Cremeb se posiciona sobre festas populares que provoquem aglomeração na Bahia

Uma nota divulgada nesta sexta-feira (26), pelo Conselho Regional de Medicina do Estado da Bahia (Cremeb), recomenda cautela na liberação de festas populares que provoquem aglomeração no estado, pois podem trazer um “risco incalculável para a saúde pública”.

Para tomar essa decisão, o Cremeb levou em consideração o “incontrolável acesso da população e de pessoas oriundas de outros estados e países”.

O órgão destaca que a imunidade vacinal tem se mostrado efetiva, porém de “duração ainda indeterminada”. 

Ainda na nota, o Cremeb recomenda que as autoridades sanitárias do estado respeitem as medidas cientificamente reconhecidas.

Na última terça-feira (23), um ofício com orientações da Fundação Oswaldo Cruz – Instituto Gonçalo Moniz (Fiocruz Bahia), sobre a realização do carnaval 2022, foi divulgado durante uma audiência pública, na Câmara Municipal de Salvador.

No documento, a Fiocruz recomendou que o carnaval de 2022 só seja realizado na capital baiana quando 90% da população estiver vacinada com a segunda dose. Além disso, o órgão destacou que é importante estimular a imunização, principalmente entre os jovens.

A fundação indicou também a necessidade do controle do passaporte da vacina – já que no carnaval o país tenderá a receber muitas pessoas não vacinadas dos Estados Unidos e da Europa, que podem considerar o Brasil um bom destino para os grupos antivacinas.

Confira abaixo a nota do Cremeb na íntegra:

Em face ao debate sobre a realização de festas populares durante a pandemia de Covid-19, o Conselho Regional de Medicina do Estado da Bahia (Cremeb) recomenda às autoridades sanitárias baianas que respeitem as orientações cientificamente conhecidas para tomadas de decisões, tendo como norte primordial o direcionamento técnico e científico dos pesquisadores sobre o tema.

Para balizar qualquer decisão sobre esse assunto, é preciso que se observe determinadas evidências, como a dificuldade de controle no acesso da população a esses eventos, a ser observada com as experiências em outros estados e países; e a ausência de aprofundamento nosólogico sobre a doença, tendo em vista que os estudos ainda são recentes, e a mutação do vírus, que ocorre de maneira dinâmica, como o que está acontecendo com a variante detectada na África do Sul, provocando grande preocupação à comunidade científica internacional.

“O Cremeb recomenda aos gestores que se respeite os direcionamentos técnicos e científicos advindos das entidades responsáveis por estudar o tema, pois uma decisão equivocada nesse momento pode debilitar todo avanço conquistado com as campanhas de combate ao vírus desde o início da pandemia. “, pontua o presidente do Cremeb, Dr. Otávio Marambaia.

Sobre as evidências científicas referentes ao coronavirus, o conselheiro pondera que a Covid-19 ainda é uma doença recente, em constante estudo e análise, o que requer cautela ainda maior para a deliberação de eventos populares. “A imunidade vacinal, por exemplo, tem se mostrado muito efetiva no combate ao vírus, mas ainda há incertezas sobre a duração dessa eficácia. A saúde da população e os riscos eminentes com a realização desses eventos devem ser os principais pontos analisados antes qualquer decisão”, explica Marambaia.

Por fim, o Cremeb alerta que a aglomeração é uma realidade irrefutável em festas populares e, por isso, pode proporcionar risco incalculável para a saúde pública, fator esse que exige ponderação e cautela dos entes responsáveis pela realização.

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