Vai ter Carnaval ou não? Saiba o que esperar das festas e da Covid-19 na Bahia

Com a abertura de pequenos eventos com até 1,1 mil pessoas na Bahia, a realização do Réveillon e do Carnaval ainda não tem confirmação e muita coisa está para ser decidida. Uma reportagem do CORREIO antecipou algumas informações sobre o que se pode esperar sobre as festas e a segurança em relação à Covid-19 no estado. Confira:

Primeiramente é importante destacar que, mesmo com os retornos, a ciência ainda aponta preocupações que devem ser levadas em conta. É por isso que, por exemplo, a Empresa Salvador Turismo (Saltur) ainda nem fala em eventos públicos.

Projetando que a população soteropolitana adulta estará totalmente vacinada até dezembro, o prefeito Bruno Reis (PDT) disse que os ensaios de verão terão condições de acontecer a partir do fim do ano e que tais eventos servem de “teste” para festas maiores como o Festival da Virada e o próprio Carnaval.

O gestor afirmou, inclusive, que, se os indicadores da Covid-19 continuarem caindo, é possível até ampliar o público permitido nos eventos.

Considerada a população estimada de Salvador conforme o IBGE, até o momento cerca de 45% dos soteropolitanos já estão com o esquema vacinal completo — ou seja, com as duas doses da vacina ou com o imunizante de dose única.

Com isso, a prefeitura adotou o Certificado de Vacinação, um cartão que passará a ser exigido para acessar eventos, restaurantes e estabelecimentos.

Desde agosto que o produtor e empresário sócio do Hype Bar, Rodrigo Bouzon, só libera a entrada de clientes vacinados no seu estabelecimento, na Pituba. O requisito mínimo é a aplicação da primeira dose.

Essa medida antecipa um comportamento que certamente vai ser frequente neste verão na Bahia.

O retorno

À frente de eventos como o festival Sollares e Réveillon 7 Mares, Bouzon conta que nunca parou de receber perguntas das pessoas sobre quando seria o retorno destas e de outras festas que ele realiza.

“Sinto que as pessoas estão ansiosas para poder voltar a curtir. Festa muda o humor, traz momentos especiais, marcantes. Acho que quem perdeu familiares quer liberar tristeza e a gente sabe que muitos buscam na música essa saída”, disse ele.

As vendas para o Réveillon 7 Mares, na Villa Jardim dos Namorados, também na Pituba, já foram iniciadas e o empresário conta que, a princípio, a festa será para 1 mil pessoas. Lá na frente, se os decretos permitirem, pensam em ampliar para 2 mil ingressos.

O espaço cabe até 5 mil pessoas, então, mesmo se houver a ampliação, o número será menor do que 50% da capacidade. Hoje, os protocolos da prefeitura determinam que o limite de participantes é de 75% da capacidade total do local. Se isso não for cumprido, a fiscalização da Sedur tem poder de encerrar o evento e mandar todo mundo para casa.

“Tradicionalmente, recebemos um público mais família, e muito por conta disso a gente tem que seguir à risca ao máximo o que for determinado. Na Villa cabem 5 mil pessoas, mas mesmo se tiver flexibilizações, vamos manter a festa com, no máximo, 2 mil e cobrando certificado de vacinação”, conta. 

A festa terá como atração principal o Forró do Tico, será open bar e está com entrada a R$ 200. No site de venda dos ingressos há o informe prévio de que será necessário comprovar ter tomado as duas doses ou dose única, apresentando na hora da entrada a tela do app Conecte SUS, do Ministério da Saúde.

Até o verão de fato chegar, a tendência será encontrar eventos de menor dimensão em Salvador. Paulilo, empresária produtora do evento Paulilo Paredão, retomou oficialmente a realização da festa agora em outubro.

Neste mês, já aconteceu uma edição e mais duas vêm aí, todas com ingressos esgotados, com preços de R$ 5 a R$ 10. A organização avisa que não adianta chegar lá na hora porque não vai ter venda de bilhetes na porta. 

“Nosso primeiro cuidado é com o limite de público. A gente procura um local grande, com boa circulação de ar, para ficar confortável para todo mundo. Nosso movimento é na rua, em bairro, buscamos local onde a gente possa controlar para que não lote. A procura tá babado, mas queremos que seja um momento de celebração, não de contaminação”, contou ela.

Possivelmente, haverá duas edições do paredão em dezembro, mas a divulgação não começou porque falta confirmar as atrações. Mas uma coisa já está certa: quem quiser participar, vai ter que comprovar que tomou a vacina.

Sócio da Memo Produtora, Eduardo Punzi, um dos realizadores da Vuh Bahia — festa que ocorreu no Trapiche Barnabé no último fim de semana —, conta que os eventos têm seguido outras determinações como: equipes de trabalho todas com máscaras e face shield, totens de álcool em gel espalhados, entrada com três baias diferentes (conferência de ingresso, vacina e revista) a fim de evitar aglomeração e vendas de apenas metade da capacidade do espaço. 

Eduardo aponta, no entanto, uma dificuldade notada na experiência da festa recente: foi difícil controlar as pessoas para que usassem máscara o tempo inteiro.

Taxa de transmissão

A imunologista Viviane Boaventura, pesquisadora da Fiocruz e da Rede Covida, diz que o cenário ideal para festas passa por haver uma baixa taxa de transmissão do vírus na comunidade. Em Salvador, essa taxa ficou em 0,94 na última semana, segundo o Geocovid, o que significa que cada 100 pessoas transmitem a doença para cerca de outras 94 pessoas.

A taxa precisa se manter abaixo de 1 para que a pandemia seja considerada controlada. No entanto, há a emergência da variante Delta, que chegou na Bahia há pouco mais de um mês e que ainda pode trazer efeitos.

Boaventura diz que é importante ter uma elevada taxa de pessoas completamente vacinadas para que eventos sejam liberados e é necessário conscientizar os participantes sobre os riscos que eles correm ao irem.

Ela afirma que, mesmo em locais abertos e com público vacinado, é preciso manter-se usando máscaras e evitar aglomerações. “As vacinas protegem de casos graves, mas as pessoas ainda podem transmitir, estar vacinado não impede a transmissão”, disse ela.

E já não adianta qualquer máscara, de acordo com Viviane Boaventura, é preciso incentivar o uso de máscaras de qualidade, que garantam vedação ao rosto. “Tem momentos em que as pessoas vão ingerir bebida, água, e é importante que se tenha distanciamento na retirada da máscara”, completa.

Além disso, a pesquisadora também defende que é preciso que exista uma vigilância após o evento, uma linha direta para que seja possível saber se houve registros de casos de infecção depois do evento. Isso não tem sido feito na Bahia.

Em eventos já realizados mundo afora, pesquisadores têm aproveitado para analisar a taxa de transmissão e o que tem se observado, segundo conta ela, é que se mantém um risco grande, mas a prática do uso de máscaras e do distanciamento minimizam a transmissão.

Por enquanto, não dá para fazer grandes previsões do que deve acontecer, tudo depende da dinâmica da epidemia — como, por exemplo, se haverá ou não o surgimento de novas variantes que possam ameaçar a perda de eficácia das vacinas.

Em boletim emitido na quinta-feira (7), a Fiocruz apontou um cenário otimista, mas com números de 500 mortes diárias no país. Em abril, o Brasil teve picos de mais de 3 mil óbitos por dia. A queda expressiva é apontada como um sucesso da vacinação. 

A Bahia é considerada fora da zona de alerta em relação à disponibilidade de leitos — a ocupação geral está em 25%, mesma da capital.

É hora de voltar!”

No mês passado, a Associação Brasileira de Promotores de Eventos (Abrape) divulgou um manifesto com o lema “É hora de voltar!”.

O segmento está há 19 meses paralisado e a entidade afirmou que as manifestações políticas têm levado milhares às ruas e que, mesmo após elas, os “números de casos seguem reduzindo”. Isso, para a Abrape, mostra que “é possível a retomada do convívio em massa”.

Um levantamento recente da PwC, com dados de junho, apontou que, naquela ocasião, 32% dos brasileiros afirmaram estarem dispostos a participar de atividades esportivas ou shows. 

A Abrape criou uma plataforma chamada Radar de Eventos para estipular a retomada das atividades festivas em alguns lugares. De acordo com eles, Bahia e Minas Gerais são os estados que apresentam índices aceitáveis para liberação de eventos.

O projeto estabelece um índice aceitável de três mortes por milhão de habitantes para avaliar um retorno seguro e é semelhante ao que é adotado nos EUA e Reino Unido.

Afinal, vai ter Carnaval ou não?

Com a liberação desses eventos menores, cresce a ansiedade dos fãs da folia para saber se, afinal, vai ter Carnaval ou não.

A decisão sobre a realização do Carnaval de Salvador será tomada esse mês, garantiu Bruno Reis. O Festival da Virada não está 100% confirmado, mas tem grandes chances de ocorrer.

As festas são parte importante da economia soteropolitana e, segundo Eduardo Punzi, a principal dúvida dos seus clientes do Sudeste é quanto à realização dos grandes eventos. O pessoal quer planejar a viagem e garantir os ingressos.

Uma pesquisa recente do Booking, plataforma de hospedagem, apontou que 2 em cada 3 brasileiros disseram ter planos de viajar nos próximos 3 a 6 meses.

No último verão com Carnaval, cerca de 40% dos foliões que visitaram Salvador eram da própria Bahia, 48% de outros estados e quase 14% foram estrangeiros. O estado de São Paulo foi o maior emissor de turistas para Salvador. Argentinos, alemães e italianos foram os principais visitantes estrangeiros, segundo dados do Observatório do Turismo. Desta vez, haverá uma mudança nesse perfil de visitantes e é provável que se tenha menos gente de fora e mais baianos.

Para novembro de 2021, o Aeroporto de Salvador informa que a oferta de assentos já é 52% maior do que no mesmo mês em 2021. Esses números são um termômetro do interesse das pessoas por um destino. A temporada de cruzeiros foi liberada pelo governo federal e estão programados 90 navios entre os portos de Salvador e Ilhéus de novembro a março. Além disso, 12 marinas e atracadouros serão entregues nessas duas cidades, o que vai incentivar o turismo náutico, e embarcações tomarão conta da paisagem nesse verão.

Responsável por ajudar a promover a Bahia como destino, o segmento da publicidade está confiante de que o estado será campeão de procura nesse verão. “Já somos um destino muito desejado por brasileiros e há um otimismo relacionado à Bahia, diferente do Rio de Janeiro, que concentrou muitas mortes por covid-19 e violência. Se tivemos consciência e as pessoas se vacinarem, dá para fazer um verão bom para todo mundo”, diz Américo Neto, presidente da regional da Associação Brasileira de Agências de Publicidade (Abap-BA).

14 FESTAS ANUNCIADAS NA BAHIA ATÉ O FIM DO ANO

ATENÇÃO: Todos os eventos exigem comprovação de vacinação completa

Outubro

É O Tchan na Praia, Filhos de Jorge e DJ Chamusca
11 de outubro, às 16h
Pier XV, Lauro de Freitas
Vendas: Sympla
Informações: @pierxv

Arrocha Sunset com Kart Love
11 de outubro, às 15h
Beach Club Mama África, Morro de São Paulo
Vendas: Sympla
Informações: @mamaafrica.iateclub

Biergarten – O Retorno
Filhos de Jorge e Faustão 
24 de outubro, 15h
Trapiche Barnabé, Salvador
Vendas: Sympla
Ingressos esgotados

Turnê Infinito – Thiaguinho
23 e 24 de outubro, 18h
Centro de Convenções de Salvador
Vendas; Sympla
Informações: @oquei_entretenimento

Novembro

Tayrone e Thiago Aquino
1 de novembro, às 21h
Wet’n Wild, Salvador
Informações: @ssaproducoes

Show de Belo
21 de novembro, às 16h
Píer XV, Lauro de Freitas
Vendas: Ticket 360
Informações: @pierxv

Dezembro

Pida Music Festival
Atrações em breve
03 a 19 de dezembro
Vendas em breve

Encontro – Léo Santana, Parangolé e Harmonia do Samba
12 de dezembro
Salvador
Vendas: Em breve
Informações: @showoencontro ou @ssaproducoes

Festa Hangar
João Gomes, Tayrone, Robyssão, Thiago Aquino, Tarcísio do Acordeon e Vitor Fernandes
25 de dezembro, 19h
Valente
Informações: @hangarvalente

Réveillon

Réveillon 7 Mares
Forró do Tico, DH8, Guga Meyra e DJ Pedro Chamusca
31 de dezembro de 2021, 20h
Vila Jardim dos Namorados, Pituba, Salvador
Vendas: Sympla e Clínica do iPhone
Informações: 


Fonte: CORREIO

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