Um dos chefes da organização que cavou um túnel em um galpão em Campo Grande (MS), já fugiu da prisão cavando outro túnel.
“O buraco parte de uma edícula e um deles cavava uma média de 2 a 3 metros por dia e este já fugiu da prisão cavando túnel. Lá ele conheceu outro comparsa com passagem de roubo a banco e este o ajudou na ação criminosa, tanto para fuga da cadeia quanto agora na tentativa de chegar ao cofre do Banco do Brasil”, afirmou o delegado João Paulo Sartori, responsável pelas investigações.

“Para manter a estrutura, onde eles alugaram um galpão comercial em maio deste ano, havia um alto custo, sendo em torno de R$ 21 mil semanais. Primeiro eles alugaram o local com uso de documento falso e, a princípio, o proprietário não tinha conhecimento da ação criminosa. Depois, eles fizeram uma porta para tampar a vista da edícula e, em seguida, começaram a cavar túnel.”

Como era o túnel
Ele, juntamente com o restante do grupo, cavou um túnel de 6 metros de profundidade e cerca de 70 metros de cumprimento. A cada cinco metros, o local tinha iluminação e ventilador.
“Eles também mantinham um freezer com água mineral, todas sem rótulos para despistar qualquer rastreamento”, explicou Sartori.
Logo após a diária de trabalho, os bandidos espalhavam cal no imóvel para dificultar a possível ação policial. Nos últimos seis meses, eles estocaram milhares de sacos de terra, que quase chegavam ao teto do galpão.

“Ali tinha o local em que eles tanto estocavam terra como descansavam, há seis meses. É o mesmo período que eles já vinham sendo investigados aqui no Garras [Delegacia Especializada em Repressão à Roubos a Bancos, Assaltos e Sequestros]. A investigação também apontou que um deles tinha um empresa de construção em Cuiabá e lá ele disse pra mulher vender tudo porque iriam trabalhar na obra de um shopping em Campo Grande, no qual ganhariam muito dinheiro”, explicou o delegado.
Única mulher do grupo fazia contabilidade
A única mulher do grupo soube do que realmente se tratava e passou a fazer serviços de contabilidade para os suspeitos.
Além do custo operacional com gasolina, alimentação, o grupo também gastava comprando cal e fazendo investimento em ferramentas e equipamentos de inteligência.
“Pelo que foi apurado não ia ter explosão ali, eles usariam a força com macacos hidráulicos. Eles também tinham aparelhos de rastreamento, como bloqueador de sinal eletromagnético para desligar qualquer sinal de aparelho celular, wi-fi e ainda retiraram os rótulos das garrafas de água para não serem rastreados. Toda a origem do dinheiro para manter essa estrutura está sendo investigada e suspeitamos que seja de origem ilícita”, disse Sartori.
O inquérito foi instaurado como organização criminosa, uso de documento falso e tentativa de roubo. Na sede da delegacia, além dos presos, foi apreendido um caminhão e duas caminhonetes usadas pelos bandidos.

Clique aqui para ver mais casos de polícia.
Com informações de: G1