Santa! E agora? O que muda após a canonização de Dulce

(Foto: Arisson Marinho/Arquivo CORREIO)

Desde janeiro de 2017 uma escultura de 4 metros de altura representando Irmã Dulce está no topo do Complexo de Roma, onde estão instaladas as Obras Sociais fundadas pela freira.

A partir de 2020 a ideia é que os visitantes do complexo possam subir até a base da estrutura para ficar mais perto da nova Santa da Igreja Católica. Será um mirante, segundo apurou o site Correio 24 Horas com fontes ligadas ao projeto, que dará para ver também a Igreja do Bonfim.

Esse será um dos pontos de novidade do Caminho da Fé, anunciada no ano passado pela prefeitura, poderá atrair milhares de pessoas à capital com o objetivo de criar um espaço para peregrinação de fiéis entre a Basílica da Conceição da Praia, passando pelo santuário de Irmã Dulce até a Basílica do Bonfim.

“Temos uma expectativa de aumento significativo do turismo religioso em Salvador e por isso estamos fazendo um conjunto de intervenções. A mais significativa delas é o caminho da fé. Estamos requalificando a região dos Dendenzeiros. A ideia é que o turismo religioso seja um elemento de importante atração de peregrinos. O calendário de eventos religiosos também será impulsionado”, afirmou o prefeito ACM Neto destacando ainda que a prefeitura mantém o auxílio constante às demandas das Osid.

Prefeito ACM Neto participou da cerimônia de representação do corpo de Irmã Dulce (Foto: Betto Jr./Arquivo CORREIO)

A ideia é que o turismo religioso seja um elemento de importante atração de peregrinos. O calendário de eventos religiosos também será impulsionado, diz ACM Neto, prefeito de salvador

Dentro do projeto do Caminho, a Avenida Dendezeiros, no bairro do Bonfim, passa por requalificação com alargamento de uma das calçadas, arborização do caminho, maior iluminação pública, além da implantação de 14 totens informativos e acessibilidade.

O secretário de turismo de Salvador, Cláudio Tinoco, indica que além do Caminho da Fé, outras ações também foram realizadas pela Prefeitura para atrair mais turistas que vêm para a cidade com a motivação religiosa, como a requalificação da Colina Sagrada, do Terreiro de Jesus e do centro cultural do Gantois.

A canonização de Irmã Dulce com certeza é um pontapé inicial para que mais ações nessa área sejam realizadas, diz Cláudio Tinoco, secretário de turismo de salvador

“Acredito que nós ainda precisamos explorar muito a área do turismo religioso em Salvador, que é uma cidade tão rica nesse sentido, com suas mais de 365 igrejas e toda sua história com religiões de matrizes africanas e judaicas. A canonização de Irmã Dulce com certeza é um pontapé inicial para que mais ações nessa área sejam realizadas”, destaca Tinoco lembrando ainda que há conversas para que haja uma ampliação das áreas da cidade onde o turista pode ver os passos de Dulce.

“Não há nada ainda estruturado oficialmente que não seja o Santuário e o Memorial. Mas existem muitas conversas sobre a possível estruturação tendo em vista o potencial que esses lugares têm”, afirma.

(Foto: Divulgação)

O governador do estado, Rui Costa, acredita que com a canonização de Irmã Dulce haverá um reforço no turismo religioso. “Hoje recebemos muitos turistas que vêm conhecer nossas igrejas, a exemplo da Igreja do Senhor do Bonfim, não apenas pelo patrimônio arquitetônico e valor cultural, mas pela religiosidade. Agora, com a primeira santa brasileira, teremos um grande fluxo de turismo. A canonização vai repercutir em toda a cadeia econômica do turismo no estado, que já tem destinos bastante consolidados também no interior, a exemplo de Bom Jesus da Lapa. Na Cidade Baixa, nós temos feito obras que visam integrar o Largo de Roma, abraçando as Obras Sociais Irmã Dulce. Estamos investindo em toda a Cidade Baixa para melhorar a infraestrutura da região, inclusive teremos agora o VLT [Veículo Leve de Transporte], que passará pela Calçada e, quem sabe um dia, chegará até o Bonfim”, avaliou o gestor estadual.

Mesmo antes da cerimônia de canonização, ocorrida ontem, o impulso do turismo já pôde ser percebido. O Memorial Irmã Dulce, que compõe o complexo da Osid no Largo de Roma, somente em agosto recebeu mais de 12 mil visitantes. Esse número é mais que o triplo do resultado de agosto do ano passado. O ano de 2018 todo foram 64 mil visitantes, segundo dados da Osid.

“Teremos, com certeza, um incremento na visitação do santuário de Irmã Dulce e do Caminho da Fé, no Bonfim. Esse olhar para Salvador movimentará as mais de 370 e tantas igrejas que a cidade possui”, afirmou o presidente da Federação Baiana de Hospedagem e Alimentação (FeBHA), Silvio Pessoa.

A canonização vai repercutir em toda a cadeia econômica do turismo no estado, que já tem destinos bastante consolidados também no interior, a exemplo de Bom Jesus da Lapa, diz Rui Costa, governador da Bahia

Em obras, santuário reabre as portas ainda este ano (Foto: Mauro Akin Nassor/Arquivo CORREIO)

O presidente do Salvador Destination, Roberto Duran, acredita que o setor ganhará impulso com o fato de Dulce se tornar santa. “Exemplos semelhantes aconteceram em outros lugares do mundo. Foi assim que aconteceu com Lourdes, Fátima, Lapa e é assim que acontece com esses roteiros voltados para o turismo religioso”.

Fausto Franco, secretário de turismo do estado, destacou que a Bahia já tem uma vocação para o turismo religioso, com municípios já consolidados neste segmento que será impulsionado com a canonização de Dulce.

“É um turismo diferenciado, que não se pauta pelas estações do ano, os fiéis viajam em qualquer época. Neste sentido, a canonização de Irmã Dulce vai potencializar ainda mais essa vocação. O estado está fazendo obras de infraestrutura no entorno do Santuário de Irmã Dulce e divulgando em eventos da área de turismo”, afirmou o secretário destacando que está sendo impulsionado o roteiro da fé saindo da igreja da Conceição da Praia, passando pelo Santuário de Irmã Dulce, igreja do Bonfim, Paróquia Nossa Senhora dos Alagados e São João Paulo II até chegar ao Mosteiro de Coutos.

Devoção por Dulce deve impulsionar o turismo (Foto: Mauro Akin Nassor/Arquivo CORREIO)

Distante 310 km de Salvador, a cidade de São Cristóvão, em Sergipe, espera também receber muitos devotos. Lá está o Convento do Carmo, onde Dulce seus primeiros passos na vida religiosa nos anos 1930.

“São Cristóvão já tem uma tradição religiosa muito forte. Por sermos a quarta cidade mais antiga do País, temos um acervo arquitetônico rico, o qual inclui igrejas com traços barrocos. A canonização de Irmã Dulce fortalece nosso perfil para turismo religioso. A história e trajetória dela são muito fortes no município. Acreditamos que podemos atrair turistas de todo o País interessados em conhecer onde ela iniciou a vida religiosa, como vivia, o local que estudava e dormia, por exemplo, o caminho que fez ao desembarcar na cidade”, afirma o prefeito Marcos Antonio de Azevedo Santana.

No convento já há um memorial que está sendo ampliado e será integrado na cidade. “ Pretendemos implantar o roteiro turístico religioso com memorial de Irmã Dulce, loja de artigos religiosos, visita guiada ao convento que a primeira santa brasileira frequentou e reconstrução dos sete passos de Dulce ao chegar no Centro Histórico da cidade. Para isso, técnicos de turismo da Prefeitura têm negociado com a Cúria Metropolitana de Aracaju, com os frades Carmelitas e com a Organização Sociais de Irmã Dulce, em Salvador”, diz o prefeito.

Convento do Carmo, em São Cristóvão (SE) , foi onde Dulce se ordenou freira (Foto: Divulgação)

São Cristóvão já tem uma tradição religiosa muito forte. A canonização de Irmã Dulce fortalece nosso perfil para turismo religioso, diz Marcos Antonio de Azevedo Santana, prefeito do município

Fonte: CORREIO

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