Madrugada é de saques e tensão no 4º dia de greve de PMs em Salvador

Tropas do Exército e da Força Nacional de Segurança ocupam ruas da capital. Agências bancárias foram atingidas por tiros. Dois shoppings e parte do comércio de rua fecharam mais cedo. Até o trânsito foi afetado.

Soldados do Exército policiam as ruas de Salvador. Até sábado (4), o número de militares e da Força Nacional de Segurança vai aumentar na capital baiana e em outras cidades do estado. São reflexos da greve dos policiais militares, que chegou ao quarto dia nesta sexta-feira (3).

A madrugada foi violenta em Salvador. Quinze homicídios em apenas cinco horas. Um número muito maior que as taxas diárias registradas desde segunda-feira (30).

Pelo menos cinco lojas foram arrombadas em bairros diferentes da cidade. Os ladrões levaram produtos eletroeletrônicos e roupas. Câmeras de uma joalheria gravaram a ação de bandidos que usaram um carro para invadir a loja. O bando levou o que podia.

Com medo, muitos comerciantes não abriram as portas e vendedores ambulantes trabalharam apreensivos. “Fiquei meio receosa. Faz medo, pânico”, conta a vendedora Rosa Ribeiro. “Policial a gente não vê em lugar nenhum”, diz uma moradora.

Salvador vive desde quinta-feira (2) um clima de insegurança. Quatro agências bancárias foram atingidas por tiros, mas nada foi roubado. Dois grandes shoppings e parte do comércio de rua fecharam mais cedo. Até o trânsito foi afetado.

Imagens de um cinegrafista amador mostram o momento em que dois ônibus bloquearam a avenida mais movimentada da cidade. Segundo o comando da PM, eram policiais em greve: “Isso é uma afronta ao Estado. É uma afronta à sociedade organizada e ao estado democrático de direito”.

A paralisação foi convocada por uma associação de policiais que pede o aumento de uma gratificação. A Justiça considerou a greve ilegal. As associações que não aderiram ao movimento negociam com o Comando da Polícia Militar e a Secretaria de Segurança. Segundo a secretaria, dois terços do efetivo policial do estado continuam trabalhando.

Para reforçar a segurança na Bahia, o Ministério da Defesa está enviando 2.950 homens das Forças Armadas. A maioria já está em Salvador e os militares começaram a fazer o patrulhamento em diversas regiões da cidade.

Entre as áreas agora vigiadas pelos soldados, está o centro histórico. Mas a presença deles não acabou com a sensação de insegurança. Às 17h, a principal avenida de comércio popular da cidade já estava deserta.

O Ministério da Defesa anunciou que até o fim da tarde de sábado o número de militares nas operações de segurança subirá para 3,2 mil.

O ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, e o diretor da Polícia Federal, Leandro Daiello, também irão para Salvador no sábado.

 

JN

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