Hospital baiano zera nº de mortes de crianças com leucemia rara após uso de ácido arsênico

Rodrigo e mãe
Rodrigo tem 15 anos e conseguiu se recuperar da leucemia (Foto: Reprodução/TV Bahia)

Em Salvador (BA), o Hospital Martagão Gesteira conseguiu zerar o número de mortes por leucemia promielocítica aguda, em dois anos, após passar a utilizar ácido arsênico para o tratamento. A substância tem apresentado resultados considerados pelos especialistas da saúde como “excelentes” e com menos reações adversas.

De acordo com o Hospital Martagão Gesteira, a unidade de saúde é a única da Bahia a usar o ácido arsênico, uma substância química conhecida há mais de dois mil anos e já usada, inclusive, como veneno, para o tratamento desse tipo de leucemia, que pode matar um paciente com apenas um mês de doença.

Anteriormente, antes do arsênico passar a ser usado no tratamento da leucemia promielocítica aguda, a cada dez pacientes hospital, três morriam vítimas desse tipo raro de leucemia.

Rodrigo Santos, de 15 anos, descobriu que tinha a doença após extrair um dente e ficar com um sangramento por dois dias.

“Rodrigo vinha sentindo dor de dente, levei ele para clínica, aí a dentista perguntou se ele queria extrair ou obturar o dente. Ele optou por extrair. Extraiu, viemos para casa, mas no outro dia Rodrigo começou a sangrar” ,explicou a mãe do adolescente, Jenivalda Santos.

“Dois dias depois, Rodrigo teve uma hemorragia. As plaquetas estavam muito baixas, ele tomou seis bolsas de plaquetas e, no dia seguinte, a médica do hospital me chamou para dizer que Rodrigo precisava de regulação, que ele estava correndo sério risco de morte”, contou.

‘Tipo específico de leucemia’

A onco-hematopediatra e pediatra, Juliana Costa, trabalha no Martagão Gesteira. Conforme ela, o tratamento com ácido arsênico é diferente da quimioterapia, que é agressiva e tem efeitos colaterais, como a queda de cabelo.

“A leucemia promielocítica aguda é um tipo específico de leucemia, que é causada através de um erro genético, uma transmutação do nossos cromossomos 15 com o cromossomos 17, acontece um erro, acontece uma troca entre eles e com isso os nossos promiolócitos, que são as células que estão na nossa medula óssea produzindo nosso sangue, param de amadurecer e a nossa medula óssea fica abarrotada de promiolócitos”, explicou Juliana Costa.

Tratamento

Até o momento, o Hospital Martagão Gesteira já tratou dez crianças com ácido arsênico.

“Dessas dez crianças que receberam o tratamento com ácido arsênico, todas estão bem, todas estão vivas. Das dez, sete já terminaram o tratamento e estão em acompanhamento”, disse a onco-hematopediatra.

De acordo com Juliana Costa, ainda não se pode usar o ácido arsênico para o tratamento de outras doenças. Testes em outros países são feitos para que isso possa ocorrer.

Conforme o Martagão Gesteira, este é um tratamento considerado caro. Entretanto, a unidade conseguiu por meio de uma parceria com a Associação Machadores pela Vida. Uma iniciativa de um grupo de criadores com o apoio da Associação Brasileira dos Criadores do Cavalo Mangalarga Marchador (ABCCMM).

Fonte: Da Redação Namidia News com informações de G1

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