Salvador: média do mês já é de 16 homicídios por dia

No CAB, tropas do exército continuam vigiando os grevistas na oitava noite da ocupação

Decorridos oito dias do movimento dos policiais militares na Bahia, Salvador e cidades da região metropolitana, de acordo com informações da Secretaria da Segurança Pública (SSP-BA), já registraram 118 assassinatos. A SSP-BA informou, no final da tarde desta terça, que o número pode sofrer variação, uma vez que a contagem está sendo feita manualmente, pois o site do órgão, em que são divulgados os boletins diários de homicídios no Estado, está fora do ar desde segunda-feira.

A secretaria estima que, só no período entre a noite de segunda-feira e o início da noite desta terça, tenham ocorrido 24 mortes. Os números, no entanto, serão confirmados no início da tarde desta quarta, 08, quando o balanço oficial deve ser divulgado.

Dentre as vítimas, um corpo masculino, não identificado, foi encontrado, na manhã de terça, algemado, com sinais de espancamento e marcas de tiros, em um matagal na BA-528 (Estrada do Derba). O homem, negro, de bermuda e camisa polo, foi achado em um barranco de difícil acesso, às margens da rodovia. Policiais da Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa investigam o caso. De acordo com o delegado Antônio Cláudio Oliveira, “as características indicam execução”.

Ataques – Um proprietário de estabelecimento comercial em Mirantes de Periperi denunciou um ataque à 18º Companhia Independente da Polícia Militar (18ª CIPM) e também de ordenamento do fechamento do comércio local. “Eram policiais radicais, que chegaram encapuzados em quatro motos e duas viaturas com as sirenes ligadas, promovendo o terror em Mirantes”, disse.

Ainda segundo o comerciante, os policiais grevistas só não entraram na CIPM porque foram impedidos por colegas em serviço: “Um dos policiais da companhia chegou a dizer que os grevistas podiam fazer o que quisessem do lado de fora, mas que ali não iriam entrar”, contou.

Na cidade de Simões Filho (Grande Salvador), uma onda de boatos vem trazendo insegurança aos comerciantes e dando trabalho aos policiais civis, que perdem tempo percorrendo os bairros para checar denúncias de ataques inexistentes. O que de fato ocorreu foi um ataque à 22ª Companhia Independente da PM, que teve o muro externo pichado com a frase “greve PM Bahia”.

Em Itapuã, uma tentativa de roubo a uma joalheria na Av. Dorival Caymmi, por volta das 15h40, resultou em tiroteio, levando pânico a transeuntes e motoristas. Segundo testemunhas, os ladrões primeiro trocaram tiros com seguranças da loja, até a chegada de uma patrulha de homens do Exército, que também atiraram. Eles perseguiram os criminosos, que fugiram em um veículo tomado de um motorista, e depois abandonado na comunidade do Alto Coqueirinho.

Subúrbio – Comerciantes do bairro de Periperi, no subúrbio ferroviário, viveram um clima de grande tensão nesta terça, após a distribuição de cartas, não assinadas, que exigiam o fechamento dos estabelecimentos comerciais, distribuída na noite anterior. O Supermercado Todo Dia, na Rua das Pedrinhas, manteve o funcionamento, mas com apenas três das seis portas abertas. “Não tive conhecimento da carta, o fechamento das portas é por medida de segurança por conta da greve”, disse o gerente da loja.

Renildo Lopes, que faz carreto na área externa do supermercado, contou ter ouvido falar na carta. “Soube dela, mas não vi. De qualquer forma, todos estamos assustados com a falta de segurança no bairro”, relatou Lopes.

O morador Manoel Ramos, dono de um bar na mesma rua do supermercado, também abriu o estabelecimento parcialmente. “Estou aqui conversando com você, mas com o cadeado no bolso. Se o pau quebrar no bairro corro para dentro e fecho tudo”, confessou o comerciante.

 

A TARDE

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