1,2 milhão cada uma. Antes do comercial ser veiculado, 10 unidades haviam sido vendidas em duas semanas. Após Luíza no Canadá, foram oito vendas fechadas em sete dias. O sucesso foi tanto que a construtora Água Azul quer Luíza como sua garota propaganda oficial por pelo menos um ano. “Eles têm todo interesse, mas não sei se ela vai querer, agora que conquistou visibilidade nacional”, diz Arcela, que tem a construtora como cliente há 20 anos. O cachê de Luíza será quatro vezes maior que o de seu pai.

O BRASIL SÓ FALA EM LUÍZA
Concorrência:  Para pegar carona no sucesso de Luíza, uma construtora concorrente na Paraíba veiculou um anúncio que dizia: “Luíza, pode voltar. Tem empreendimento de primeiro mundo no Miramar”.

Jogo:“Ajude Luíza, que está no Canadá, a combater os inimigos na montanha gelosa. Ela precisa voltar ao Brasil, mas para isso precisa superar os perigos no gelo”, diz as instruções do joguinho lançado no Facebook.

Lenine: “Veio todo mundo! Só não veio Luíza, que está no Canadá!”, disse o cantor durante um show na Paraíba.

Globo:
 A frase que deixou a menina famosa ganhou nova versão na Rede
Globo “Menos Luíza, que está no JH (Jornal Hoje)”.
Fakes  Como toda figura pública, Luíza ganhou vários perfis falsos em redes sociais. Ontem, no Facebook, fervilhavam cinco perfis de Luíza.

Fãs:
  No Facebook, até um fã-clube oficial foi criado para ela, que estava no Canadá.

Irmão:
 O irmão de Luíza – que também já foi pro Canadá – se assustou com a repercussão. “Agora estou realmente impressionado, amigos mexicanos e canadenses falando sobre o sucesso de #luizaestanocanada”, postou no Face.

SAIBA MAIS SOBRE O CANADÁ
Capital: Ottawa
Língua:  Tem duas línguas oficiais, o francês e o inglês
Extensão:  9.970.610 km²
Fronteiras: Estados Unidos, Rússia e Ilhas Árticas
População: 27 milhões de habitantes
Densidade populacional: três habitantes por km²
Clima: Temperado, com invernos rigorosos
Esporte:   O hóquei é o mais praticado
Moeda:  Dólar Canadense (que equivale a R$ 1,89)
Indígenas:   O país tem 540 mil índios registrados (1,8% do total da população)

O país que respeita a minha mãe
(Artigo por Luciana Rebouças)

Muito antes de Luíza, eu já tinha ido e voltado do Canadá. Tomei a decisão, baseada em tudo que tinha estudado nos tempos de colégio. A minha principal pergunta era – como seria morar em um país que tem os maiores Índices de Desenvolvimento Humano – os famosos IDHs das aulas de Geografia. Pois bem, traduzo o Canadá em poucas palavras: qualidade de vida. Que me desculpem todos que viveram estes anos comigo, mas nunca fui tão feliz!
No Canadá, peguei metrô na hora em que queria, custei a me adaptar ao fato de que poderia levar meu notebook para qualquer lugar sem medo de ser roubada e, o mais importante, conheci um povo aberto e amigável. Não tenho como descrever como fui bem tratada nessas terras que julgam tão frias.

Morei em quatro casas diferentes no país, sendo uma delas de favor. Amizades? Não faltou quem não me estendesse a mão na hora em que precisei. Outra razão que me fez uma eterna apaixonada pelo Canadá é a quantidade de estrangeiros das mais variadas origens que trocam suas terras para ajudar a povoar aquele país. Foi lá que descobri que existe uma nação, embaixo da Rússia, chamado Moldávia. E quantos amigos da Moldávia pude fazer… No Canadá, também descobri que existem dois tipos de estudantes estrangeiros. Aqueles que deixam seu país para se lamentar de tudo que estão sentindo falta e os  que se permitem descobrir uma novidade por hora. E hoje este se tornou meu primeiro conselho para qualquer pessoa que queira deixar o Brasil: você está aberto a viver longe de tudo que conhece?

Uma colega, da casa da família na qual me hospedei, chorava todos os fins de semana. Eu comecei a chorar a uma semana para a minha volta.

Saudades da minha família, dos amigos, do amor… Senti. Mas tenho o Canadá como a minha segunda terra. E nunca esquecerei um telefonema que dei para  minha mãe, como considero a minha avó de 80 anos, que me esperou voltar. “Você precisa vir morar aqui. O ônibus para no ponto e abaixa os degraus no mesmo nível do passeio, para as pessoas mais velhas subirem sem dificuldades. Você precisa ver como eles respeitam as pessoas aqui, minha mãe”, contei.

Fonte: Correio

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