Motorista de app denuncia passageiro por assédio e agressão durante o carnaval

Motorista de app agredido

O motorista de transporte por aplicativo Daniel Lima registrou boletim de ocorrência na delegacia de Lauro de Freitas, na região metropolitana de Salvador, depois de ter sido assediado e agredido por um passageiro, em uma corrida na saída do carnaval da capital baiana. O caso aconteceu na manhã do último domingo (23). As informações são do portal G1.

“Foi umas 6h30. Peguei essa corrida em Ondina, para um hotel em Lauro de Freitas, em Buraquinho. Ele entrou no carro e começamos a conversar. Ele disse que tinha trabalhado muito no carnaval, que fazia parte da equipe administrativa do DJ Alok. Deu detalhes sobre o DJ, falou do irmão gêmeo dele [de Alok], da festa Universo Paralelo. A corrida, pelo aplicativo, daria mais de R$ 150, então acertamos o valor fora do aplicativo por R$ 100. Fiquei logo alegre de fazer a corrida, porque era um dinheirinho a mais”, contou Daniel.

Segundo ele, o homem se identificou com um nome que ele não sabe se é o dele. “Ele próprio tinha se identificado com esse nome, mas eu não sei se é o nome verdadeiro dele, nem se ele realmente trabalha para o Alok”, disse. A assessoria do DJ Alok informou que não existe nenhuma pessoa na equipe com o nome identificado pelo motorista. A assessoria disse ainda que toda a logística do time do artista é feita por motoristas contratados pelo escritório e contratantes dos shows em vans credenciadas.

No meio da corrida, Daniel parou em um posto de gasolina para abastecer o carro. Enquanto o veículo estava sendo abastecido, ele aproveitou para descer e urinar no banheiro da loja de conveniência. O motorista disse que deixou cerca de R$ 25 no carro, dinheiro que usa para dar troco aos passageiros, mas notou que o valor tinha sumido ao voltar para o veículo.

“Quando eu voltei para o carro, eu segui viagem. E aí eu olhei onde guardei o dinheiro e não estava lá. Olhei no meu bolso antes de perguntar a ele e não estava. Eu pensei: ‘Será que ele roubou meu dinheiro? Um cara que está em um hotel bom’. Mas eu não quis acusar. Aí eu pensei: ‘Na hora que ele abrir a pochete eu vou olhar’, mas não disse nada a ele”.

Daniel conta que em um determinado momento, na região da Avenida Luís Viana, também conhecida como Paralela, o homem o assediou.

“No caminho, ele passou a mão em mim, querendo apertar meus órgãos sexuais. Aí eu pedi para ele parar, porque eu não sou homossexual. Eu comecei a conversar para distrair ele e ele não mexer mais comigo. Aí, na região do Parque de Exposições, ele mexeu de novo comigo, da mesma forma. Eu perguntei a ele se ele não tinha entendido que eu não curtia. E pedi para parar novamente, porque já estava chegando no destino dele”, lembrou Daniel.

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Quando chegou no destino da corrida, Daniel percebeu o dinheiro guardado na pochete do passageiro. “Foi só ele abrir a pochete, que eu vi meu dinheiro bem em cima. Aí eu disse a ele: ‘Você pode me devolver esses R$ 25 que o senhor pegou no meu carro, na hora que eu fui no banheiro? Você tem seu dinheiro e eu estou trabalhando’. E ele devolveu o dinheiro. Na hora de pagar a corrida, ele não queria pagar em dinheiro, como acertamos, queria pagar no cartão. Eu disse que no cartão tinha um valor a mais, por causa dos custos e que ficaria R$ 120. Depois que ele pagou, ele pediu um recibo e eu dei”, contou.

Depois que o valor da corrida foi acertado e o homem desceu do carro, Daniel relata que ele passou a xingá-lo. “Ele começou a me chamar de ladrão. Aí eu desci do carro e disse que ladrão era ele, que tinha pego meu dinheiro, e ainda tinha me assediado. Ele não se contentou e me agrediu. Me deu uma sapatada. Aí entramos em luta corporal e ele me deu duas mordidas, nos braços esquerdo e direito”, disse Daniel.

O motorista registrou o caso na 23ª Delegacia de Lauro de Freitas. Segundo a assessoria da Polícia Civil, a delegacia que vai apurar as circunstâncias do fato, Daniel passou por exames de corpo de delito e precisou ser atendido em uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA), por causa dos ferimentos.

“Eu tentei pedir o nome dele no hotel, para confirmar mesmo, mas disseram que não iam dar, apenas confirmaram que ele realmente estava hospedado lá. A polícia me informou que vai acionar o SI [Serviço de Investigação] para tentar confirmar a identidade dele, mas ele não está mais em Salvador, viajou na terça-feira (25). Eu vou levar essa situação para frente, para que ele não faça mais isso com outras pessoas”, disse Daniel.

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